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Curvelo e municípios vizinhos já registraram seis casos de microcefalia com suspeita de zika

Confirmação de que um bebê em Curvelo foi diagnosticado deixa população em alerta. Autoridades apuram se outros 4 casos de microcefalia na região têm relação com vírus

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postado em 16/01/2016 06:00 / atualizado em 16/01/2016 07:48

Gustavo Werneck

Beto Novaes/EM/DA Press

Curvelo –
Medo do mosquito, alerta total para combate e apreensão com o avanço do zika vírus, transmitido pelo Aedes aegypti assim como dengue e chikungunya. Curvelo e municípios vizinhos, na Região Central, registraram em dezembro seis casos notificados de bebês com microcefalia, com suspeita de infecção pelo zika vírus – quatro deles ainda em investigação. A informação foi divulgada ontem pela secretária municipal de Saúde de Curvelo, Rejane Valgas Oliveira Galvão. Logo pela manhã, a secretária informou a uma mulher de 34 anos residente na cidade, solteira, já mãe de uma criança e de nome não revelado, que o bebê que ela dera à luz em 2 de dezembro se enquadra no protocolo de microcefalia por ter o crânio inferior a 32 centímetros.


“Ainda é muito cedo para sabermos exatamente o que ocorreu”, disse a secretária, explicando que a mulher ficou assustada com a notícia, divulgada na véspera pela Secretaria Estadual de Saúde. Trata-se do segundo caso diagnosticado no estado, sendo o outro referente a uma gestante de Ubá, na Zona da Mata. Segundo a secretária, a moradora de Curvelo teria deixado o município durante a gravidez, mas não foi informado se ela teria viajado para outro estado.

A notícia do caso de zika no município de 80 mil habitantes, localizado a 155 quilômetros de Belo Horizonte, deixou a população preocupada e em alerta, embora os índices de infestação pelo Aedes aegypti não sejam elevados. Enquanto isso, os estoques de repelentes se esgotam nas farmácias. “Tem vindo muita gente procurar o produto, mas está em falta. É o medo da picada do mosquito, todos estão atentos”, contou a vendedora de uma drogaria no Centro da cidade.

“Esta revelação não interferiu nas nossas campanhas de combate, que são frequentes. O rastreamento desse caso específico está sendo feito para sabermos como ocorreu a contaminação”, disse o prefeito Maurílio Guimarães. Em 2013, Curvelo recebeu o prêmio de primeiro lugar em campanhas bem-sucedidas de combate à dengue, oferecido pelo governo de Minas, de acordo com informações da Secretaria Municipal de Saúde.

A secretária Rejane Galvão explicou que, dos seis casos notificados em dezembro, um foi descartado e quatro se encontram sob investigação para saber se a microcefalia foi causa pelo zika vírus. “Não podemos falar que os bebês são de Curvelo, simplesmente porque nasceram na Maternidade Imaculada Conceição, única na região. Esse local recebe também gestantes de Augusto de Lima, Buenópolis, Corinto, Inimutaba, Santo Hipólito, Presidente Juscelino, Felixlândia, Monjolos, Morro da Garça e Três Marias”, disse.

Beto Novaes/EM/DA Press
BATALHÃO Em dezembro, em Curvelo, foram notificados 448 casos de dengue, com 190 confirmações –  este ano foram 35. Ontem, o batalhão de combate ao mosquito saiu às ruas do município em número maior do que o habitual, embora, segundo a secretária de Saúde, isso não tenha a ver com a divulgação da suspeita do zika vírus. Agora, são 136 agentes a postos, sendo 40 da equipe de endemia e 96 agentes comunitários.

“Essa divulgação (dos casos de microcefalia) mostra que somos transparentes. Este é um município de baixa transmissão”, disse Rejane. Por volta das 14h, ela acompanhou uma equipe que trabalhava no Bairro Tibira, próximo ao Centro. A partir de uma iniciativa municipal, foram criados pontos estratégicos e, de 15 em 5 dias, um caminhão passa recolhendo pneus. O agente de endemias Gilliard Pereira Santiago, de 27, mostrou alguns cheios de água. “Nessa época de chuva, é preciso ficar atento e verificar pratinhos de plantas, caixas descobertas e outros locais favoráveis à proliferação do vetor”, orientou.

Para o borracheiro Leo Rodrigues de Souza, a suspeita de zika vírus em Curvelo é uma “tragédia”. Ele diz que é preciso ficar cada vez mais vigilante. “Aqui na borracharia ficamos de olho para evitar dengue e outras doenças”, observou.

GESTANTES Grávida de 8 meses de um menino, que vai se chamar João Pedro, a operadora de caixa Sabrina Moreira da Cruz, de 21, esteve ontem na Unidade Básica de Saúde do Bairro Santa Cruz, em companhia do marido André Geraldo, de 23. “Com essa história toda, a gente fica muito preocupada. Fiz ultrassonografia várias vezes e sei que está tudo bem com o neném”, afirmou.

Depois de atender Sabrina no consultório, o médico Hugo Leonardo de Oliveira Farneti, da Estratégia de Saúde da Família (ESF), disse que as gestantes estão preocupadas. Ele ressaltou a importância de fazer o ultrassom para garantir tranquilidade.

Nas ruas, os moradores demonstram preocupação. “A gente fica muito apreensiva com tudo isso. Já tive dengue, não é fácil, e minha cunhada foi internada ontem. Ouvi hoje uma mulher dizendo que não vai engravidar tão cedo”, disse Cláudia Heloísa Gomes, de 33, mãe de três filhos. Ainda sem filhos, Flávia Giovana, casada, de 24, lembra ser fundamental investir em prevenção, com total anuência da mãe, Meire Lúcia. No Centro, uma mulher, com o semblante sério, conta que “uma amiga queria vir para Curvelo para ter o seu bebê, mas já avisei para ela ficar onde está”.

Arte EM

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