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Delegado pede mais prazo para investigar tragédia em Mariana

Essa é a segunda vez que a corporação pede mais tempo para apurar as causas e responsabilidades do evento. Rompimento de barragem deixou 17 mortos e dois desaparecidos

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postado em 08/01/2016 15:49 / atualizado em 08/01/2016 16:25

João Henrique do Vale

Jair Amaral/EM/D.A Press.

Já está nas mãos do juiz de Mariana, na Região Central de Minas Gerais, o pedido da Polícia Civil de dilação do prazo da investigação da tragédia com a barragem de Fundão, da empresa Samarco – controlada pela Vale e a BHP Billinton. O rompimento da mina deixou 17 pessoas mortas, duas desaparecidas e é considerada a maior tragédia ambiental do Brasil. Essa é a segunda vez que a corporação pede mais tempo para apurar as causas e responsabilidades do evento.

De acordo com a Polícia Civil, o delegado Rodrigo Bustamante, responsável pelo caso, entregou o pedido no fórum da cidade por volta das 15h. Agora, ele aguarda o posicionamento do juiz para continuar as apurações. O novo prazo será determinado pelo magistrado. "A apuração depende de laudos complexos que levam tempo para serem concluídos", justificou o delegado.

Até esta sexta-feira, 72 pessoas já foram ouvidas, entre elas o diretor-presidente da Samarco, Ricardo Vescovi e o prefeito de Mariana, Duarte Júnior. Nessa quarta-feira, o diretor de Operações e Infraestrutura da Samarco, Kleber Terra, e outro diretor, que não teve o nome divulgado pela polícia, prestaram depoimento. O delegado ainda espera a conclusão de laudos periciais feitos no local do rompimento.

Essa é a segunda vez que Bustamante pede a dilação do prazo das investigações. Em 4 de dezembro, um dia antes da data prevista para o encerramento do inquérito, a Justiça concedeu a extensão até este sábado. Já foram confirmadas 17 mortes na tragédia. Outras duas vítimas, Ailton Martins dos Santos, de 55 anos, e Edmirson José Pessoa, de 48, ambos funcionários terceirizados da Samarco, seguem desaparecidas.

Lama em abrolhos

A Samarco divulgou nova nota no início da tarde desta sexta-feira em que afirma ser "muito baixa" a probabilidade de a mancha de rejeitos de minério da Barragem do Fundão ter atingido o arquipélago de Abrolhos, no litoral sul da Bahia. Depois de distribuir texto pela manhã em que admitia acreditar que a mancha detectada pelo Ibama era originária da mistura de lama e rejeitos liberada com o rompimento da barragem em Mariana, a mineradora sustenta, agora, que novos dados indicam o contrário.

"Dados sobre a direção de ventos e intensidade de marés registrados nos últimos dias apontam para uma probabilidade muito baixa de deslocamento da pluma de turbidez do litoral de Linhares (ES) até o Arquipélago de Abrolhos. A empresa mobilizou equipes para a coleta de amostras que serão avaliadas em laboratório", diz trecho da nota mais recente.

Audiência pública

Na próxima segunda-feira, deputados da Comissão Extraordinária das Barragens da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) vão realizar uma audiência às 10h. No encontro será discutida a regularidade do licenciamento ambiental, a fiscalização e as consequências legais, ambientais e humanas decorrentes do rompimento da Barragem de Fundão.
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Ramon
Ramon - 09 de Janeiro às 09:22
Segunda vez ? incompetente !