SIGA O EM

Biólogos encontram cardumes em rio poluído pela lama da Samarco

Dados dos locais onde os animais foram flagrados estão armazenados em um aparelho GPS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.
[{'id_foto': 987497, 'arquivo_grande': '', 'credito': 'Arte EM', 'link': '', 'legenda': '', 'arquivo': 'ns62/app/noticia_127983242361/2016/01/08/723095/20160108075544405348a.jpg', 'alinhamento': 'left', 'descricao': ''}]

postado em 08/01/2016 06:00 / atualizado em 08/01/2016 07:55

Paulo Henrique Lobato /Enviado Especial

Arte EM

Sessenta e cinco dias depois do rompimento da Barragem do Fundão, em Mariana, surge a primeira boa notícia para o Rio Doce. Uma equipe de biólogos pesquisou 215 pontos da calha e constatou significativa quantidade de cardumes ao longo do maior curso d’água exclusivamente do Sudeste brasileiro, com 670 quilômetros de extensão, do município de Rio Doce, na Zona da Mata mineira, à foz, em Linhares (ES).

"Estancado o vazamento e chovendo três anos em condições normais, o rio deverá ter fauna parecida à de antes", projeta o biólogo Fábio Veieira, com mestrado e doutorado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) sobre a Bacia do Doce. O especialista estuda a ictofauna do Doce há mais de duas décadas e se surpreendeu com a quantidade de peixes localizados.

"Encontramos muitos deles no reservatório de Baguari, entre Governador Valadares e Naque, e (no lago) de Candonga (na cidade de Rio Doce)". Aliás, a usina hidrelétrica de Candonga, a cerca de 15 quilômetros do início do Doce, teve grande participação na preservação dos peixes, uma vez que o paredão de concreto segurou boa parte dos 55 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério que vazaram da barragem da Samarco, em 5 de novembro. Nessa etapa, os biólogos percorreram o rio, de 3 a 11 de dezembro, numa embarcação com motor de popa e um sonar acoplado ao casco. O aparelho emite vibrações até o fundo da calha. No retorno das ondas, os peixes são denunciados por um sinal enviado a outro aparelho, na parte superior do barco.

Os dados dos locais onde os animais foram flagrados pelo sonar estão armazenados num GPS. Muitos foram detectados longe dos tributários do Rio Doce. Essa informação é de grande importância tanto para os biólogos quanto para a comunidade ribeirinha.

Quem explica é o próprio especialista na ictiofauna do Doce: “Na pior hipótese possível, se toda a vida tivesse morrido ao longo dos 670 quilômetros do rio, todos os peixes detectados teriam de ter chegado à calha via afluentes. Ocorre que não acredito nesse caminho, pois peixes foram localizados em pontos distantes dos tributários. Portanto, se observamos animais em pontos distantes dos afluentes, a possibilidade é de que eles (estavam na calha antes da chegada da lama e) permaneceram no rio”.

O sonar, contudo, não identifica as espécies flagradas. Essa será a segunda fase do levantamento. Nos próximos dias, diante dos dados com a localização dos cardumes, redes serão jogadas no leito. Os animais capturados serão analisados e servirão como base para estimar a população das espécies exóticas à bacia, como o dourado, e das endêmicas.

Já análises posteriores, com base na mesma técnica, vão fornecer elementos para estudos sobre o processo de recuperação das áreas devastadas pela lama de rejeitos de minério. O levantamento foi feito pela Acqua Consultoria, empresa que tem Fábio Vieira como dono.

A pesquisa foi financiada pela Samarco como uma das exigências do poder público para que a mineradora, controlada pela brasileira Vale e a anglo-australiana BHP Billiton, apresente planos de recuperação da natureza destruída pelo estouro da barragem.

Fapemig vai financiar projetos de recuperação

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) lançou ontem editais para financiar projetos de estudo para o desenvolvimento de tecnologias necessárias à recuperação das áreas afetadas pelo rompimento da Barragem do Fundão. As propostas devem seguir quatro linhas: recuperação do solo, da água, da biodiversidade e tecnologias sociais.

Na prática, a Fapemig espera por propostas que sugiram, por exemplo, como usar a lama que vazou da represa ou mecanismos que podem despoluir o leito dos cursos d’água. Essas pesquisas estão orçadas em R$ 4 milhões, sendo o máximo de R$ 200 mil por proposta. O prazo máximo de execução dos projetos contratados será de 24 meses. As propostas podem ser submetidas até 7 de março de 2016.

“O que precisamos é de congregar a inteligência dos nossos pesquisadores para adicionar conhecimento e criatividade na busca por tecnologias para a recuperação da Bacia do Rio Doce”, disse o diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fapemig, Paulo Sérgio Lacerda Beirão. (PHL)
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação
600
 
Barcelos
Barcelos - 20 de Janeiro às 10:01
Tem alguém monitorando as represas de rejeito da Samarco? Com essa chuva...sei não...
 
juliano
juliano - 08 de Janeiro às 09:24
O momento no país não é de crise? E já estão desenvolvendo projetinhos de 4 milhões para resolver coisas de decadas? Olha o lero lero aí gente!!!! Deveria ser marchinha de carnaval.