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Bento Rodrigues se tornou povoado fantasma

Em meio à desolação, o subdistrito tem poucos sinais de vida. De vez em quando, o canto dos passarinhos quebra o silêncio entre as ruínas do casario

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postado em 03/01/2016 11:00 / atualizado em 03/01/2016 08:35

Daniel Camargos - Enviado Especial /


Mariana – Quase dois meses após a devastação causada pela lama dos rejeitos da barragem da Samarco, a situação em Bento Rodrigues, Paracatu de Baixo e Camargos – os distritos mais atingidos pela tragédia – pouco mudou. O cenário de destruição permanece. Máquinas abriram passagem onde antes existiam ruas e é possível, em alguns locais, ver pedaços do chão dos blocos hexagonais

Quem chega a Bento Rodrigues, passando pelo distrito de Santa Rita Durão, precisa transpor um portão instalado pela Samarco e pedir autorização à Prefeitura de Mariana. No local, seguranças privados anotam o nome de quem vai ao distrito. As medidas de segurança foram adotadas após moradores relatarem saques de janelas e telhas das casas que restaram. “Estavam indo lá e arrancando. Teve caminhão de empresa que entrou lá e levou um monte”, afirma Jeferson Inácio, de 28 anos, morador do distrito e um dos 13 eleitos pela comunidade para representá-la nas reuniões com a Samarco e o poder público.

A primeira visão é de várias casas destelhadas e com as janelas arrancadas, o que amplia a sensação de cidade fantasma. O silêncio também amplifica o barulho do canto dos canarinhos chapinhas. Mesmo diante do cenário de destruição e desalento, bananeiras e até uma roseira brotam da lama e são um alento.

No que sobrou das paredes da Escola Municipal de Bento Rodrigues foram feitas várias intervenções. “Samarco queria nos matar, mas Jesus nos salvou”, foi pichado. Outro, também com tom religioso, prega: “Jesus ama o povo de Bento Rodrigues”. Em meio às ruínas foram instaladas diversas placas. Uma alerta: “Ao ouvir a sirene, evacue a área” e outra com o sinal de perigo diz: “Proibido permanecer nesta área”. As placas foram colocadas depois do rompimento da barragem.

A água que desce no Rio Gualaxo do Norte segue suja, bem diferente da coloração que tinha antes do rompimento da barragem. A Samarco explica, em nota, que a sujeira não se deve ao persistente vazamento da barragem, mas sim pela movimentação de rejeitos sólidos em função das chuvas.

“A empresa está executando obras para reforço das estruturas remanescentes, bem como a construção dos diques de contenção de rejeitos. Os trabalhos estão dentro do cronograma previsto. Importante ressaltar que as estruturas das barragens estão estáveis e são monitoradas 24 horas por dia”, informa a mineradora responsável pela barragem que rompeu.

A ponte caída no trecho da Estrada Real que ligava os distritos de Camargos e Bento Rodrigues não foi recuperada. Em Paracatu de Baixo, próximo à Cachoeira do Raimundo da Ponte, pedras imensas estão na beira da estrada. Foram jogadas ali pela lama que se acumulou na cachoeira até ganhar força e deslocar as rochas.

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