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Esperança e união marcam celebração do Natal de famílias atingidas por barragem em Mariana

Pessoas que precisaram deixar suas casas por causa da tragédia do dia 5 de novembro terão no período natalino formas diversas de celebrar a data.

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postado em 24/12/2015 20:50 / atualizado em 24/12/2015 21:13

Valquiria Lopes

Gladyston Rodrigues/EM/DA Press

A poucas horas do Natal, moradores dos distritos de Mariana e Barra Longa atingidos pela lama da Barragem do Fundão, da mineradora Samarco, se preparam para celebrar a data de forma  diferente. Acostumados com as tradicionais reuniões em família nas localidades de Bento  Rodrigues, Camargos, Paracatu de Baixo e na cidade de Barra Longa, as pessoas que precisaram deixar suas casas por causa da tragédia do dia 5 de novembro terão no período natalino formas diversas de celebrar a data. Moradores que já foram transferidos para casas alugadas pela empresa receberam cestas de natal da mineradora, mas estão divididos entre confraternizar hoje e fazer um almoço natalino amanhã com a família. Oito pessoas que, por opção, ainda estão hospedadas em hotéis participam nesta noite de uma ceia em um hotel no Centro de Mariana.

De modo geral, a chegada da data foi motivo para retomada da esperança e de reencontro de parentes e amigos. No Bairro Dom Oscar, em Mariana, para onde muitos moradores de Bento foram levados, poucos vão fazer ceia hoje, mas a sexta-feira promete, já com a certeza do tradicional almoço de família. Na casa do aposentado Osvaldo Apolinário de Almeida, de 72 anos, e de sua mulher Geralda da Penha Gomes de Almeida, de 57, casados há 40 anos, o encontro vai reunir filhos que moram fora da cidade, netos, amigos, além da mãe de Geralda, a pensionista Rosa Maurília Gomes, de 77 anos. "No Bento, a gente não tinha a tradição de fazer ceia na noite do dia 24, mas sempre reunia todo mundo para almoçar no dia seguinte", conta Geralda, que já tem o cardápio na cabeça: "Vamos fazer arroz, salada, macarrão, frango assado e o chester que veio na cesta que recebemos da Samarco".

Além da vitória da vida, a família também comemora a notícia do acordo feito entre a mineradora, o Ministério Público e a comunidade atingida, de pagamento, em janeiro, de um adiantamento da indenização pelos danos e mortes causados pela tragédia. Por causa do acidente, 17 pessoas morreram e duas estão desaparecidas. "É um dinheiro que vai vir em uma hora certa porque a gente tem contas para liquidar e perdemos tudo o que tínhamos", afirmou Osvaldo.

Apesar da ceia no restaurante estar marcada para 19h, até por volta de 20h30 nem todos haviam chegado no estabelecimento, que tem cardápio apetitoso: peru, chester, pernil, arroz a grega, entre outras iguarias. De sobremesa, as opções são pudim, queijo com goiabada e uma torta doce. As oito pessoas dos distritos de Mariana que ainda estão nos hotéis somam quatro famílias. Uma destas aguarda, para a primeira semana de janeiro, a conclusão da reforma, que está sendo realizada pela Samarco, em imóvel de sua propriedade, para se mudarem. Dentre as 355 famílias desalojadas com a tragédia, 351 (908) estão nas residências alugadas ou em casas de parentes.

Osvaldo e Geralda falam sobre as esperanças no Natal


ANO NOVO A programação para o dia 1º de janeiro inclui uma Rua de Lazer, com atividades voltadas para crianças, jovens e adultos das comunidades atingidas. O evento terá brinquedos e espaço para apresentações culturais da comunidade. Os empreendedores das localidades serão convidados a prestar seus serviços, de modo a oferecer uma alternativa de renda e consumo de produtos feitos pela própria comunidades, como salgados e doces. 
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