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Corpo encontrado 35 dias após tragédia é de morador de Bento Rodrigues

Familiares reconheceram o corpo de Antônio Prisco de Souza, de 74 anos, nesta sexta-feira no Instituto Médico Legal (IML) de BH. Três pessoas seguem desaparecidas

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postado em 11/12/2015 14:47 / atualizado em 11/12/2015 17:16

João Henrique do Vale

Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press.

O corpo encontrado pelo Corpo de Bombeiros em Bento Rodrigues 35 dias depois do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais, é do morador da comunidade Antônio Prisco de Souza, de 74 anos. Familiares fizeram o reconhecimento nesta sexta-feira. Com a confirmação, sobre para 16 o número de mortes da tragédia. Outras três pessoas, funcionários terceirizados da Samarco, responsável pela mina que se rompeu, seguem desaparecidos.

A vítima foi encontrada nessa quinta-feira em um local de difícil acesso próxima ao distrito de Camargos. O corpo foi levado para o Instituto Médico Legal (IML) de Belo Horizonte onde foi identificado por familiares. Antônio, mais conhecido como Totó, era famoso em Bento Rodrigues. Ele morava com uma irmã em uma das primeiras casas atingidas. Um problema de coração o obrigou a aposentar precocemente e, por isso, pouco saía de casa, limitando-se a cuidar das galinhas e dos cachorros.

O Corpo de Bombeiros continuam as buscas. Nesta sexta-feira, as ações estão concentradas nas
proximidades do reservatório de Fundão. Ao todo, 18 militares (10 do Batalhão de Ouro Preto e oito de Ponte Nova), participam dos trabalhos. Os funcionários desaparecidos são Ailton Martins dos Santos, de 55, Vando Maurílio dos Santos, de 37, e Edmirson José Pessoa, de 48.

Investigações


As apurações sobre as causas e responsabilidades do rompimento da barragem em Mariana, que além das mortes causou uma das maiores tragédias ambientais do Brasil, continua sendo feitas pelas polícias Civil e Federal, além dos ministérios públicos Federal e Estadual.

O Delegado regional de Ouro Preto, Rodrigo Bustamante, já ouviu 48 pessoas, entre elas o diretor-presidente presidente da Samarco, Ricardo Vescovi, profissionais responsáveis por áreas técnicas da mineradora, funcionários terceirizados que estavam trabalhando no local no dia da tragédia e familiares das vítimas. A Polícia Civil conseguiu na Justiç a dilação de 30 dias no prazo para a conclusão do inquérito.

Multas e ações judiciais

Enquanto as investigações e as buscas por desaparecidos continuam, a Samarco e as empresas a controlam, Vale e BHP Billinton, são alvos de multas e ações judiciais. Nessa quinta-feira, o promotor Guilherme de Sá Meneghin entrou no fórum da cidade com ação civil pública pedindo à Justiça que obrigue a mineradora e as duas gigantes a cumprir uma lista de cláusulas para resguardar os direitos das vítimas e a reconstrução dos vilarejos arrasados. A medida, que pela primeira vez na Justiça mineira inclui com réus os dois pesos-pesados da mineração mundial, foi adotada após comunicado da Samarco de que não assinaria o compromisso na data limite estipulada pela promotoria. A Vale reagiu, criticando o que considera precipitação do MP e afirmando não se considerar responsável pelo acidente.

No mesmo dia, a presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Marilene Ramos, estimou que a biodiversidade da bacia hidrográfica do Rio Doce só se recuperará em dez anos, após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, no dia 5 de novembro. Disse, ainda, que deverá aplicar, na próxima semana, mais multas à mineradora Samarco. O Ibama já aplicou cinco multas, de R$ 50 milhões cada, contra a empresa desde o desastre.
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