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Por causa da falta de água, fazendeiros são obrigados a vender o gado

Única fonte de água para os animais era o Rio Gualaxo, que está coberto de lama

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postado em 06/12/2015 06:00 / atualizado em 06/12/2015 12:35

Valquiria Lopes , Pedro Ferreira - Enviado Especial



Tulio Santos/EM/D.A Press

Em Paracatu de Baixo, onde o Rio Gualaxo é puro barro e não há sinal de vegetação, moradores de áreas rurais também sofrem os efeitos da devastação ambiental. Enquanto a única  fonte de água para os animais, que era o Rio Gualaxo, permanece um leito de lama, sem condições de ser usada, fazendeiros precisaram vender todo o gado. “O pessoal está doido atrás de pastagem para a criação. Eles só têm essa água, e até ela limpar vai demorar muito”, disse o agente distrital Thiago Cerceu, de 35 anos. O lavrador Livaldo Marcelino, de 39, também lamenta. “Parece que a lama não acaba nunca. Qualquer chuvinha que cai desce mais barro e o rio vira um mingau. Acabou a minha esperança de pescar um dia aqui de novo”, lamentou.


Livaldo conta que em Paracatu de Baixo o mar de lama desceu e ficou represado na Cachoeira Doracema. “Depois a lama voltou, fez um redemoinho em cima de Paracatu. Revirou tudo”, conta o lavrador, que precisou levar suas vacas para as terras de um amigo. “Não tem água para a criação beber. A minha represa em que eu criava peixe e onde as vacas bebiam água, também virou lama pura”, reclama. Ele ressalta que até hoje os animais estão amedontrados não querem descer a montanha. “Ficaram assustados com a zoeira da lama”, conta.


Pequenas nascentes próximas ao rio já ficam com as águas contaminadas assim que chegam às áreas onde rejeitos de mineiro ficaram depositados. Muitos lavradores da região lamentam a situação da Cachoeira Doracema, que era ponto turístico na região.


Diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Monitoramento das Águas do Igam, Márley Caetano de Mendonça afirma que ainda não há resultados das medições feitas no Rio do Carmo na semana passada e que ainda não foram feitas análises no Rio Gualaxo, que virou somente lama. No entanto, segundo ele, monitoramento diário feito ao longo de 12 estações no Rio Doce mostra que os índices de turbidez, metais pesados e outros elementos têm apresentado melhoria desde a passagem da onda de rejeitos. Mas acrescenta que muitos sedimentos têm se revolvido por causa da chuva e que não há como prever quando o curso d’água retomará sua normalidade.

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