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Moradores de Bento Rodrigues vão receber cartões de auxílio mensal com atraso

Samarco assegurou aos desalojados auxílio mensal de R$ 788 por família, 20% por dependente e quantia correspondente a uma cesta básica. Procurada, a empresa não esclareceu o motivo do atraso

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postado em 03/12/2015 06:00 / atualizado em 03/12/2015 07:43

Paulo Henrique Lobato /Enviado Especial

Mariana – Alexandra Matias Teixeira Silva, de 36 anos, não pisava em Bento Rodrigues desde 5 de novembro, quando fugiu da avalanche de lama de minério que vazou da barragem da Samarco. Ontem, diante de tanta devastação, ela sentiu uma dor como se o seu coração fosse cortado por aço de navalha. E a angústia cresceu ao ser informada que sua família e a de outros desalojados vão receber com atraso os cartões do auxílio mensal que a mineradora se propôs a desembolsar. O prazo vence hoje.

A Samarco, que obteve lucro líquido de R$ 2,8 bilhões em 2014, assegurou aos desalojados auxílio mensal de um salário-mínimo por família (R$ 788), 20% por dependente e uma quantia correspondente à de uma cesta básica (R$ 388). Já as vítimas defendem R$ 1,5 mil por família, 30% desse valor por dependente e a cifra da cesta básica.

“O cartão da minha família e os de outras só serão entregues daqui a mais ou menos 10 dias, segundo a mineradora”, lamentou Alexandra. Há quase um mês morando com os dois filhos e o marido num hotel em Mariana, ela contava com o auxílio para amenizar a dor causada pela lama. Procurada, a empresa não esclareceu o motivo do atraso.

Em nota, a Samarco informou que “iniciou a entrega a primeira remessa de 115 cartões para as famílias cadastradas e validadas pela Defesa Civil e empresa. A entrega continuará até que todos os núcleos familiares sejam atendidos. (…) O crédito é realizado até o quinto dia útil de cada mês e o valor é retroativo a 5 de novembro, independentemente do dia do recebimento do cartão.” Segundo o texto, a próxima remessa de cartões será entregue ao titular, indicado pelo núcleo familiar.

A empresa justificou que o valor de um salário-mínimo e o do percentual por dependentes têm como base um estudo desenvolvido pela própria Samarco, em 2013, para caracterização socioeconômica de Bento Rodrigues. A mineradora, contudo, sugere que pode revisar a quantia.

Essa contraproposta da Samarco precisa ocorrer até quarta-feira, quando deverá ser assinado termo de ajustamento de conduta (TAC) com o Ministério Público em Mariana sob pena de a promotoria da cidade histórica incluir as duas controladoras da mineradora – a brasileira Vale e a anglo-australiana BHP Billiton – na ação civil pública que irá cobrar das empresas a reparação por danos morais e materiais.

Os moradores ainda querem R$ 10 mil por família para que eles recomecem suas vidas. Enquanto o dinheiro não chega para Alexandra, ela passa o dia se lembrando da época tranquila em que morava em Bento Rodrigues, o primeiro povoado destruído pela lama. Boa parte da moradia dela foi jogada ao chão. Móveis, roupas e outros objetos foram levados para longe.

FELICIDADE Talvez outros possam ter sido levados por ladrões. Apesar do sofrimento dos desalojados, invasores foram ao lugarejo e roubaram rodas de carros e vários objetos. Ontem, diante de tanta angústia, Alexandra decidiu garimpar seu passado. Depois de alguns minutos, achou documentos pessoais cobertos pelo minério. Retirou de lá sua carteira de identidade. Agora, deseja encontrar a mesma felicidade que tinha no povoado.
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação
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Ricardo
Ricardo - 03 de Dezembro às 13:03
Quando ocorre um acidente, o mais importante não é achar o culpado, e sim o que se pode fazer para não mais acontecer, bem como socorrer o que se pode ajudar. Neste caso, vejo a SAMARCO se envolvendo na medida do possível, e alguns idiotas providenciando o bloqueio de bens e direitos que serviram apenas para retardar o processo.
 
Ricardo
Ricardo - 03 de Dezembro às 12:12
Interessante o posicionamento da imprensa mineira, por partes e pela ordem: - na região que teve origem o acidente, não é bem recebida, - nunca se preocupou em saber se o licenciamento era feito por pessoas competentes, visto que pelo órgão competente foi.... - nunca se preocupou com o risco que existe a dezenas de anos, viso que o negócio sustentou a região por décadas e até alguns cadernos por dezenas de vezes. Acho que não há profissionalismo nisso tudo..... Assim como não há mais pessoas devidamente capacitadas para escrever sobre isso... e isso eu provo se necessário....
 
Cid
Cid - 03 de Dezembro às 09:59
Tem muita gente aproveitando da situação,