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Instabilidade de barragens ameaça hidrelétrica em Minas

Inoperante e assoreada após rompimento da Barragem do Fundão, Usina de Candonga traz prejuízos e preocupação à população de Santa Cruz do Escalvado

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postado em 30/11/2015 06:00 / atualizado em 30/11/2015 11:20

Gustavo Werneck

Euler Junior/EM/D.A Press
Santa Cruz do Escalvado – A preocupação e a lama viajam juntas pela Bacia do Rio Doce desde o rompimento da Barragem do Fundão, pertencente à mineradora Samarco, em 5 de novembro, em Bento Rodrigues, subdistrito de Mariana. Desta vez, elas aportam em Santa Cruz do Escalvado, na Zona da Mata, onde a Usina Hidrelétrica Risoleta Neves (Candonga) paralisou suas atividades após o desastre.

Na cidade, distante 100 quilômetros da Mina do Germano, onde ocorreu o desastre socioambiental, o medo é duplo. O primeiro temor se relaciona com o prejuízo causado pela interrupção do funcionamento da usina. O segundo diz respeito à ameaça de um novo acidente em Bento Rodrigues, onde as barragens do Germano e Santarém apresentam instabilidade e, de acordo com o Ministério Público de Minas Gerais, com “risco iminente de rompimento,” o que também traria mais prejuízos para a população.

Como a represa da Usina Hidrelétrica Risoleta Neves está assoreada e tomada pelo barro, ela não teria condições de comportar uma nova avalanche de lama, com consequências não previstas para a Bacia do Rio Doce, já devastada pela tragédia no começo do mês.

Por causa disso, a Justiça acolheu ação civil pública encaminhada pelo MP e pelo governo do estado, determinando que a Samarco, a Vale e a Cemig, sócias na operação da usina, a esvaziem até esta segunda-feira, o que não foi cumprido. A multa pelo descumprimento desta ordem judicial é de R$ 1 milhão por dia.

Não há perigo físico para os moradores de Santa Cruz, distante sete quilômetros da usina, mas um novo rompimento de barragem em Mariana faria com que a usina demorasse ainda mais a voltar a operar, aumentando os prejuízos para o município, que tem na hidrelétrica a sua principal fonte de arrecadação.

PERDA DE ROYALTIES “Ela está esvaziando e com isso vamos perder os royalties.Vai parar tudo” diz, desolado, o prefeito Gilmar de Paula Lima (PMM). Ele informa que os prefeitos dos municípios atingidos pela tragédia em Mariana estão se reunindo para buscar soluções. “Perder receita é o pior para as cidades que recebem royalties”, afirmou.

Os moradores também estão preocupados. “Com a usina parada, lá se vão os recursos,” diz Walter Palhares. Na tarde de ontem, muitas pessoas foram ver a usina e as turbinas inoperantes pelas quais passa o barro. “A gente fica preocupada, pois a água era limpa,” observou Natália da Silva Cruz ao lado da prima Cristiane de Souza Silva, moradoras do distrito de Pedra do Escalvado.
Para o lavrador Geraldo Celestino de Oliveira, o mais grave é a destruição do Rio Doce. Ele também lamenta as perdas pessoais, lembrando que a lama que passou pelas turbinas da hidrelétrica e chegou ao rio abalou a estrutura de sua casa, na área rural, e ele foi obrigado a deixar o local. “Não posso mais ficar lá”, desabafa.

Os moradores temem que todas as atividades na região fiquem inviabilizadas com o assoreamento do Rio Doce, que se tornou um caldo grosso e escuro que corre em direção ao mar.A cidade tem seu esteio na agricultura e na pecuária.

Entenda o caso

Na madrugada de 6 de novembro, horas depois da tragédia em Bento Rodrigues, a lama proveniente da Barragem do Fundão chegou à Hidrelétrica Risoleta Neves, trazida pelas águas dos rios Gualaxo do Norte e Do Carmo.

Para evitar o rompimento da represa, a Cemig abriu as comportas, deixando que a lama se dirigisse diretamente para o Rio Doce.

Como as barragens de rejeito remanescentes em Bento Rodrigues estão com as estruturas abaladas e podem se romper, o Ministério Público e o governo de Minas recorreram à Justiça para que ela obrigue a Samarco a elaborar um plano de emergência para evitar uma nova tragédia socioambiental.

Uma das exigências desse plano é o esvaziamento total da Hidrelétrica Risoleta Neves, para que ela possa conter uma nova avalanche de lama e evite que os rejeitos voltem a cair no Rio Doce. O prazo para que essa orientação seja cumprida termina hoje.

Entretanto, a Cemig alegou que a represa da hidrelétrica está completamente assoreada e não há como esvaziá-la em 48 horas.
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação
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Marcio
Marcio - 30 de Novembro às 15:42
Lamentável é que decisões sem conhecimento técnico estejam sendo tomadas e enquanto isso a Brasil não acorda p o problema da degradação ambiental. não é só Samarco, o rio doce é puro esgoto, quase todas as cidades de sua bacia despejam esgoto in natura no seu leito e todo mundo, agora, só sabe falar da lama. País da hipocresia. muita gente querendo tirar um casquinhaé
 
Pedro
Pedro - 30 de Novembro às 10:12
Lamentável. enquanto o Rio Doce morre e afeta milhões de pessoas que vive em sua bacia, o prefeito de Mariana reclama dos royalties. Royalties que compram politicos e fazem com que diretores da Samarco, em sua impáfia, sequer peçam desculpas. Políticos, parem se de se vender........