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Barragens são maior desafio no estado, diz especialista

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postado em 20/11/2015 06:00 / atualizado em 20/11/2015 07:35

Estado de Minas

Eduardo Nery, especialista em desenvolvimento sustentável e diretor da Energy Choice, empresa de consultoria e de desenvolvimento de negócios, afirma que as condições de segurança de maneira geral da mineração brasileira deram um salto grande. Entretanto, há pontos de fragilidade e vulnerabilidade. “As barragens são exatamente um desses pontos frágeis. Elas são semelhantes a um fusível, que a qualquer momento pode se queimar ou romper”, compara. Nery ressalta que as barragens de energia no Brasil são monitoradas em tempo real e algumas até chegam a ter sismógrafos, o que não acontece com grande parte das barragens da mineração. “Já imaginou se uma Itaipu se romper? Seria uma catástrofe sem tamanho. Da mesma forma, as barragens mereciam uma atenção especial das mineradoras. Há toda uma instrumentação que mede a parte de vibração, da intensidade, que é capaz de revelar se ela terá condições de risco”, informa.

O consultor destaca que o Brasil, assim como os demais países em desenvolvimento, deveria investir em uma área que está cada vez mais em foco: a resiliência, que é a capacidade de recuperar o estado natural, principalmente após alguma situação crítica. “Países como Japão, Chile, Estados Unidos têm seus programas nacionais de resiliência, porque estão sujeitos a desastres como terremotos, furacões. Dessa forma, têm previsão de como devem se portar para retornar ao sistema inicial e minimizar o impacto nas áreas atingidas, caso ocorra uma situação catastrófica”, frisa.

Eduardo Nery cita o exemplo do Furacão Sandy, que atingiu, em 2009, a Costa Leste norte-americana, incluindo, Nova York. Na época, o prefeito da cidade adquiriu um programa de monitoramento que podia antecipar a ocorrência de furacões. “Quando a tempestade foi identificada, a prefeitura conseguiu em oito horas evacuar cerca de 2,5 milhões de pessoas. Claro que houve destruição, mas praticamente não houve mortos. Isso é apenas um exemplo do que um plano de resiliência pode fazer”, acrescenta. O especialista lamenta que uma atividade que responde por quase 38% da economia nacional não tenha sequer uma agência reguladora, o que acaba dificultando a fiscalização. “Temos agência de tudo. Água, petróleo, energia, vigilância sanitária e na mineração há apenas um Departamento que é o Departamento Nacional de Produção Mineral. Isso me assusta e deveria ser revisto”, critica.
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Geraldo
Geraldo - 20 de Novembro às 13:29
Neste caso Minas fica ainda mais vulnerável, uma vez que centraliza todo o processo de licenciamento no estado, quando deveria compartilhar com os municípios, enquanto perdurar esta dinâmica adotada pelo estado, continuaremos cercando mosquitos, enquanto passam elefantes. É evidente que os técnicos e fiscais que deveriam estar voltados para o caso Samarco, estavam ocupados com questões menores que deveriam estar a cargo dos municípios, esta é a questão.