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Agora, mineradoras começam corrida por instalação de sirenes

Depois do desastre de Mariana, o maior fornecedor do equipamento no país diz ter recebido muitos pedidos de informação

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postado em 19/11/2015 06:00 / atualizado em 19/11/2015 07:41

Gustavo Werneck

Prefeitura de Teresópolis (RJ)/Assessoria de Comunicação/Divulgação

O rompimento da barragem da Samarco em Mariana, na Região Central de Minas, fez soar – tardiamente – o alarme da prevenção nas mineradoras do estado. Depois da tragédia que vitimou trabalhadores e moradores de comunidades próximas ao subdistrito de Bento Rodrigues, surgido no século 18, empresas começaram uma corrida por sistemas de sirenes industriais capazes de avisar operários e vizinhos em caso de emergência. “Já havia fornecido o equipamento para mineradoras, mas agora tenho recebido muitos pedidos de informações, gente interessada em comprar e instalar o alerta sonoro”, informa Eduardo Fachini, responsável técnico e sócio da Tucano Comércio de Alarmes, de Curitiba (PR), maior fornecedora desse equipamento de grande porte no país.

Uma das maiores críticas de moradores de Bento Rodrigues em relação à catástrofe de 5 de novembro foi que não houve alerta sonoro disparado pela Samarco durante o rompimento da barragem do Fundão. Muitas pessoas entrevistadas pelo Estado de Minas asseguraram que, se isso tivesse ocorrido, poderiam ter abandonado o distrito com mais agilidade e salvado mais vidas.

Fachini explica que não basta instalar a torre com as sirenes, que podem ser do tipo eletromecânico ou pneumático. “O lugar escolhido é fundamental. Se a instala do alarme for muito próxima dos trabalhadores, pode deixar alguém surdo, devido à intensidade dos decibéis. Da mesma forma, é preciso verificar se há montanhas no caminho, pois obstáculos vão dificultar a propagação do som, assim como ruídos paralelos – por exemplo, os de outra mineradora ou empreendimento –, além de fatores como temperatura e umidade”, afirma Fachini.

ALCANCE O dono da empresa Equipaeng, Gustavo Antonio da Silva, mestre em gestão de riscos em geotecnia e desastres naturais, diz que apenas uma sirene não resolve o problema. “Ao longo do curso, onde houver moradores, é preciso chegar o sinal de alerta durante uma emergência.” O professor detalha como deve operar o sistema, que deve ter monitoramento 24 horas e uma sala de comando com câmeras mostrando imagens do local.

A Prefeitura de Teresópolis, no estado do Rio de Janeiro, mantém sistema de alerta em vários pontos da cidade serrana, muito suscetível a deslizamento de terra nas encostas. Os técnicos afirmam que o equipamento, fruto da parceria entre governos estadual e municipal, pode ser usado em qualquer área de risco. Para facilitar a vida da população, em caso de necessidade abandono repentino, o sistema permite de gravação de vozes para dar orientações.

R$ 20 mil


É o custo de uma sirene pneumática, equipamento industrial que tem propagação de som melhor em caso de emergência. Especialistas informam que estudo e planejamento são fundamentais para o bom aproveitamento desse tipo de aparelhagem, o que pode garantir rápida remoção de moradores e trabalhadores da área de risco. Os preços variam muito. Uma sirene com oito trombetas, de alta potência, custa R$ 8.900, valor que, com a instalação e frete, chega a R$ 10 mil, metade da pneumática, segundo Eduardo Fachini, responsável técnico e sócio da Tucano Comércio de Alarmes, de Curitiba (PR). Apenas a título de comparação sobre o impacto de uma despesa dessa natureza, a Samarco teve lucro de R$ 2,8 bilhões em 2014.
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