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"Nem a máquina eles conseguiram achar", diz pai de desaparecido em Mariana

"Estava ouvindo rádio na hora. Falei com o encarregado: 'acabei de perder um filho'. Onde ele estava não tinha jeito de escapar", diz Júlio Albino

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postado em 15/11/2015 10:55 / atualizado em 15/11/2015 11:03

João Henrique do Vale

João Henrique do Vale/EM/DA Press
"Ele já trabalhou em Angola e no Haiti com mineração. Deu foi azar", diz Júlio Albino, de 64 anos. O homem é pai do operador de máquina de sondagem Samuel Vieira Albino, de 33 anos, que continua desaparecido. Junto com a esposa, o trabalhador continua em Mariana, na Região Central de Minas Gerais, à espera do encontro do corpo do filho.

Com camisa branca e com a foto do filho, Samuel diz que desde o início sabia que o filho estava entre as vitimas. Ele estava trabalhando na construção da Estação do Move no Bairro Justinópolis, na Grande BH, quando soube do rompimento das barragens. "Estava ouvindo rádio na hora. Falei com o encarregado: acabei de perder um filho. Onde ele estava não tinha jeito de escapar" afirma.

Samuel trabalhava em uma máquina que tem uma plataforma que chega a 14 metros de altura, segundo Júlio. "Para você ver como é complicado. Nem a máquina eles conseguiram encontrar", desabafou.

Nesse sábado, ele foi chamado para reconhecer um dos corpos que estão no Cemitério de Mariana. Porém, não era do filho dele. "O legista falou que a pessoa era careca. Nem cheguei a ver. Eles estão com fotos do meu filho, então, sabem as características", disse.

Samuel trabalhava próximo das barragens Fundão e Santarém quando elas se romperam. Ele é empregado da empresa Geotécnica e tem quatro filhos.

BUSCAS Mais um corpo foi resgatado da lama na manhã deste domingo na região de Ponte Quebrada, em Águas Claras, distrito da cidade de Mariana. O corpo foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML) para ser identificado. Com esse, agora são quatro que aguardam identificação: dois no IML de Mariana, no Cemitério de Santana, e um em Belo Horizonte.

Conforme o último boletim divulgado pelo Corpo de Bombeiros, até o momento são sete mortos e 15 desaparecidos, sendo nove funcionários da Samarco e seis moradores. Três nomes foram retirados da lista no sábado após apurações da Defesa Civil e da Polícia Civil confirmar que estas pessoas não existem, e os nomes foram comunicados por engano.
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