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População de Governador Valadares segue enfrentando longas filas por água

Moradores vivem um dia tenso diante da escassez provocada pelo rompimento de barragens. Governo promete restabelecer abastecimento a partir de amanhã

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postado em 15/11/2015 06:00 / atualizado em 15/11/2015 08:55

Guilherme Paranaiba - Enviado especial

Túlio Santos/EM/DA Press

Governador Valadares –
Moradores de Governador Valadares, no Leste de Minas, tiveram um dia tenso ontem diante da falta de água potável causada pelo rompimento das barragens em Mariana que compromete o abastecimento no município desde segunda-feira. A prefeitura voltou a distribuir água mineral e um dos pontos mais procurados foi a Praça dos Esportes, que ficou tomada por filas que chegaram a dar uma volta inteira no quarteirão. A todo momento, gritos eram ouvidos. Voluntários apontavam pessoas que já tinham pegado seus galões e moradores reclamavam. Em meio ao clima de tensão, o governador Fernando Pimentel prometeu restabelecer o abastecimento na cidade a partir de amanhã. Ao lado do ministro da Integração Nacional, Gilberto Occhi, ele entregou um laudo feito pela Copasa que diz garantir condições de potabilidade da água para ser tratada.

As vizinhas Patrícia Fernandes, de 33 anos, e Andreia Silva, de 39, saíram cada uma com um galão de cinco litros. “Desde domingo sem água. Isso aqui é só para beber. Estamos com tudo dentro de casa sem fazer. É casa suja e roupa sem lavar”, afirma Andreia. “Nessa fila não dá para bobear. Se vacilar, outro pega a sua água”, diz Patrícia. Enquanto as duas conversavam com a reportagem, uma mulher começou a gritar insistentemente. “Eles não estão deixando uma criança pegar. Isso é um aburdo. Criança também toma banho”, bradava no ouvido dos voluntários. Soraya Lima, de 55, que ajudava na distribuição ,disse que a mulher e a criança já tinham entrado outras vezes na fila. “Tem gente que pega e vende. Nessa hora precisamos de solidariedade”, disse.

Para garantir a condição de potabilidade da água, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) de Valadares informou que usou um coagulante natural que acelera o processo de separação entre água e sedimentos, chamado de polímero de acácia negra, um reagente 100% orgânico produzido no Sul do país. Esse líquido, que é uma espécie de chá da planta, será misturado à água antes de iniciar o tratamento nas três estações que atendem a sede de Valadares e também nas duas que atendem a área rural, totalizando cerca de 280 mil pessoas. O trabalho já começou, mas a prefeitura informou que é necessário fazer uma espécie de retrolavagem das estações, com o objetivo de limpar filtros e demais equipamentos que estão sujos de lama. Por isso, só a partir de segunda-feira a água começará a chegar nas partes mais baixas da cidade.

“Vamos manter os caminhões-pipa, as caixas d’água estão chegando aos bairros e as outras catações alternativas (serão mantidas)”, afirmou o governador. Segundo ele, serão duas novas captações para servirem de suporte caso algum problema aconteça novamente no Rio Doce e demande nova paralisação do sistema principal da cidade.
Até que o abastecimento de fato seja normalizado, o sistema emergencial montado pela prefeitura será mantido com caminhões-pipa abastecendo caixas d’água em pontos de distribuição e também com entrega de água mineral. Ontem, nem todos os oito pontos tinham água nas caixas, porque elas ainda estavam sendo instaladas, segundo o ordenador de caminhões-pipa do Saae, Darli Alves. “Vamos colocar torneiras para a população encher seus recipientes e vamos procurar manter sem as caixas cheias. Serão duas de 20 mil litros cada em todos os pontos. A prefeitura estipulou 30 locais, e ontem iniciou o trabalho em oito. A previsão é que os novos pontos sejam divulgados hoje. Ainda sem ter a certeza de que a água realmente vai voltar em breve a sair pelas torneiras, a população segue procurando alternativas para não ficar desabastecida.

TRÊS PERGUNTAS PARA

Maria da Conceição Moura, de 90 anos, aposentada

Como a senhora está fazendo com a falta de água?
Não está sendo fácil. Moro sozinha e me viro como dá, com pouquíssima água que ainda tenho na caixa. Moro na Ilha dos Araújos, cercada pelo rio que está coberto de lama. Dá uma tristeza enorme.

E a água para beber, como a senhora está fazendo?
Hoje (ontem) peguei um ônibus na ilha e vim até a Praça de Esportes tentar conseguir alguma coisa. Preciso de três litros por dia, pois estou recém-operada. Espero conseguir um fardo com seis litros, para passar dois dias. Depois, faço tudo de novo.

Já imaginou passar por uma situação dessas?
Jamais vi algo desse tipo aqui na cidade. O jeito é ter força de vontade. Espero que esse problema não demore, pois acho que vai dar confusão se continuar por muito tempo assim.
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jorge
jorge - 15 de Novembro às 23:14
A presença de metal pesado vai trazer doenças e risco de mortes daqueles que usarão água do rio nos próximos anos. O mercúrio por ser um metal pesado está sedimentando com a lama no fundo do rio, com o passar do tempo esta lama começará a transportar estes resíduos de metais pesados, principalmente o mercúrio. O pior é que isto não é informado a população das cidades a beira do rio. Isto é um crime a mais que os responsáveis deverão futuramente responder na justiça, se o resultado deste desastre não acabar em pizza como é muito comum no Brasil.
 
jorge
jorge - 15 de Novembro às 23:13
A presença de metal pesado vai trazer doenças e risco de mortes daqueles que usarão água do rio nos próximos anos. O mercúrio por ser um metal pesado está sedimentando com a lama no fundo do rio, com o passar do tempo esta lama começará a transportar estes resíduos de metais pesados, principalmente o mercúrio. O pior é que isto não é informado a população das cidades a beira do rio. Isto é um crime a mais que os responsáveis deverão futuramente responder na justiça, se o resultado deste desastre não acabar em pizza como é muito comum no Brasil.