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Justiça mineira bloqueia R$ 300 milhões da Samarco

"Por indícios, a responsabilidade civil da requerida (mineradora) para com a população atingida pelo desastre ambiental, mais cedo ou mais tarde virá à tona, tomando-se em consideração a conexão entre o fato e o dano", diz juiz de Mariana

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postado em 13/11/2015 13:30 / atualizado em 13/11/2015 13:53

Estado de Minas

Corpo de Bombeiros/Divulgação

A Justiça deferiu liminar em ação civil pública cautelar para determinar o bloqueio de R$ 300 milhões na conta da Samarco. Segundo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), a quantia deverá ser usada exclusivamente para a reparação de danos causados às vítimas do rompimento das barragens do Fundão e Santarém, que arrasou o povoado de Bento Rodrigues e deixou seis mortos até agora. A decisão é do juiz Frederico Esteves Duarte Gonçalves, da Comarca de Mariana.
 
A ação civil pública foi proposta pelo Ministério Público de Minas Gerias (MPMG). Qualificando juridicamente as vítimas como “vulneráveis afetados por desastres ambientais”, o MP lembra que mais de 500 pessoas estão desabrigadas e hospedadas em hotéis e casas de terceiros. Relata ainda que cerca de 180 edifícios foram destruídos em Bento Rodrigues, além de automóveis, plantações e logradouros. Cita também que há  mortos e desaparecidos.

Em seu despacho, o juiz afirma que a Lei 6.938/1981, que define a Política Nacional do Meio Ambiente, estabelece que o dever de indenizar independe da investigação jurisdicional quanto à existência da culpa. “Por indícios, a responsabilidade civil da requerida (a mineradora) para com a população atingida pelo desastre ambiental, mais cedo ou mais tarde virá à tona, tomando-se em consideração a conexão entre o fato e o dano”, disse o magistrado.

O magistrado afirmou, ainda, que a questão requer cuidado para que a empresa não seja “demonizada” diante da “intensa comoção social”. Segundo ele, a empresa é uma companhia regularmente estabelecida há anos e “que, no cumprimento de seu objeto social, gera empregos diretos e indiretos e tributos, revelando-se como importante player das economias local, regional e brasileira”.

No entanto, continua o Frederico Esteves, o desastre não “lhe imuniza ao poder geral de cautela, que é imanente ao poder jurisdicional”. A Samarco, ainda segundo o juiz, “opera juridicamente com responsabilidade legal objetiva e, ao fazê-lo, assume integralmente o risco pelos danos que venha a causar a terceiros”.

Ainda segundo o TJMG, a determinação imediata do bloqueio também foi justificada pelo juiz. Segundo ele, “lides indenizatórias, como as que se avizinham, tramitam por anos no Judiciário, quer seja em razão do excessivo volume de feitos pendentes, quer seja pela possibilidade de manejo de inúmeros recursos, o que, evidentemente, num e noutro caso, posterga o trânsito em julgado das decisões”.
 
FUTURO INCERTO O magistrado destacou ainda alguns “fatos graves à higidez empresarial” que já estão acontecendo. Enumerou o possível rebaixamento dos papeis da empresa perante agências de classificação, a suspensão das atividades decretada pela Secretaria de Meio Ambiente estadual e a concessão de férias coletivas aos funcionários . “É dizer: o futuro da saúde financeira da Samarco, a meu exame, é altamente incerto”, concluiu.
 
Em relação ao valor, R$ 300 milhões, o magistrado afirma que é compatível “com a extensão do dano e não se divorcia da razoabilidade constitucional, ao se imaginar que mais de quinhentas pessoas foram atingidas imaterialmente e materialmente”, apesar de a principio a quantia impressionar.
 
Além disso, o juiz também citou os números financeiros da empresa: R$ 7,5 bilhões de faturamento em 2014 e lucro líquido de R$ 2,8 bilhões. “Ou seja: a cautela pretendida pelo Parquet (MPMG) representa pouco mais de dez por cento do lucro líquido de 2014 e menos de 4% do faturamento anual da companhia”. O bloqueio do dinheiro será efetivado pelo sistema Bacenjud, que permite a consulta e o envio de ordens judiciais às instituições financeiras.

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação
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Gerson
Gerson - 13 de Novembro às 17:22
O prefeito de Mariana deveria entrar com uma ação civil publica também solicitando o bloqueio de 500 milhões para tentar administrar o município. E espero que o tribunal de justiça não acate os recursos dos acionistas para desbloquear o valor reservado para reparar os danos iniciais causados com a ruptura das duas barragens.
 
Fernando
Fernando - 13 de Novembro às 16:02
Faturamento de 7,5 com 2,8 bi de lucro líquido , que loucura é esta.Cocaína.!!!!!!!!!!!!???????
 
Daniel
Daniel - 13 de Novembro às 13:50
Finalmente uma atitude pensando em PESSOAS. Até agora tem-se o prefeito de Mariana desesperado pelos royalities do minério, o IBAMA, com uma multa colossal onde não se falou sobre o destino do dinheiro, além das prefeituras, cada uma querendo sua parte.