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Obras em barragem são 'para reforçar segurança das paredes', diz presidente da Samarco

De acordo com a empresa, radares foram instalados na proximidades da mina para o monitoramento. Corpo de Bombeiros mudou estratégia de buscas por causa do risco de rompimento

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postado em 11/11/2015 14:23 / atualizado em 11/11/2015 20:59

João Henrique do Vale , Valquiria Lopes


O presidente da Samarco, Ricardo Vescovi, admitiu, em entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira na sede da empresa em Mariana, na Região Central de Minas Gerais, que estão sendo realizadas obras na barragem de Germano. “As estruturas estão estáveis, mas é preciso reforçar a segurança das paredes”, afirmou. Por causa das intervenções que são feitas na mina, o perímetro de segurança para o acesso ao distrito de Bento Rodrigues foi ampliado. O Corpo de Bombeiros informou que a estratégia de busca foi alterada por causa do risco do rompimento da maior represa da Samarco na região.

A situação da barragem de Germano está sendo avaliada desde quando as minas de Fundão e Santarém se romperam, na última semana, causando a morte de pelo menos oito pessoas e o desaparecimento de outras 21. "Estamos monitorando, instalamos radares. Identificamos a necessidade de reparos", disse o presidente da Samarco. "Temos uma sala de situação que monitora tudo", completou.

Questionado sobre o grau de risco da barragem ceder, Vescovi diz que a situação requer que o grau de segurança seja aumentado. "Estruturas estão estáveis, mas é preciso reforçar a segurança de uma das paredes. Isso está sendo feito com apoio dos bombeiros para garantir a segurança das pessoas", explicou.

Nesta manhã, moradores que seguiriam para o distrito de Bento Rodrigues foram surpreendidos por um bloqueio da Polícia Militar (PM) que impediu a passagem. O tenente Sebastião Nogueira, do Batalhão de Choque da 3ª Companhia de Missões Especiais de Lagoa Santa, responsável por restringir o acesso, afirmou aos moradores que o bloqueio que antes era feito por militares a uma distância de três quilômetros do distrito, passou para 10 quilômetros.

Por causa do risco da barragem ceder, a estratégia de buscas do Corpo de Bombeiros foi mudada. “A empresa detectou uma necessidade de uma intervenção no dique da represa. Em decorrência dessa intervenção, medidas de segurança estão sendo adotadas. Continuamos as buscas, mas em cotas mais altas. Em um nível mais alto do terreno. Também estamos utilizando o sistema de alerta”, comenta o major Rubem da Cruz, da comunicação do Corpo de Bombeiros. Segundo o militar, caso não seja feita essa intervenção, haveria risco da Germano ceder.

O diretor da integração da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), coronel Marcelo Vladimir Corrêa, disse que as trincas na barragem de Germano foram discutidas nas reuniões de terça-feira no posto de comando unificado formado por representantes da Defesa Social, Bombeiros, Polícia Militar, Polícia Civil e engenheiros da Samarco. Segundo ele, as avarias estão sendo avaliadas. As trincas teriam 2 milímetros de deslocamento. “As buscas não foram suspensas. Foram realocadas por uma nova estratégia de atuação dos bombeiros e da Samarco por causa dessas trincas”, afirmou Corrêa.

O Superintendente da Defesa Civil de Minas Gerais minimizou os riscos do rompimento. "Existe o treinamento na barragem do germano. Teve lá um tremor de terra de 2.1 graus ontem, por isso foram retiradas as pessoas que estavam na frente. Engenheiros estão avaliando as rachaduras e providenciando reforço. As possibilidades de rompimento são mínimas, mas mesmo assim, já está feito o reparo desta estrutura."

Em nota enviada mais cedo pela Samarco, a empresa afirmou que, entre as medidas adicionais de monitoramento e segurança que vem tomando, nesta quarta-feira, será iniciada uma mobilização para realizar intervenções nas estruturas remanescentes das áreas de barragens, “as quais irão proporcionar maior grau de estabilidade, mitigando efeitos decorrentes do rompimento e prevenindo eventuais problemas futuros”.

Por causa disso, afirmou que as autoridades competentes recomendam a restrição do acesso à área impactada.

Alexandre Guzanshe/EM/D.A.Press
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Nery
Nery - 12 de Novembro às 08:28
A empresa e as autoridades (i) responsáveis já deveriam saber disso a muito, mas a muito tempo. Mas aqui nesse país tudo é assim: "vamos deixar como está, para ver como é que fica". Lamentável e revoltante. Só mesmo numa republiqueta de bananas, com esses " governichos" incompetentes, corruptos e irresponsáveis. Rompimentos já aconteceram em outras barragens desse tipo. O que essas ditas "otoridades" fizeram? Absolutamente NADA! Fingem não tem nada com isso.