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Desastre em Mariana afeta balanço da Vale

Neste ano, a produção nas minas de Fábrica Nova e Timbopeba, do Sistema Sudeste, será reduzida em 3 milhões de toneladas

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postado em 11/11/2015 06:00 / atualizado em 11/11/2015 08:58

Pedro Rocha Franco , Marta Vieira

Em consequência do desastre ambiental em Mariana, a produção da Vale, sócia da Samarco ao lado da australiana BHP Billiton, vai sofrer forte impacto. Neste ano, a produção nas minas de Fábrica Nova e Timbopeba, do Sistema Sudeste, será reduzida em 3 milhões de toneladas. Em 2016, o reflexo estimado é de 9 milhões de toneladas, informa nota da empresa encaminhada aos investidores. Além disso, os próximos balanços da empresa devem sofrer corte, devido à paralisação das operações da Samarco em Minas Gerais, empresa que nos últimos 12 meses, encerrados em setembro, representou 14,95 milhões de toneladas de minério de ferro na produção da Vale (total de 340 milhões de toneladas no mesmo período).


A empresa confirmou que a lama das barragens rompidas da Samarco provocou avarias na correia transportadora que leva o minério da sua reserva de Fábrica Nova para a usina de beneficiamento da mina de Timbopeba, em Mariana. Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Ferro e Metais Básicos (Metabase) de Congonhas e Ouro Preto, Valério Vieira, a informação que circula nas áreas operacionais da mineradora é de que o reparo do equipamento levará de 15 a 20 dias.

“Adicionalmente, a Vale interromperá a venda de run of mine (ROM) de sua mina de Fazendão para a Samarco”, diz trecho do texto. A companhia não descarta novas alterações, com a confirmação do que classificou como “novas alternativas operacionais”. Entre as opções às quais a Vale poderá recorrer para compensar as perdas em razão do acidente em Mariana está a busca de aumento de produção em outras minas, avalia Pedro Galdi, analista de investimentos da Whatscall Consultoria. “A Vale pode suprir a falta da Samarco aumentando o ritmo de extração em outras reservas, mas a BHP tem maior dependência da produção de Mariana”, afirma.

REAÇÃO EM CADEIA

Além dos efeitos diretos, o corte na produção das duas mineradoras afeta diretamente a cadeia produtiva do setor. Segundo Iuri Duarte, sócio da Casa da Borracha, firma voltada para manutenção de veículos e venda de peças, a Samarco e as terceirizadas ligadas a ela são o principal cliente da empresa. Fundada há quase 30 anos por um ex-trabalhador da Vale, a empresa ainda presta serviço para a prefeitura e para universidades. “Temos outros mercados, mas a Samarco é uma grande compradora. Não diretamente a empresa, mas as que prestam serviços a ela”, diz Duarte. Ele acrescenta que o receio da empresa é quanto ao futuro da cidade depois do período de férias coletivas. “O que vem depois disso? Com certeza, vamos ter que reduzir o quadro de funcionários”, afirma.

A presidente da Associação Comercial e Industrial de Mariana, Geraldo Gonçalves de Carvalho, disse que o temor é a redução das atividades ou paralisação em definitivo da Samarco. “Afinal, a companhia é responsável por boa parte da geração de empregos e de dinheiro que circula no comércio e nas prestadoras de serviços à mineradora”, afirmou. Pelas estimativas do sindicato Metabase de Mariana, a mineradora é fonte de sustento para cerca de 10 mil pessoas no município histórico de 55 mil habitantes, pagando salário médio de R$ 4,2 mil.

De imediato, a companhia deu licença remunerada a 85% dos trabalhadores de Minas e Espírito Santo. A empresa comunicou ao sindicato que o período será de 20 dias. Em seguida, serão dadas férias coletivas até 4 de janeiro. A estimativa é de que a medida afete 1 mil do 1,7 mil empregados da Samarco em Mariana.
O secretário do Metabase-Mariana, Ronilton de Castro Condessa, diz ter certeza do retorno às atividades da companhia em 2016. “Eu não tenho dúvida de que ela volta a operar. Quando, não sei. Tem que voltar a operar quando não tiver mais risco”, afirma.

Custo de US$ 1 bi assusta credores

Os credores da Samarco passaram a se perguntar se a mineradora vai ter suporte financeiro para arcar com as consequências do rompimento das barragens do Fundão e de Santarém, noticiou ontem a agência de notícias Bloomberg. A matéria menciona estudo do Deutsche Bank AG, o maior banco alemão, que estima em mais de US$ 1 bilhão os custos apenas com a limpeza da lama que escorreu dos diques. “Há um ceticismo crescente a respeito do futuro da joint-venture entre a BHP Billiton e a Vale (acionistas meio a meio da companhia), especialmente entre credores da Samarco”, diz a Bloomberg.

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