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Governador Valadares decreta estado de calamidade por causa de poluição do Rio Doce

A medida foi tomada por causa da passagem da lama originária das represas que se romperam em Mariana. MP entrou com ação contra a Samarco para garantir os custos das ações emergenciais no município

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postado em 10/11/2015 20:23 / atualizado em 12/11/2015 20:21

João Henrique do Vale , Guilherme Paranaiba , Renan Damasceno

Gladyston Rodrigues/EM/D.A.Press

A Prefeitura de Governador Valadares decretou estado de calamidade pública em razão do desabastecimento de água na cidade. A medida foi tomada por causa da passagem da lama originária das represas que se romperam em Mariana, na Região Central de Minas Gerais, e que está percorrendo o Rio Doce. A prefeitura da cidade elaborou um plano emergencial que foi enviado para os governos Federal e Estadual e para a Samarco, responsável pelas minas que cederam. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) entrou com uma ação civil pública contra a mineradora para que ela arque com os custos das ações emergenciais que serão tomadas para assegurar o abastecimento no município.

O plano de emergência criado pela prefeitura do município solicitou caminhões-pipa à Samarco para suprir a necessidade da população. Nesta terça-feria, 21 caminhões já começaram a buscar água em municípios vizinhos como Frei Inocêncio, Marilac e Vale do Aço. A princípio, irão abastecer instituições de saúde, ensino e abrigos. O município estuda, também, a possibilidade de utilizar água de poços artesianos.

O Ministério Público ajuizou ação civil pública cobrando da Samarco, liminarmente, todos os custos estipulados pelo plano emergencial da prefeitura. As requisições principais são 80 caminhões-pipa, que totalizam 800 mil litros de água por dia, especialmente para hospitais e escolas, 80 mil litros de óleo diesel, 50 reservatórios de 30 mil litros, um veículo com tração nas quatro rodas, um barco a motor, entre outros.

“Nós vamos fazer um apelo para o Governo de Minas que nos ajude a equacionar o problema da água tratada e também nas exigências com a empresa. Para nós, quem é responsável é a Samarco. É dela que temos que exigir os cuidados com Governador Valadares. Essa é a maior tragédia ambiental, ecológica, humana, social e econômica que nós vamos sofrer na região da bacia do Rio Doce. A gente não sabe qual será o futuro”, afirmou a prefeita Elisa Costa (PT).

Ainda não há previsão para a normalidade da situação. "Nós não temos horizonte, prazo para que esta situação se resolva, porque o cenário muda dia a dia. Ainda tem muita lama no distrito de Baguari. Ontem (segunda-feira) de manhã soltou partes dos rejeitos e só chegaram à noite. Muito tempo, por esta razão, a gente não sabe ainda o tempo que vai durar para sair toda lama da hidrelétrica para sair aqui", disse a prefeita.

A lama que desce pela calha do Rio Doce chegou em Governador Valadares causando danos ambientais, além de transtornos e preocupação para os moradores. Peixes apareceram mortos ao longo do município e comunidades ribeirinhas. As famílias fizeram uma corrida pela água e lotaram as distribuidoras. Pelo menos cinco bairros já estão totalmente sem água.

Gladyston Rodrigues/EM/D.A.Press


O corte do abastecimento foi uma das medidas sugeridas pela Agência Nacional de Águas (ANA) para evitar a contaminação da população. Análises feitas na água, mostram que a turbidez está muito acima do tolerável. A medida para o tratamento é de 1.000 uT. Por volta das 14h, o nível estava em 80 mil uT. A concentração do ferro, que o índice tolerável é de 0,03 mg, estava com 410 mg. O manganês estava em 118 miligramas e o alumínio 64,5, ambos acima do tolerável.

 

 

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação
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Roberto
Roberto - 10 de Novembro às 23:56
RIO FOI ENVENENADO E AGONIZA ! ONDE E COMO ESTARÁ A CONSCIÊNCIA DOS RESPONSÁVEIS DESTE CRIME ?
 
Roberto
Roberto - 10 de Novembro às 23:51
E O RIO DOCE SEGUE SUA AGONIA !