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Lama das barragens de Bento Rodrigues já está próxima de Governador Valadares

Volume de água do Rio Doce aumenta significativamente a cada meia hora e fornecimento de água deve ser interrompido

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postado em 08/11/2015 09:07 / atualizado em 10/11/2015 12:48

Ludymilla Sá /Estado de Minas

Leandro Couri/EM/D.A Press

Depois de passar por Ipatinga, no Vale do Aço, a lama que desceu das duas barragens da mineradora Samarco, em Bento Rodrigues, distrito de Mariana, Região Central do Estado, vai chegar em Governador Valadares nesta tarde segundo previsão do Serviço Geológico do Brasil (CPRM - Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais), que monitora a tragédia.

Nesta manhã, em 30 minutos, já era possível observar o aumento do volume de água do Rio Doce na cidade de maior bacia hidrográfica da região. A lama de rejeitos de minérios já chegou à usina de Baguari segundo o diretor-adjunto do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Valadares, Vilmar Rios. "Num curso normal, ela chegaria em seis horas à cidade, mas a velocidade deve aumentar por causa da onda de lama", acrescenta.

 

O abastecimento da cidade vai ser, naturalmente, suspenso para verificar a intensidade de resíduos sólidos e a carga química da água de acordo com Rios. "Mas vamos esperar o limite do possível para interromper o fornecimento de água, que já está passando com uma turbidez muito alta."

Sem previsão
 
Uma vez interrompido o abastecimento, não há previsão de retomada do fornecimento. Rios explica que a intensidade da água é de difícil tratamento. Uma equipe já fez análise de uma amostra colhida em Naque, no Vale do Aço, e foi detectado um teor muito elevado de metais, além da turbidez. "Faremos outra análise agora em Baguari, mas tudo é muito novo para a gente. Já passamos por situações de inundação, com turbidez normal, mas nunca um caso como esse. Estamos estudando uma forma de tratar a água o mais rápido possível."

Além de Valadares, outras 11 cidades poderão ser afetadas: Aimorés, Alpercata, Conselheiro Pena, Resplendor, Tumiritinga, Galileia, Periquito e Itueta (todas em Minas Gerais) e Baixo Guandu, Linhares e Colatina (no Espírito Santo).

A orientação do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Doce (CBH/Doce) é que a Copasa e os demais prestadores autônomos estoquem o máximo de água para um período em que possa suprir a possibilidade de interrupção dos serviços. Vilmar Rios também pede a colaboração da população: "A situação é bastante complicada. Não temos caminhão-pipa para ajudar no abastecimento. Então, pedimos que a população também estoque água antes que o fornecimento seja cortado."

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