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Resgate difícil deixa em desespero parentes de pessoas sumidas

Número de desaparecidos subiu de 13 para 28 - entre eles cinco crianças

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postado em 08/11/2015 06:00 / atualizado em 10/11/2015 12:49

Juliana Cipriani /Estado de Minas , Márcia Maria Cruz


O desespero aumenta a cada minuto sem notícia. Na Arena Mariana, onde as pessoas procuram informações sobre os desaparecidos e o atendimento aos desabrigados pelo rompimento das barragens da mineradora Samarco na quinta-feira, que destruiu o distrito de Bento Rodrigues, os rostos são sempre tristes, molhados de lágrimas ou com expressão de revolta. São pais, mães, avós ou filhos querendo saber se alguém foi resgatado com vida ou se algum corpo foi encontrado.

Jair Amaral/EM/d.A Press
No caso da soldadora Geovanna Rodrigues, de 28 anos, mãe do menino Thiago Damasceno dos Santos, de 7, um dos desaparecidos na tragédia, a manhã de ontem serviu para aumentar a tristeza, mas não acabou com a dúvida: onde está o corpo do seu filho? Ela foi atendida pela secretária municipal de Educação de Mariana, Elisabeth Costa, que lhe disse que Thiago estava morto e que não havia nada mais a fazer. Entretanto, horas mais tarde, o prefeito da cidade, Duarte Júnior, não confirmou a morte do garoto e afirmou que, enquanto não houver corpo, não se pode falar em morte.

Geovanna chegou à arena ainda com esperanças, mas a secretária foi categórica ao falar da morte de Thiago. “É aluno nosso de Bento Rodrigues,  o viram sendo levado. A gente alimentava alguma esperança, mas foram feitas buscas nos hospitais da redondeza. Tive de falar com ela (mãe), não tem chance, ele se foi. Sete aninhos”, lamentou a representante da prefeitura. Para Geovanna, acompanhada pela mãe, a lavradora Carminha de Jesus, de 48, foi o fim de qualquer expectativa de reencontrar o filho com vida.

“Tenho de aceitar a verdade, só não quero ver o corpo do meu filho, vou fazer de conta que está dormindo ou viajando”, afirmou a soldadora, que mora e trabalha em Arcos, mas deixava o filho em Bento Rodrigues, na companhia da outra avó, que conseguiu se salvar. A mãe descreve o único filho como um menino estudioso e alegre. “Agora não sei o que faço, vou lutar por quem, vou trabalhar pra quê? Não tenho mais nada”, afirma. O menino morreu quando a lama derrubou as paredes da casa onde ele e a avó estavam e levou a criança. Segundo o prefeito, um drone sobrevoou o local onde ficava a casa e foi avistado um corpo, aparentemente de uma criança, mas só depois do resgate haverá a confirmação oficial.

Jair Amaral/EM/D.A Press
Drama idêntico vive o vigia Francisco Isabel, de 64, que, inconsolável, segurava uma foto da neta Emanuely Vitória, de 5 anos. Na hora da tragédia, a menina estava em casa com o pai e com o irmão, Nícolas, de 2 anos. Weslei, o pai, agarrou as duas crianças, mas a força da lama arrastou a menina. “Ele pegou as duas crianças no braço, mas quebrou a costela e a Emanuely acabou escapulindo”, conta o avô. Pai e filho estão hospitalizados em Santa Bárbara.

FILHOS DE TRABALHADORES Parentes de trabalhadores que estavam na mina da Samarco na hora do desastre também buscavam notícias na arena. O estudante Kevin Maurílio Lucas dos Santos, de 17, disse que o pai, Vando Maurílio Lucas dos Santos, tinha ido reabastecer o caminhão de água quando, segundo um colega de trabalho, teve o veículo arrastado pela lama. “Viram o caminhão dele rolando no meio da onda de lama. Depois, não se soube de mais nada. Estou querendo saber se ele está vivo ou morto. Já fui ao escritório da Samarco e não dão informação”, afirmou.
Jair Amaral/EM/D.A Press


O auxiliar-técnico de manutenção Emerson Aparecido dos Santos, de 30, contou que a última notícia que teve do pai, Ailton Martins dos Santos, foi na quinta-feira de manhã, quando ele saiu para trabalhar na barragem da Samarco e não voltou. Ailton prestava serviços havia 30 dias como motorista terceirizado da empresa. “Temos a esperança de que ele esteja vivo, sei que é muito difícil, porque ele estava trabalhando no local, embaixo da barragem”, afirmou Emerson.

O número de desaparecidos cresceu, passando de 13 para 28: os 13 trabalhadores que prestavam serviço para a Samarco e 15 moradores da região atingida pela avalanche de lama, sendo nove de Bento Rodrigues, um de Camargos e dois de Pedras, distritos de Mariana próximos a Bento Rodrigues.  Na relação, divulgada no fim da tarde de sábado, aparecem os nomes de cinco crianças, entre os quais um bebê de três meses, o menino Yuri. O número de desabrigados também aumentou. São 557 pessoas já instaladas em hotéis e cerca de 200 que estão alojadas em casas de parentes e amigos.

No começo da noite, a Defesa Civil informou que o corpo de um homem foi encontrado às margens do Rio Doce, no município de mesmo nome. A Polícia Civil fará as investigações e a perícia para apurar se o morto é um dos desaparecidos na tragédia de Mariana.

Jair Amaral/EM/D.A Press

 

 

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