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Especialistas acreditam que houve mais dano 'físico que químico'

Romero César Gomes, coordenador do Núcleo de Geotecnia da Escola de Minas (UFOP) também reafirmou que lama não é tóxica e portanto, não causada danos à saúde

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postado em 08/11/2015 06:00 / atualizado em 10/11/2015 12:49

Maria Clara Prates

Corpo de Bombeiros/Divulgação

Os rejeitos de minério de ferro que praticamente cobriram o distrito Bento Rodrigues, a 20 quilômetros de Mariana, na Região Central do estado, não têm toxicidade e, portanto, não causada danos à saúde, de acordo com especialistas das universidades federais de Minas Gerais (UFMG) e de Ouro Preto (UFOP). Se não causa dano à saúde, ao meio ambiente traz um prejuízo muito mais “físico do que químico”, de acordo com Romero César Gomes, coordenador do Núcleo de Geotecnia da Escola de Minas (UFOP). Gomes explica ainda que a lama, em geral, não tem odor, mas em razão de material acumulado no fundo da barragem, diante da ausência de oxigênio pode apresentar um cheiro mais forte.

Na sexta-feira, a mineradora Samarco, responsável pela manutenção da barragem, já tinha informado sobre a ausência de risco com o contato com o material vazado de sua barragem. “O rejeito é inerte. Ele é composto, em sua maior parte, por sílica (areia) proveniente do beneficiamento do minério de ferro e não apresenta nenhum elemento químico que seja danoso à saúde”, afirmou a empresa por meia da nota. A informação da Samarco encontra apoio nas explicações do professor da Ufop José Francisco do Prado, doutor em Ciências da Engenharia Ambiental pela Universidade de São Paulo (USP). Prado diz que o processo de beneficiamento de minério de ferro é físico, usando água e areia fazer a separação do produto, diferente, por exemplo do ouro, que emprega cianeto.

Chuva  Prado também concorda com o professor Gomes que os danos aos meio ambiente não causarão mudanças significativa. “Essa avalanche de lama sujou os rios, mudou o padrão dos cursos d’água, ao arrancar vegetações, atingiu a fauna. Mas isso pode ser recuperado, à medida que a chuva for lavando esse material e ele se depositar no fundo de rios e lagos. A recuperação é lenta, mas pode ocorrer”, explicou Prado. Seguindo essa linha, Gomes disse que o processo pode demorar porque, para que os resíduos do material se depositem, é preciso é preciso que a água seja parada. “Como eles atingiram os rios, a demora é maior”, atestou.

O professor Roberto Galery, do Departamento de Engenharia de Minas da UFMG, disse que o rejeito da produção de minério de ferro é formado por sílica (areia), quartzo, o próprio mineiro de ferro, amina (uma espécie de sabão), amido de milho, que resultam na lama.
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