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Empresa admite tragédia com barragens em Mariana e não confirma causas

As causas do acidente, segundo presidente da Samarco, ainda não podem ser confirmadas. Ele pediu que as pessoas não sigam à área afetada pelo acidente

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postado em 06/11/2015 06:00 / atualizado em 10/11/2015 11:31

Marta Vieira

Comunicado oficial do diretor-presidente da Samarco sobre o rompimento das barragens de rejeitos localizadas nos municpios de Mariana e Ouro Preto (MG).

Posted by Samarco Mineração on Quinta, 5 de novembro de 2015

O presidente da Samarco, Ricardo Vescovi, lamentou ontem o rompimento das barragens do Fundão e Santarém, em vídeo postado na internet, reconhecendo a gravidade do acidente. “Nós lamentamos profundamente e estamos muito consternados com o que aconteceu, mas estamos absolutamente mobilizados para conter os danos causados por este trágico acidente”, disse o executivo. Vescovi afirmu que a prioridade da empresa, que está trabalhando junto à Defesa Civil, ao Corpo de Bombeiros e à Polícia Civil, é o atendimento às vítimas e às pessoas que moram nos arredores. As causas do acidente, segundo ele, ainda não podem ser confirmadas. Ele pediu que as pessoas não sigam à área afetada pelo acidente.

Experiência e tecnologia nunca faltaram à Samarco, empresa que tem como acionistas, meio a meio, a multinacional brasileira da mineração, Vale S/A, e o braço nacional da anglo-australiana BHP Billiton, a maior mineradora do mundo. Dona de reservas de minério de ferro consideradas de classe mundial em Mariana, a Samarco tornou-se uma das maiores exportadoras do Brasil e ocupa a vice-liderança do mercado transoceânico de pelotas de ferro, produto que resulta da transformação do minério encontrado na natureza, por meio de processos industriais de última geração, em matéria-prima essencial na produção de aço para os mais variados fins.

Com toda a crise dos preços do minério de ferro, que despencaram neste ano, a Samarco produziu e exportou 25,1 milhões de toneladas de pelotas de ferro e minério fino no ano passado, atendendo clientes de 19 países, nas Américas, Oriente Médio, Ásia e Europa. A empresa investiu R$ 1,3 bilhão em suas operações, faturou R$ 7,601 bilhões e apurou lucro líquido de R$ 2,805 bilhões no ano passado. Mensagem sobre o balanço da companhia destacou que os ganhos foram destaque no setor.

A empresa opera uma extensa infraestrutura para atravessar a fronteira brasileira, que consiste em duas usinas de concentração de minério, quatro pelotizadoras, dois minerodutos de 400 quilômetros cada e o terminal portuário próprio de Ponta Ubú, no Espírito Santo, além de manter escritórios em Amsterdã, na Holanda, e em Hong Kong, na China. O trabalho é feito por cerca de 2,5 mil empregados diretos e 3,4 mil indiretos. A barragem do Fundão, onde ocorreu a tragédia, ocupa aproximadamente 257 hectares a uma cota de 930 metros, de acordo com documentos relativos ao licenciamento ambiental.

Como tudo é superlativo num negócio disputado por grandes empresas no mercado internacional, a Samarco está consolidando as operações de um ambicioso projeto batizado de quarta pelotizadora, que concluiu em 2014, depois de ter investido R$ 6,4 bilhões num período de três anos. Graças à expansão, que empregou 13 mil pessoas durante as obras, a mineradora aumentou sua produção no ano passado em 15,4% frente a 2013, e não chegou ainda nos números previstos.

Arte Valf/Marcelo Monteiro/Paulinho Miranda/Janey Costa/Soraia Piva

Arte Valf/Marcelo Monteiro/Paulinho Miranda/Janey Costa
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação
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Angelo
Angelo - 06 de Novembro às 09:40
A baixo das barragens havia uma comunidade e a Samarco faturando bilhões , nunca providenciou a remoção destas familias da areá de risco , ´porque quem tinha noção da gravidade do problema era a emprêsa , mais uma tragedia anunciada agora a samarco vai fortunas com advogados para ficar isenta de culpa !
 
Marco
Marco - 06 de Novembro às 08:38
Tragédia anunciada! Não havia sequer sistema de alerta, apitos ou outros sistemas que salvassem vidas. Mas vidas é o que menos importa nesse tipo de negócio. O importante é a produção! Políticos e autoridades corruptas que liberam uma situação dessas. Coitado das pessoas que moram ao redor dessas mineradoras.
 
Marco
Marco - 06 de Novembro às 08:20
Tragédia anunciada! Onde fica a fiscalização sobre essas mineradoras/barragens? Essas mineradoras soltam muito dinheiro para as autoridades liberarem seus negócios. E liberando, não há fiscalização e a tragédia é questão de tempo. Mais uma! A natureza vai dar o troco, certamente.