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Equipes começam o dia contando vítimas, estragos e prejuízos em povoado de Mariana

Barragem de rejeitos de mineradora se rompe e tsunami de água e lama causa o maior desastre do gênero na história de Minas Gerais

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postado em 06/11/2015 06:00 / atualizado em 10/11/2015 11:30

Landercy Hemerson , Rodrigo Melo , Mateus Parreiras , Roney Garcia /Estado de Minas


Mariana e Ouro Preto – Eram 16h20 da tarde quando um estrondo anunciou a tragédia que ficará para sempre marcada na história de Minas Gerais e sobretudo na memória de moradores de Mariana e Ouro Preto. A Barragem do Fundão, da Mina do Germano, propriedade da Mineradora Samarco, entre os dois municípios da Região Central do estado, estourou, liberando um tsunami de lama e rejeito tóxico que varreu o que encontrava pela frente e arrasou o povoado de Bento Rodrigues, distante 2,8 quilômetros, onde havia 200 casas e viviam 620 pessoas. No momento do desastre, cerca de 50 trabalhadores estavam no complexo da mina, segundo o sindicato da categoria. Pelo menos duas centenas de integrantes de equipes de resgate amanhecem o dia de hoje contando vítimas, desaparecidos e prejuízos. Ontem, era confirmada uma morte e dado como certo que pelo menos 10 pessoas estavam sumidas, mas as imagens de destruição deixadas depois que a água baixou – com cenas de carros arremessados sobre casas destruídas – causavam o temor de que o número pudesse se multiplicar à medida que avançassem os trabalhos.


O sindicato Metabase de Ouro Preto, considerando informações de parentes e trabalhadores, estimava na noite de ontem 16 mortes e 35 desaparecidos. O desastre já é considerado pelo braço ambiental do Ministério Público de Minas Gerais uma tragédia sem precedentes na história do estado. Os efeitos dessa onda de lama repercutiram imediatamente em Belo Horizonte, de onde partiram equipes de bombeiros e socorristas, e ecoaram em Brasília, que colocou de prontidão os ministérios da Defesa e das Cidades. Autoridades do Executivo, do Legislativo e do MP, que já investiga o episódio, seguem hoje para a área atingida. Representantes da mineradora relataram um abalo antes da avalanche, mas não está claro se ele precedeu a ruptura ou foi consequência dela. Em vídeo na internet, o presidente da Samarco, Ricardo Vescovi, lamentou o acidente e afirmou que a mineradora dá prioridade ao atendimento às vítimas e aos moradores afetados.

Enquanto as informações sobre a correnteza de lama corriam pelo país, espalhavam também preocupação entre parentes de funcionários da mineradora e habitantes da região. No escritório da Mina do Germano, trabalhadores relataram ter sido dispensados pela empresa logo que ficou constatado o acidente, sem detalhes sobre a ocorrência. No distrito de Santa Rita Durão, ao qual pertence o povoado de Bento Rodrigues, até o fim da noite de ontem era intensa a movimentação de moradores desnorteados no entorno da policlínica que recebia feridos. As dificuldades de informação se tornaram maiores com o fechamento de acessos aos locais atingidos, aos quais só chegavam equipes de socorro e buscas, aumentando o desespero de quem tentava saber o destino de parentes e conhecidos. “Bento Rodrigues não existe mais”, afirmava uma das sobreviventes, entre estarrecida com as cenas de destruição e desesperada pela falta de notícias da família.

SOCORRO Paralelamente ao estado de perplexidade que tomou conta da região, uma corrente de solidariedade começou a se formar já aos primeiros ecos do rompimento da barragem. A população se mobiliza desde ontem para ajudar as vítimas que estão desabrigadas. Donativos estão sendo recebidos no Ginásio da Arena de Mariana, na sede do município, para onde foram levadas várias famílias de Bento Rodrigues. A prefeitura se mobiliza para negociar com uma comissão de desalojados locais capazes de recebê-los.

O rompimento da barragem em Mariana pode se tornar o mais grave já registrado no país, segundo dados do Comitê Brasileiro de Barragens. Os dois maiores acidente do tipo com vítimas registrados até então também ocorreram em território mineiro – que hoje tem 754 depósitos de rejeitos, 8% deles em risco. O mais grave foi na Mina de Fernandinho, em Itabirito, na Região Central, em 1986, quando morreram sete pessoas, e outro em 2001, na barragem da Mineração Rio Verde, em Macacos, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, que deixou cinco mortos.
Arte Valf/Marcelo Monteiro/Paulinho Miranda/Janey Costa/Soraia Piva

Arte Valf/Marcelo Monteiro/Paulinho Miranda/Janey Costa
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