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Mais da metade dos consumidores não economizaram água mesmo com apelo na Grande BH

Balanço da Copasa relativo a fevereiro mostra que campanha por economia atingiu apenas 20%

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postado em 27/03/2015 06:00 / atualizado em 27/03/2015 07:04

Landercy Hemerson , Luana Cruz /

O apelo para redução de 30% no consumo para evitar colapso no abastecimento de água teve adesão de apenas 20,37% da população da Região Metropolitana de Belo Horizonte, segundo dados de fevereiro divulgados ontem pela Copasa. Em Minas, o percentual foi ainda menor: só 17,43% economizaram o suficiente para atingir a meta definida pela companhia de saneamento. Os números não são animadores, já que, como o Estado de Minas antecipou no começo da semana, 26,73% dos imóveis na Grande BH aumentaram o consumo médio. Um contingente de 26,94% dos clientes manteve a despesa no nível do ano passado, mostrando que a campanha não atingiu mais da metade dos donos de imóveis.

Em 22 de janeiro, a presidente da Copasa, Sinara Meireles, anunciou que a Grande BH, assim como outros municípios mineiros, corria risco de desabastecimento caso a população não reduzisse o consumo de água em 30%. Depois de um mês de campanhas educativas, a economia na região metropolitana foi de 9,4% do gasto total, na comparação com o mesmo período de 2014. Em Minas, a redução foi de 7,4%. Segundo a concessionária, se o índice de 30% não for alcançado e o volume de chuvas de 2015 não superar o de 2014, a previsão é de que o Sistema da Bacia do Paraopeba, que abastece a Região Metropolitana de BH, entre em situação crítica no auge da seca, entre junho e julho.

Para o professor Carlos Barreira Martinez, do Departamento de Engenharia Hidráulica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a desconfiança dos cidadãos em relação à administração pública resulta na falta de empenho para reduzir o consumo. “As pessoas têm um sentimento de que não vai faltar água”, disse, avaliando não ter havido contrapartida suficiente da Copasa para redução das perdas de água no sistema. Apesar disso, o especialista defende a necessidade de repensar o consumo. “Em especial na época da seca, não se deve gastar de forma abusiva.”

Ontem, o nível do Sistema Paraopeba, que abastece a Região Metropolitana de Belo Horizonte, estava em 38,3%. “A situação é preocupante, visto que o volume está muito baixo. No mesmo período em 2014, a capacidade do Sistema Paraopeba estava em 70%. Em 2013, era 92%. Esta é justamente a época em que os reservatórios deveriam estar cheios, para garantir o abastecimento até o próximo período chuvoso. Agora, estamos iniciando os meses de estiagem e é imperativo que todos façam a sua parte, no sentido de economizar água”, disse a presidente da estatal, Sinara Meireles.

Controle sobre os subterrâneos

Além de determinar a medição semanal de reservatórios e recursos hídricos superficiais em Minas, para controlar a crise da água milímetro a milímetro, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) vai fiscalizar o uso de recursos hídricos subterrâneos. Em no máximo 180 dias, uma deliberação normativa será publicada para definir critérios para decretação de situação de atenção, alerta ou restrição para uso de água reservada no subsolo.

Na Deliberação Normativa 49/2015, publicada ontem no Diário Oficial do Estado, ficam definidos os três níveis para os mananciais de superfície. As variações de volume serão monitoradas diariamente para estabelecimento de média semanal. Níveis entre 30% e 10% disparam o alerta. Quando o índice cai a menos de 10%, entra-se imediatamente em regime de restrição de uso. Considerados dados de quarta-feira, na Grande BH o Sistema Serra Azul, em Juatuba, já estaria em alerta, com média volumétrica de 12,5% nos últimos sete dias e bem perto do quadro de restrição.

As novas medições de mananciais e rios orientam a redução de outorgas e até racionamento de água. Se as regras e limites atuais, que vigoram automaticamente assim que detectado o nível crítico, já estivessem valendo entre novembro do ano passado e o último dia 10, o reservatório de Serra Azul teria entrado em restrição de uso, com nível abaixo de 10%.

Se esse patamar se repetir, principalmente com a chegada da temporada de estiagem, por força da Deliberação Normativa do CERH todos os usuários da bacia, inclusive a Copasa, terão de reduzir sua captação em 20% para consumo humano e animal. Os índices são de 25% a menos para mineração e 30% para a área industrial.
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação
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Marcos
Marcos - 27de Março às 16:38
A verdade é que só consegue um índice razoável de redução quem gastava em excesso. Cortar o excesso é fácil. O povo em geral não é tão gastador assim. Mas, como já foi dito aqui em outras palavras, se a meta é economizar 30% e há perda de 40%, é só a COPASA cuidar disso que a meta será alcançada com folga e sem sacrifício de ninguém.
 
Patricia
Patricia - 27de Março às 13:03
Meus pais reduziram pela metade o consumo de água, para menos do que é considerado taxa mínima. E foram OBRIGADOS a pagar a taxa mínima mesmo assim, mesmo tendo consumido menos que a taxa. E aí, como fica? Que estímulo é esse que não é valorizado???
 
domicio
domicio - 27de Março às 11:54
E a copasa reduziu a perda de 30%.?
 
Márcio
Márcio - 27de Março às 09:57
Consegui reduzir meu consumo em 38% .
 
Mpm
Mpm - 27de Março às 09:34
Aliás, o que tem feito a Copasa? um site bonitinho, aparentemente transparente mas que só mostra as "coisas boas" da Empresa? cadê o duro combate às ligações e às captações clandestinas? cadê os entendimentos com os grandes consumidores, aí incluídos os clubes e suas piscinas? a as novas tecnologias de captação de água, visto os mananciais a céu aberto mostrarem claros sinais de esgotamento? investimentos? investimentos? investimentos?
 
Mpm
Mpm - 27de Março às 09:30
E nem poderia ter qualquer sucesso. Propaganda frouxa, "boazinha", apelando para o lado humanitário do sujeito, tentando captar o sentido de coletividade. Ridículo, somos egoístas por definição e só entendemos a língua coercitiva. Se não houver algo barra pesada, do tipo aumento das contas, ameaça de corte e coisas do tipo, não vai adiantar nada. Trata-se de guerra e na guerra as ponderações são outras, tornam-se obrigações
 
Aristoteles
Aristoteles - 27de Março às 09:29
A copasa perde 40% da água que distribui. Antes de apelar aos consumidores, cuide da sua própria incompetência.
 
Matias
Matias - 27de Março às 09:22
Não investiram em uma nova manilha de água nos últimos 20 anos ...E agora vem culpar meu banho !!! A vá se ....
 
Alexandre
Alexandre - 27de Março às 09:01
O problema, em prédios, é que se eu, que estou na luta pra economizar e meu vizinho não estiver nem aí, não entro na estatística de bons usuários da água.
 
Guilherme
Guilherme - 27de Março às 08:37
Claro que não "colou", pera ser seguido, deve ser dado o exemplo. Se o exemplo é dos piores......
 
Alfredo
Alfredo - 27de Março às 08:30
Quem já tem consumo consciente, não vai conseguir reduzir mais uma vez o consumo em 30%. A copasa quer jogar a culpa no consumidor da "gastação" de água. Se o consumo reduziu 10%, está bom demais. Fecha os "gatos" e os vazamentos da rede de abastecimento que vai reduzir mais 20%.