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Crise de falta de água em Minas será avaliada hoje pelo governo estadual

Três semanas depois do alerta para redução do consumo de água, nível de reservatórios melhorou com a chuva, mas o risco de racionamento permanece.

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postado em 12/02/2015 06:00 / atualizado em 12/02/2015 10:04

Pedro Ferreira , Bertha Maakaroun

BETO NOVAES/EM/D.A PRESS

O nível dos reservatórios que abastecem a Grande BH melhorou com as chuvas acima da média nos primeiros dias de fevereiro, três semanas depois do alerta para a população reduzir o consumo em 30% para evitar rodízio, racionamento e sobretaxa na conta em três meses. Mas o risco de adoção de medidas drásticas permanece, porque o volume de água ainda é muito reduzido. O mais crítico é o Sistema Serra Azul, que em 2014 abriu fevereiro com 50,6% de sua capacidade. No dia 1º deste mês, tinha apenas 6,4% e, ontem, estava em 7,6%. Segundo especialistas, para recuperar o nível, será preciso chover na média ou acima dela nos próximos três ou quatro anos.

De acordo com a Copasa, o nível da água do Sistema Paraopeba nessa quarta-feira era igual ao de 17 de janeiro. “Portanto, nos últimos 25 dias, o volume reservado se manteve estável. Em janeiro de 2015, choveu apenas 50% da média histórica no mês”, nformou a empresa. A única chance de evitar rodízio ou racionamento, reforçou a Copasa, “é a redução espontânea de consumo em 30%. Mas, há 15 dias, essa economia estava em apenas 13%.

Na avaliação de especialistas, sem redução do consumo e aumento do índice pluviométrico, os reservatórios não terão capacidade para abastecimento até novembro, quando são esperados os maiores volumes de chuva.

O reservatório do Sistema Vargem das Flores, que operava em 1º de fevereiro do 2014 com 67%, iniciou o mês este ano com apenas 28,4%. Com as águas dos últimos dias, o nível subiu para 30,5%, ainda considerado muito baixo. Da mesma forma, os reservatórios dos sistemas Paraopeba e Rio Manso, que apresentavam em 1º de fevereiro, respectivamente, 29,9% e 44,2%, com as últimas chuvas, registraram ontem 30,7% e 44,4%, pouco menos da metade que apresentavam há um ano.

“As previsões não são das melhores. Temos que parar de falar que a situação vai melhorar, pois só vai piorar, e muito”, alerta o coordenador do Centro de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Carlos Barreira Martinez. A população não deve relaxar, segundo ele, e se conscientizar que estamos no meio de uma crise hídrica, à beira de um racionamento de energia elétrica. “Todo mundo corre o risco de ficar sem água e no escuro”, lembra.

O técnico de planejamento hidroenergético da Cemig, Geraldo Paixão, concorda que a população deve continuar economizando água, pois, mesmo com muita chuva em fevereiro e março, não será possível recuperar o déficit: “As chuvas ajudaram, pois começam a recuperar o lençol freático, mas não o déficit hídrico”.

CONSELHO AVALIA A CRISE HOJE
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente definiu como um dos parâmetros para a declaração de situação crítica de escassez hídrica – o que implica em restrição de uso – quando o volume útil dos reservatórios estiver abaixo de 10% de sua capacidade. Trata-se de minuta da deliberação normativa que será apreciada hoje pelo Conselho Estadual de Recursos Hídricos. Para reservatórios com capacidade entre 10% e 30%, será declarado “estado de alerta”.

Minas Gerais será o primeiro estado brasileiro a definir critérios para estabelecer uma eventual situação de escassez. Se aprovados os parâmetros indicados pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, a tendência é de que o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), órgão gestor de recursos hídricos, determine a restrição temporária da vazão no Sistema Paraopeba. Restrita a vazão, será competência do município ou da concessionária, nesse caso específico, a Copasa, a definição de racionamento ou rodízio, ou qualquer medida que destinada a adequar o consumo à disponibilidade.

Segundo a proposta da Secretaria de Meio Ambiente, a decretação de situação crítica de escassez hídrica terá como consequência a restrição de uso para captações de água de 20% do volume diário outorgado para o consumo humano, 30% para o consumo industrial e para irrigação.

RECURSOS FEDERAIS

O secretário de Estado de Planejamento e Gestão, Helvécio Magalhães, informou ontem que a União garantiu repasse de R$ 809 milhões para Minas combater a crise hídrica. Vários projetos foram apresentados ao governo federal, entre eles o de é a captação de água do Rio Paraopeba para o Sistema Rio Manso para atender a Região Metropolitana de Belo Horizonte. Foi a primeira reunião entre integrantes da força-tarefa com o governo federal em Brasília. Nova reunião será marcada para detalhar cada um deles. Não há previsão para liberação da verba.

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação
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Marcio
Marcio - 12 de Ferveiro às 09:57
É muito falatório e pouca ação.
 
Débora
Débora - 12 de Ferveiro às 09:52
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Hugo
Hugo - 12 de Ferveiro às 09:18
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