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Chuva abastece reservatório de 15 mil litros construído em igreja de Santa Luzia

Recurso garante limpeza geral e economia nos banheiros da paróquia

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postado em 11/02/2015 06:00 / atualizado em 11/02/2015 07:16

Gustavo Werneck

BETO NOVAES/EM/D. A PRESS

Não é de hoje que o padre Danil Marcelo, de Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, conclama os fiéis para rezar aos céus pedindo água. Desde setembro, quando a falta do recurso não tinha virado crise hídrica, ele encerra as missas de domingo com correntes de orações e brados contra as agressões à natureza. Preocupado, o pároco do Santuário de Santa Luzia juntou pensamentos, palavras e obras para construir um reservatório que já acumulou 15 mil litros de água de chuva. O volume começou a ser usado no fim de semana, quando a paróquia promoveu um evento no salão de festas ao lado da Igreja do Rosário, no Centro Histórico.

“Sempre achei um absurdo fazer limpeza do chão e dar descarga nos banheiros com água tratada”, diz o padre Danil, enquanto mostra o reservatório que, para fiéis bem-humorados, contém “água benta”, por ser tão bem aproveitada em tempos de carestia. A ideia do pároco está em harmonia com a Arquidiocese de BH, que iniciou a campanha Pela vida: economize água, cuide do meio ambiente. “Evitar o desperdício é compromisso e tarefa de todos os cristãos, pois estamos vivendo uma crise sem precedentes no Sudeste”, afirma o arcebispo metropolitano dom Walmor Oliveira de Azevedo.

Padre Danil explica o sistema idealizado e construído no mês passado, que não tem nada de complicado. A água da chuva cai nas calhas da igreja do século 18 e do salão de festas, escoando, então, por nove canos de PVC ligados diretamente a outro mais largo e subterrâneo. A partir daí, a água chega a uma caixa menor com brita e areia, que funciona como filtro. A última etapa é o reservatório coberto com capacidade para 15 litros, que tem por cima uma laje. “Aqui embaixo, temos uma bomba que leva a água para os banheiros”, diz padre Danil descendo as escadas que conduzem à caixa-d’água gigante.

Olhando a caixa subterrânea, impossível não perguntar ao padre de onde veio tanta chuva para enchê-la. “E não é que foi rápido. Em certos dias, desceu muita água”, afirma o pároco. Com entusiasmo, ele faz questão de mostrar os banheiros femininos, com 14 sanitários, os masculinos, com quatro e mictórios, e os específicos para deficientes físicos. “Fizemos um teste e o sistema funciona perfeitamente. É fundamental que todos colaborem e não gastem, pois água não se produz em laboratório”, afirma. A exemplo de eventos anteriores, a renda de amanhã irá para obras sociais da paróquia e restauração do altar-mor do Santuário de Santa Luzia.

O salão de festas da paróquia recebe milhares de romeiros no jubileu de Santa Luzia, tradicionalmente celebrado em 13 de dezembro; os participantes dos festejos de Nossa Senhora do Rosário; e de outras celebrações. “Muita água tratada era perdida e agora, pelo menos, temos uma forma de economizar”, afirma padre Danil. “Vamos usar o mesmo sistema nas capelas das paróquias. E vamos fazer campanha também para economizar energia elétrica.” No fim da conversa, não custa perguntar: Para qual santo é melhor rezar? Rápido, ele responde: “Ah! Só mesmo para São Pedro!”

CAMPANHA

A Arquidiocese de Belo Horizonte está convocando os cristãos para preservar a água e defender com empenho a natureza. De acordo com as autoridades da Igreja, as comunidades de fé estão convidadas “a desenvolver ações que visem à economia dos recursos hídricos e a partilhar os bons exemplos para inspirar novas iniciativas”. E, em tom de oração, os padres conclamam: “Também é de fundamental importância que todos, em comunhão, rezem para que Deus nos conceda as chuvas tão necessárias para o abastecimento dos reservatórios de nossas cidades. A sugestão é que nas celebrações todos possam rezar a oração para pedir chuvas, do bem-aventurado Paulo VI: Deus, nosso Pai, Senhor do Céu e da Terra (Mt 11, 21). Tu és para nós existência, energia e vida (Act 17, 2)”.

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação
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DORIANA
DORIANA - 11 de Fevereiro às 11:10
Alisson votar em branco, você dá o seu voto para contabilizar a porcentagem do total geral . Agora anular o voto , não é contado para nada.
 
Elias
Elias - 11 de Fevereiro às 10:34
As empresas e comerciantes já aumentarão os preços das caixas como foi com as telhas qd uma chuva de granizo caiu em bh não só os JUÍZES, POLÍTICOS E MP nos fazem de palhaços.
 
Bruno
Bruno - 11 de Fevereiro às 09:35
Alisson, politico nao tem vergonha nao.... eu voto nulo, mas nao é esperando que else se sintam envergonhados nao.
 
Bruno
Bruno - 11 de Fevereiro às 09:35
Quanto ele gastou? ideia muito boa, mas um cidadao comum precisa gastar muito para comprar uma caixa dessas e montar a estrutura.
 
Sinhozinho
Sinhozinho - 11 de Fevereiro às 09:08
Parabéns padre! ótima iniciativa!
 
cidrac
cidrac - 11 de Fevereiro às 09:03
Este exemplo da igreja e seu padre deve ser seguido. Existe muita coisa boa que pode e deve ser feito por cada pessoa e cada instituição. Inegavel que os governos devem ser cobrados, mas, existe a dimensão de cada um de nós, pois, nem toda solução tem de vir do palácio.
 
alisson
alisson - 11 de Fevereiro às 08:30
Governo Federal e Estadual deveriam financiar com juros mais baixos, bem mais baixos mesmo, a construção de reservatórios pra captação da água da chuva na casa de todas pessoas de baixa renda, bem como fazer o mesmo para colocação de aquecedor solar!mas os que fazem nossos deputados e governantes em geral???só votam benefícios que favorecem a si mesmo!!!é por isso que deputados e senadores votei em branco, quando 90% de eleitorado fizer isso, pq 10% são parentes de todos os candidatos, eles vão se sentir envergonhados!!!