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Leitores conscientes denunciam abusos no uso de água em Minas

Belo Horizonte concentra a maioria absoluta de flagrantes enviados por internautas na ação #EssaÁguaNãoÉSóSua

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postado em 02/02/2015 06:00 / atualizado em 02/02/2015 10:41

Guilherme Paranaiba

Vera Regina Gomes/ Divulgação
Uma semana depois que o Estado de Minas lançou a campanha #EssaÁguaNãoÉSóSua, para incentivar os leitores a denunciar exemplos de desperdício, foram recebidos 103 flagrantes, entre fotos e vídeos, mostrando variados tipos de abuso. Pessoas de Belo Horizonte e outras 11 cidades do estado mandaram imagens de vazamentos intermináveis, de calçadas lavadas com muita água, flanelinhas usando mangueiras para limpar carros e até locais públicos esbanjando. São maus hábitos que têm ser evitados, segundo a presidente da Copasa, Sinara Meireles, que conclamou a população a reduzir o consumo em 30%, sob pena de um racionamento e sobretaxa para quem gastar acima da média.

Leitores flagraram o desperdício em Belo Horizonte, Contagem, Betim, Vespasiano, Lagoa Santa, Santa Luzia (Grande BH), Divinópolis, Santo Antônio do Monte (Centro-Oeste), Timóteo, Ipatinga, Santana do Paraíso (Vale do Rio Doce) e João Pinheiro (Noroeste).

A capital teve a maioria absoluta de flagrantes, como irrigação de um campo de futebol observada pela internauta Ana Letícia Mendes. Logo depois de uma chuva no Bairro Buritis, Oeste de BH, ela mandou fotos da água molhando o gramado sem necessidade por cerca de 30 minutos. Outro exemplo que chama a atenção é o de um funcionário com uniforme da Prefeitura de BH usando jato d’água para lavar a Praça Guimarães Rosa, no Bairro Cidade Nova. Os leitores Moacir Levy Sena e Mariana Rocha presenciaram a cena. Caso também de um funcionári lavando calçada com mangueira na Pampulha, visto por Vera Regina Gomes.

Na Estação Pampulha do BRT, o flagrante foi da leitora Sandra Maria Coelho. Ela filmou o momento em que um homem usava uma mangueira com a vazão maior do que as convencionais e fazia a água jorrar pelo terminal. Numa contradição ao esforço coletivo para evitar o desperdício, o Clube Recreativo da Copasa, também no Bairro Buritis, deu péssimo exemplo à população: um funcionário limpava a calçada com uma mangueira, o que incomodou um morador do bairro que fazia sua caminhada matinal.

Os casos de desperdício mais comuns foram os de calçadas lavadas com mangueira, como mostrou a leitora Flávia Abreu. Ela fotografou uma mulher no Bairro Alípio de Melo, Noroeste de BH. O desperdício também é comum na ação de lavadores de carro, como mostrou Louise Lemos, ao perceber um carro lavado com mangueira no Centro da capital.

ECONOMIA O coordenador do Centro de Pesquisas Hidráulicas e Recurso Hídricos da UFMG, Carlos Barreira Martinez, diz que a população tem que entrar no espírito da economia, mas também chama a atenção da Copasa. “Não é para deixar de usar a água completamente, mas sim usar o recurso de forma mais racional, com consciência. É bom lembrar também que a Copasa tem de trabalhar para diminuir as perdas de 40% com vazamentos. O sistema tem pontos antigos e as equipes precisam ser ampliadas”, afirma o especialista. Uma das estratégias anunciadas pela estatal para combater a crise hídrica é mobilizar 40 equipes de técnicos para percorrer pontos de vazamento na Grande BH e saná-los o mais rápido possível.
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