SIGA O EM

Ciclovias de BH são invadidas por pedestres, carros, carroças e até lixo

Na travessia de Sul a Norte de bicicleta, primeiras ciclovias são um alento para quem se livra da briga com o tráfego, mas trechos escondem perigos por causa de invasão da pista

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.
[]

postado em 28/12/2014 06:00 / atualizado em 28/12/2014 08:04

Mateus Parreiras

A visão de uma ciclovia é um alento para quem se desloca por Belo Horizonte usando uma bicicleta, seja para trabalhar ou para estudar. Mas, na travessia dos extremos Sul ao Norte de Belo Horizonte, a impressão inicial de alívio que a primeira pista exclusiva trouxe foi suplantada em pouco tempo pelo descaso e o abandono. Depois de descer do Parque Estadual da Serra do Rola Moça, no extremo Sul de BH, e de atravessar sob muita pressão o tráfego perigoso da Via do Minério e do trevo do Bairro Betânia no Anel Rodoviário, na Região Oeste de BH, o primeiro espaço reservado para ciclistas é a chamada Rota Bonsucesso, com um quilômetro e meio. Mas, apesar de demarcada com pintura e blocos de concreto, a pista esbanja exemplos de abandono e usos impróprios, que afugentam as bicicletas.

A via que deveria ser destinada a ciclistas se tornou em vários pontos depósito de lixo doméstico, móveis velhos e sacos com restos de poda. “O caminhão de lixo não tem como chegar até o passeio, por causa dessa ‘estrada’ (ciclovia). Por isso, a gente empilha tudo aí (sobre a mureta da ciclovia, de onde o lixo desmorona e encobre parte da pista)”, justifica a cuidadora de idosos Dorinha Silva, de 59 anos. A sujeira se acumula principalmente em frente a um conjunto de prédios, em três pontos sobre os obstáculos que separam a pista exclusiva para bicicletas da usada pelos veículos motorizados. A invasão de dejetos obriga quem pedala a usar apenas uma das duas faixas de sentidos opostos.

Não bastassem os obstáculos deixados pelos moradores, a ciclovia é também invadida por veículos e pessoas que não deveriam circular por lá. “Essa estrada (ciclovia) tirou o espaço da rua e por causa disso os motoqueiros a usam para cortar caminho, já que não sobrou mais espaço entre os carros quando o trânsito fica complicado nos horários de maior movimento, mas até que a gente gosta daqui, porque é um bom lugar para fazer caminhadas de manhã”, diz a cuidadora de idosos, revelando que também desconhece os perigos de usar a pista como pedestre.

Mais adiante, a Avenida Tereza Cristina também abriga uma ciclovia, que fica um pouco distante, do lado oposto ao fim da Rota Bonsucesso. Não há sinalização que alerte a quem segue do outro lado sobre a existência da pista exclusiva. É uma das mais longas de BH e, como segue o Ribeirão Arrudas por 4,63 quilômetros, tem relevo plano, ideal para pedalar. Mas a conservação não é das melhores. O pavimento é irregular, há buracos, o asfalto fica repleto de lixo e há pontos em que lama e terra tomam conta do caminho. Veículos de entrega estacionam na área demarcada e até carroças ficam atravessadas. O entregador Célio Fernandes Alves, de 51 anos, carregava caixas usando a pista de ciclistas como estacionamento, bloqueando completamente a passagem. “Estou totalmente errado, mas fico poucos minutos e não é todo dia. É assim que a gente faz. Pior são os carroceiros, que passam todos os dias e até provocam acidentes”, reclama. Apesar dos problemas, esse foi o trecho menos perigoso da travessia do extremo Sul ao Norte da capital.

AMPLIAÇÃO Belo Horizonte conta hoje com 70,42 quilômetros de ciclovias, mas, segundo a BHTrans, a proposta do PlanMob-BH é implantar cerca de 340 quilômetros, dos quais 68,73 já têm projetos, sendo que 150 do total são para alimentar o sistema de transporte coletivo. As ciclovias serão complementadas com estacionamentos para bicicletas e bicicletários junto às estações de integração. Pela pesquisa de origem e destino, em BH, 0,4% das viagens são feitas por pessoas que pedalam, menos da metade da média de 0,9% registrada nas cidades brasileiras com mais de 1 milhão de habitantes.

 

Antes de pedalar

» Ciclovia é a pista destinada à circulação de bikes, separada fisicamente do tráfego comum
» Ciclofaixa é uma faixa exclusiva para bicicletas, mas sem separação física
» Paraciclos são estacionamentos sem controle de entrada e saída, onde as bicicletas podem ser acorrentadas
» Bicicletários, apesar de poucos em BH, são a estrutura mais segura para o ciclista, contando com administração de vagas e abrigo
» Equipamentos obrigatórios, que devem ser fornecidos pelos fabricantes de bicicletas, são a campainha, o espelho retrovisor esquerdo, a sinalização noturna dianteira, traseira, lateral e nos pedais

Fontes: Secretaria Nacional de Transporte e da Mobilidade Urbana e Código de Trânsito Brasileiro

 

O que diz a lei

De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro, quem pedala tem preferência sobre carros e motos em vias sem sinalização específica. O artigo 29 diz que “os veículos de maior porte serão sempre responsáveis pela segurança dos menores, os motorizados pelos não motorizados e, juntos, pela incolumidade dos pedestres”. Ao desmontar e empurrar a bicicleta, o ciclista passa a ser considerado pedestre. O CTB determina que não se pode circular pedalando por rodovias e vias de trânsito livre (autoestradas sem interseções em nível ou travessias por faixas na própria pista). O deslocamento de bicicleta é restrito a ciclovias, ciclofaixas e acostamentos, quando estes existirem. Nos demais casos, as bicicletas podem rodar em qualquer via, pelo bordo direito.

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação
600
 
valmir
valmir - 28 de Dezembro às 10:33
pra mim sempre foi um mistério insolúvel como pessoas adultas, inteligentes e instruídas possam acreditar que se pode andar de bicicleta entres esses motoristas daqui..deve ser pela mesma razão que acreditam em políticos, igrejas, times de futebol e fantasias afins..só pode.