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Ciclovia da Pampulha é depredada

Delimitadores usados para separar faixa exclusiva de ciclistas estão destruídos, uma prova de desperdício de dinheiro público. Conflito da via com pontos de ônibus também é preocupação

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postado em 24/11/2013 00:12 / atualizado em 24/11/2013 07:29

Pedro Ferreira

Leandro Couri/EM/D.A Press.


Antes mesmo de ser concluída, a ciclovia da orla da Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte, já é alvo de vandalismo. Os delimitadores de concreto estão sendo destruídos e alguns estão dissolvidos pela chuva, devido à pouca quantidade de cimento usado na fabricação. Vários estão quebrados na altura do número 17.150 da Avenida Otacílio Negrão de Lima. Ciclistas reclamam que, próximo à Igreja de São Francisco, a ciclovia passa dentro de um ponto de ônibus e há risco de atropelar as pessoas.

Os estudantes de engenharia Glauber Vale, de 22 anos, e Lauro Queiróz, de 21, saíram do Bairro Carlos Prates, Região Noroeste, para pedalar na Pampulha. “O cimento que eles usaram para fazer os tachões é de péssima qualidade e as pessoas quebram. Na Savassi, os tachões também estão sendo destruídos para estacionar carros na ciclovia”, disse Glauber. Lauro reclama que a ciclovia da Pampulha é muito estreita e há risco de uma bicicleta esbarrar em outra que trafega no sentido contrário. “Muito ciclista acaba batendo no outro”, disse.

A funcionária pública Marília Lima, de 49, moradora do Bairro Lourdes, Região Centro-Sul, alugou uma bicicleta dupla ontem para ela e o filho Érick, de 9. “Uma pena esse vandalismo. É um espaço de segurança construído para o ciclista e eles vêm e quebram. É dinheiro jogado fora”, lamenta. Marília foi com um grupo de amigos pedalar na orla da lagoa. Segundo ela, há trechos desertos, com risco de assalto. “Agora, o que está faltando é segurança no trânsito”, disse.

O mecânico Leandro Ribeiro Lima, de 25, acha perigoso passar com bicicleta dentro dos pontos de ônibus. “A gente tem que tomar muito cuidado para não atropelar as pessoas. Onde não tem delimitadores, os carros invadem a ciclovia e só faltam atropelar a gente também”, reclama.

A BHTrans informou que a ciclovia está sendo construída por uma empreiteira contratada. Como a obra ainda não foi concluída, a empresa vai ter que substituir os prismas de concreto estragados. “Um supervisor da execução do projeto Pedala BH esteve no local e constatou que alguns delimitadores estão quebrados. Em outras ciclovias, os danos são causados principalmente por carros”, informou a BHTrans.

Ainda de acordo com a empresa de trânsito, um grupo que treina ciclismo de velocidade na Pampulha é contrário à instalação dos tachões de cimento. Eles não podem correr com outras bicicletas na ciclovia, segundo a BHTrans, mas a barreira de segurança será mantida.

Até o fim do ano, BH terá 75 quilômetros de ciclovias, segundo a BHTrans. Até 2020, o plano é ter 380 quilômetros de pistas exclusivas para bikes. Com muitas subidas e descidas íngremes, devido ao relevo da cidade, o Projeto Pedala BH privilegia trechos planos ou com inclinação máxima de 10%.

Ciclistas reclamam ainda da falta de ligação entre as ciclovias. Quem anda de bicicleta precisa passar por trechos sem faixas exclusivas. A BHTrans informou que a lógica de implantação está sendo revista e que todas as rotas serão interligadas.

Alguns trechos das ciclovias foram implantados com largura inferior ao padrão máximo de segurança, de 1,5 metro, além de haver trechos em que a faixa exclusiva está entre o estacionamento e a pista de rolamento. Os usuários se ressentem da falta de educação no trânsito e da falta de entendimento de motoristas que a bicicleta também é um meio de transporte e deve ter seu espaço. Além disso, alertam que falta rigor no cumprimento das regras de trânsito para proteger o ciclista e as ciclovias. A BHTrans informou que as críticas estão sendo levadas a reuniões periódicas com representantes de ciclistas.
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