13°/ 24°
Belo Horizonte,
24/JUL/2014
  • (9) Comentários
  • Votação:
  • Compartilhe:

ONG ataca política da PBH » Entidade denuncia distribuição de canudos e soro para uso de drogas na capital

Sandra Kiefer

Publicação: 31/07/2013 06:00 Atualização: 31/07/2013 07:04

Dependentes de crack em BH: estratégia de combate volta a causar polêmica (Beto Magalhães/EM/D.A Press %u2013 16/7/12)
Dependentes de crack em BH: estratégia de combate volta a causar polêmica


 

Com base em depoimentos de técnicos que acompanharam o funcionamento do chamado Consultório de Rua, serviço da Prefeitura de Belo Horizonte de atendimento a usuários de drogas, a organização não governamental Defesa Social anunciou que estuda cancelar o convênio com a Secretaria Municipal de Saúde, cujo objetivo seria internar usuários de crack em comunidades terapêuticas. Ontem a entidade fez representação contra a PBH no Ministério Público, por sustentar que a administração vem distribuindo insumos que facilitam o consumo de drogas. Segundo o presidente da ONG, o evangélico Robert William, ex-policial civil e estudante de direito, ficou comprovado, na prática, que o município vem usando a política de redução de danos para tratar usuários, conforme já havia noticiado, em maio, o Estado de Minas.

“Os craqueiros têm total confiança nos técnicos, que pregam reduzir o impacto do uso da pedra na saúde. Em determinado momento, eles param a van e dão início à distribuição dos chamados insumos. Começa pelo preservativo, que pode ter tamanho adulto ou adolescente. Há ainda o soro, que serve para limpar olhos e narinas ressecados e também para destilar a droga. Outra solicitação feita pelos usuários é do canudo, com cerca de 7 cm, nas cores preta ou branca com listras vermelhas. Ninguém cheira cocaína na nossa frente, mas os técnicos da prefeitura explicam que o uso exclusivo evita que o dependente use cédulas de dinheiro enroladas, que poderiam propagar a hepatite”, diz em depoimento um técnico da ONG Defesa Social que acompanhou o atendimento por dois dias.

Robert William alega que a maioria das entidades prestes a assinar o convênio com a PBH quer se desvincular da política municipal. “Só acredito em abstinência. Não acho que um fumante consiga fumar menos ou que um alcoólatra possa trocar a cachaça pela cerveja”, critica o presidente da entidade, fazendo referência à estratégia de substituição de drogas pesadas por outras consideradas mais leves. A ONG abriu ontem representação contra a PBH perante Tadeu de Almeida Péres, promotor de Justiça de Tóxicos. A alegação é que a distribuição de canudos e água destilada afronta  a Lei de Drogas ao “induzir, auxiliar ou incitar alguém ao uso indevido” de tóxicos.

Procurada para falar sobre o assunto, a Secretaria Municipal de Saúde informou, por nota, que “acompanha a política nacional de redução de danos, executada pelo Ministério da Saúde, no atendimento a usuários de álcool e outras drogas. O objetivo é minimizar os danos e prejuízos à saúde causados pelo consumo de drogas”. Entre os itens fornecidos, segundo o texto, não há distribuição de água destilada para usuários: “A mesma é usada pelos profissionais no cuidado de feridas. A água distribuída aos usuários é potável e usada para hidratação”.

A assessoria completa ainda que a política de redução de danos “executada nas abordagens aos usuários de álcool e outras drogas segue modelo exitoso, já adotado mundialmente desde a década de 80, no enfrentamento à Aids, quando começaram a ser distribuídos seringas descartáveis e outros insumos aos usuários, com o objetivo de evitar a transmissão da doença”.

Tags:

Esta matéria tem: (9) comentários

Autor: Daniel Marques
Está bem explicado que é redução de danos, os críticos só podem estar se fazendo de dolos ou querem que os viciados morram rapidamente. | Denuncie |

Autor: Eduardo Rosa
A abstinência total é o resultado ideal, contudo nem todo mundo tem condições psicológicas e/ou emocionais para parar de uma vez. A política de redução de danos é comprovadamente eficaz na redução da dempendência uma vez que o usuário troca uma droga com alto potencial destrutivo por uma "mais suave" | Denuncie |

Autor: Tatiana Maia
Se matassem a bandidagem, que por sinal estão matando em troco da DROGA!! | Denuncie |

Autor: Felipe Souza
Concordo com o Teo Fernandes | Denuncie |

Autor: clayton pereira
Não tem um dia que não apareça nos jornais uma borrada do prefeito. Some Lacerda. | Denuncie |

Autor: Adriana Gregório
Vamos acordar, gente! O governo sempre implantando soluções paliativas para os problemas que o Brasil, de um modo geral, vem sofrendo. A droga não é liberada, mas é facilmente encontrada em qualquer esquina. Libera de uma vez ou extermine os traficantes, pois não farão falta nenhuma para a sociedade. | Denuncie |

Autor: opiniao opiniao
O governo erra feio em ajudar desta maneira, pois a maior ajuda seria espiritual. Só que querem ajudar com mais drogas. Ficarão mais dependentes a cada dia. | Denuncie |

Autor: Teo Fernandes
A desculpa da distribuição é porque as agulhas transmitem doença, como AIDS. Melhor assim, pelo menos vão diminuindo os viciados vagabundos. | Denuncie |

Autor: Wagner Eustaquio
Sejamos justos! Não existem fórmulas mágicas na questão das drogas. Toda iniciativa é válida e existem diversos modelos de políticas pelo mundo. Portugal que o diga, pois, estabeleceu diversas estratégias e caminhos diferentes para atingir a diversidade dos usuários em sua variação e tipos de dependê | Denuncie |

Comentar

Para comentar essa notícia entre com seu e-mail e senha

Caso você não tenha cadastro,
Clique aqui e faça seu cadastro gratuito.
Esqueci minha senha »

Envie sua história efaça parte da rede de conteúdo do grupo Diários Associados.
Clique aqui e envie seu vídeo, foto, podcast ou crie seu blog. Manifeste seu mundo.