Palácio da Liberdade vira museu e revela templo da política e da história

Palácio da Liberdade será reaberto com mostra interativa que traz a trajetória de 16 governadores de Minas

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postado em 27/07/2013 06:00 / atualizado em 27/07/2013 07:12

Pedro Ferreira

Edesio Ferreira/EM/D.A Press

 

Imagine você entrando numa sala e a foto no porta-retrato começa a falar. De repente, como mágica, alguém surge no espelho do banheiro ajeitando o terno e contando a sua história. Na sala, sobre o piano de cauda, um homem dança em cima das linhas da partitura e usa uma nota musical para remar um barco. Tudo isso poderá ser visto na exposição interativa permanente que marca a transformação do Palácio da Liberdade em museu, devidamente incorporado ao Circuito Cultural da Praça da Liberdade. Segunda-feira, a mostra será apresentada à imprensa e convidados e a partir de 4 de agosto será aberta ao público nos fins de semanas e feriados, das 10h às 16h.

A exposição Palácio da Liberdade – memórias e histórias ocupa 30 cômodos da antiga sede oficial do governo de Minas e é uma criação do diretor artístico, designer e curador Marcello Dantas. Para dar vida e interatividade à história de 16 governadores mineiros, o autor lançou mão da mais moderna tecnologia de projeção de imagens e áudio, ativada por sensores de presença.

Na animação do porta-retrato, exposto sobre uma mesa de canto no Salão Dourado, quem interage com o público é o ex-governador Aureliano Chaves, que comandou Minas de 1974 a 1978 e foi vice-presidente da República no mandato do general João Figueiredo. No Salão Vermelho, onde está o piano, quem começa a dançar sobre as notas musicais é Benedito Valadares, interventor federal que governou Minas de 1933 a 1945. Os passos de dança do político são animados pela música Será o Benedito e o som vem de uma pequena caixa acústica instalada atrás do piano.

Tancredo Neves

O Salão Vermelho foi reservado à história de Tancredo Neves, que governou Minas de março de 1983 a agosto de 1984. A imagem do político surge em um imenso quadro com moldura dourada. O vídeo mostra como ele foi cativando os brasileiros na campanha das Diretas Já e o impacto da sua morte em 21 de abril de 1985, depois de eleito presidente do Brasil. Na fala do ator que interpreta Tancredo, detalhes da trajetória de vida do político mineiro, destacando seu nascimento, “por mercê de Deus”, em São João del-Rei, em 4 de março de 1910, e as dificuldades financeiras da sua família quando ele era pequeno. A narrativa realça também o fato de ele ter sido escolhido pelo povo nas primeiras eleições diretas para governador de Minas em mais de 15 anos, além de outros fatos significativos de sua carreira política.

A mostra abrange diversos períodos da história da política mineira. Na Sala da Rainha, por exemplo, quem surge do espelho no banheiro é Francisco Sales, presidente de Minas de 1902 a 1906. “Olá, chegou em boa hora”, diz o ator que interpreta o político ao dar as boas-vindas aos visitantes. Na cena, diante de uma requintada mesa de café, apenas as mãos são visíveis. São vários os assuntos desfiados pelo político enquanto interage com o público. Um banquete de histórias e gostosuras, no qual o visitante se sente na companhia de Francisco Sales, que oferece um pedaço de queijo para amenizar o sabor do café, que considera forte demais. “Queijo curado”, ressalta.

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