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Estado de Minas

Moradores de Manhuaçu constroem quebra-molas na BR-116 por conta própria

População se organizou e adquiriu materiais para a realização da obra, que ficou em torno de R$ 8 mil. Dnit alega que o trecho não exige redutores de velocidade e registrou ocorrência policial contra os moradores


postado em 10/06/2013 15:48 / atualizado em 10/06/2013 16:51

(foto: E. C. Sette/Divulgação)
(foto: E. C. Sette/Divulgação)

Cansados dos acidentes com mortos e feridos em trechos da BR-116, moradores de Manhuaçu, no distrito de Dom Corrêa, região da Zona da Mata, se organizaram e construíram três quebra-molas na BR-116, próximo ao km 567. Sem ter as solicitações atendidas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), a população tomou a iniciativa de fazer a obra, que custou cerca de R$ 8 mil.

De acordo com o líder do movimento organizado para construir os redutores de velocidade, João Batista Dornelas, a única solução encontrada pela população foi agir de forma silenciosa e independente. “Já fizemos vários protestos e solicitações por ofício para que o Dnit colocasse radares ou quebra-molas, mas não recebemos nenhuma resposta. Fizemos isso antes que ocorram mais acidentes, pois já perdemos muitas pessoas queridas da comunidade”, explica. Ainda segundo o morador, o órgão instalou apenas algumas placas informando que o trecho é perigoso e recomendando a redução da velocidade. No entanto, a iniciativa não deu resultado e os problemas persistiram.

Os próprios moradores juntaram dinheiro e compraram o material necessário. Além dos quebra-molas, a população instalou placas de sinalização indicando as lombadas com o mesmo padrão aplicado pelo Dnit nas rodovias federais. Durante a ação, que aconteceu das 15h às 17h, os quebra-molas foram feitos em etapas, com alternância das pistas, o que não interditou a via. “Fizemos reuniões, levantamos o orçamento necessário e alugamos máquinas compactadoras de asfalto para modelar os quebra-molas e fazer tudo bem feito”, afirma. Ele conta que a PRF tentou impedir a obra, mas percebeu que o movimento era planejado e pacífico e até parabenizou os moradores pela iniciativa.

Lombadas serão retiradas

De acordo com a assessoria de imprensa do Dnit, o órgão já “conhece bem o trecho em questão e não considera que ali exista a necessidade de instalação de nenhum redutor de velocidade, nem pelas características técnicas da via e nem pelo histórico de acidentes”. Ainda segundo Dnit, os quebra-molas instalados pelos moradores serão retirados da via nos próximos dias, uma vez que a população não tem permissão para executar obras nas rodovias por conta própria.

Sobre as oito placas instaladas na rodovia, que seguem o mesmo padrão do Dnit, a assessoria de imprensa informou que elas teriam sido furtadas de outros trechos e pintadas com spray. O departamento já registrou ocorrência policial para punir os responsáveis. Por outro lado, João Batista alega que as placas foram compradas em uma empresa de Manhuaçu, que fornece também o material para o Dnit.

Acidentes

As reivindicações na BR-116 se intensificaram em dezembro do ano passado, quando cerca de 40 pessoas realizaram um protesto na BR-116, entre as cidades de São João do Manhuaçu e Realiza, na Zona da Mata, contra o aumento no número de acidentes no trecho.

Segundo os moradores, as mortes no local são frequentes, mas a revolta aumentou ainda mais quando um motociclista amigo da comunidade morreu em um grave acidente no trecho. Na época, os manifestantes atearam fogo em pneus e derrubaram uma árvore para interromper o tráfego na rodovia. Além de pedir a colocação de redutores de velocidade no trecho, como quebra-molas e radares, eles exigiam a presença de um engenheiro do Dnit no local. Porém, ninguém compareceu.


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