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Prefeitura e empresas criam estruturas para abrigar bicicletas na capital

Fãs do pedal elogiam, mas dizem que não foram ouvidos

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postado em 08/06/2013 06:00 / atualizado em 08/06/2013 07:28

Clarisse Souza

Aos poucos, a vida dos ciclistas em Belo Horizonte começa a ficar mais fácil. Na cidade em que o trânsito tem se tornado um drama e estacionar veículos, um desafio, a BHTrans aumenta o número de locais próprios para o estacionamento de bicicletas, por meio da instalação dos chamados “paraciclos”. Nesta semana, equipamentos foram fixados na Avenida Brasil, esquina com Rua Cláudio Manoel, na Savassi, e no encontro da Rua Gonçalves Dias com Avenida Bias Fortes, no Bairro de Lourdes, na Região Centro-Sul. Nos próximos meses, outras 50 unidades serão inauguradas, ampliando o número de vagas para 268. Parcerias com outras empresas também contribuem para espalhar as acomodações pelas calçadas. Embora comemorem o avanço, usuários afirmam que a BHTrans repete o erro cometido na idealização das ciclovias: não ouvir a opinião de quem pedala pela capital.


Espalhados pelas regionais de Belo Horizonte, os paraciclos são maioria entre os equipamentos instalados por meio do Programa Pedala BH. É possível encontrá-los nas ruas, praças e avenidas da Savassi e nas regiões hospitalar, Leste, Noroeste, Nordeste e Barreiro. Cada estrutura comporta duas bicicletas, que devem ser presas com correntes e cadeados. A cidade tem ainda quatro bicicletários em operação nas estações BHBUS do Barreiro, Venda Nova, São Gabriel e Diamante. Além dos 50 novos paraciclos previstos para a cidade, outros 250 equipamentos estão em fase de licitação, o que criaria mais 500 vagas para bikes.


Às unidades da BHTrans, somam-se equipamentos públicos instalados por empresas, o que ajuda a aumentar as áreas próprias para guardar bicicletas. Depois de quase três anos de projeto, as unidades do Banco do Brasil continuam a usar os recuos nas calçadas para colocar as estruturas de aço. Segundo a instituição, antes de instalar o equipamento é feito um estudo da região, para descobrir se a topografia da via favorece o uso de bicicletas. É o caso da agência localizada na Avenida Bernardo Monteiro, no Bairro Santa Efigênia.


Inseguros

Apesar de considerar positivo o aumento progressivo de vagas para bikes na cidade, quem usa o veículo como meio de transporte diz que ainda há muito o que melhorar. “A falta de bicicletários e paraciclos é só um dos problemas”, afirma o presidente do grupo Mountain Bike BH, Lucas Figueiredo. Segundo ele, o maior problema enfrentado pelos ciclistas é a falta de segurança na hora de deixar a bicicleta em local público. Mesmo com os paraciclos, Lucas conta que o risco de ser roubado ainda é grande, já que a maioria das estruturas fica em locais que não contam com vigilância policial.


“Se as pessoas não se sentem seguras, o bicicletário não resolve”, afirma o ciclista Humberto Guerra, do Mountain Bike BH. Ele reclama que a BHTrans não consultou quem conhece a realidade da prática esportiva e sugere que as vagas para bicicletas sejam criadas próximo a câmeras do Programa Olho Vivo ou em pontos vizinhos a guaritas da Polícia Militar. Para o ciclista Vinicius Mundim, voluntário do movimento Bike Anjo BH, outro problema é o número reduzido de locais de estacionamento para o veículo em áreas com grande fluxo de pessoas. “As estações de metrô, universidades e shoppings precisam colocar mais bicicletários. Se não tem área segura para deixar a bicicleta, a gente acaba desistindo de usar. Ou seja, a falta desse equipamento com segurança desestimula o uso da bike”, acredita.


O presidente do movimento Mountain Bike BH cobra ainda o aumento de bicicletários. “Esses sim são realmente seguros. São cobertos e fechados. Em alguns casos cobra-se um valor simbólico pelo uso, mas pelo menos você tem certeza de que vai encontrar sua bicicleta quando voltar.”

 

Saiba mais

Paraciclos ou bicicletários


Paraciclo e bicicletário são equipamentos diferentes, usados para estacionar bikes em áreas públicas. O primeiro é uma estrutura metálica com capacidade para duas bicicletas. Já o bicicletário é um espaço delimitado para uso exclusivo de bicicletas, que pode ser coberto e comporta várias estruturas. Ciclistas defendem que os bicicletários são mais seguros. Públicos ou privados, eles têm várias vagas, os espaços geralmente são fechados e o acesso é controlado. Já os paraciclos, que são maioria, ficam mais expostos, o que, segundo os usuários, aumenta o risco de furto das bikes. 

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