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Estado de Minas

Reinauguração do coreto da Praça da Liberdade é adiada novamente

Revitalização do espaço, prevista para ser finalizada em abril, só deve ficar pronta no mês que vem. Segundo o Iepha, trabalho de restauração foi "maior do que o previsto"


postado em 25/05/2013 06:00 / atualizado em 25/05/2013 07:08

As estudantes de direito Paola Cabral e Michelle Maia costumam frequentar a Praça da Liberdade e aguardam a reabertura do coreto, fechado em 2011:
As estudantes de direito Paola Cabral e Michelle Maia costumam frequentar a Praça da Liberdade e aguardam a reabertura do coreto, fechado em 2011: "Faz parte do lazer", diz Paola (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)

No conjunto arquitetônico da Praça da Liberdade, na Região Centro-Sul de BH, nenhum prédio parece ser tão modesto e receptivo quanto o coreto. E, na capital, poucos lugares testemunharam tantos amores nascerem, namorados trocarem os primeiros olhares, violões soarem canções inspiradas. A pequena edificação foi interditada em fevereiro de 2011, para obras de restauro cuja conclusão chegou a ser prevista para outubro do ano passado. Depois, o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha) postergou a reinauguração para abril e, agora, adiou para o próximo mês.

A restauração começou em dezembro. A delonga, segundo o Iepha, é causada pelo fato de o trabalho necessário para restabelecer a edificação ter se tornado “maior do que previsto inicialmente”. A princípio, as intervenções se restringiriam ao forro e à cobertura metálica, mas acabaram se estendendo para todo o monumento. O órgão informa que foram recuperados o piso, o guarda-corpo – as grades presentes em sete dos lados do coreto, à exceção do que se abre para a escada –, elementos artísticos e parte das pinturas. Também foi implantado um novo sistema de impermeabilização nas fundações da construção. Ainda falta colocar vidros no porão, que fica acima do nível do solo, e plantas nos dois canteiros.

As obras devem consumir R$ 194,4 mil, investidos em parceria pelo Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) e pela Associação de Notários e Registradores do estado (Anoreg-MG), enquanto o Iepha se encarrega do suporte técnico, acompanhamento e fiscalização dos trabalhos, que devem cumprir as exigências técnicas do instituto, já que o conjunto arquitetônico e paisagístico da Praça da Liberdade foi tombado em 1977. O projeto foi aprovado também pelo Conselho Deliberativo Municipal do Patrimônio Cultural, já que o bem é protegido pela Prefeitura de Belo Horizonte. Segundo o dossiê de tombamento do Iepha, o coreto foi erguido em 1913. Na data ainda incerta em que for reaberto, também serão inauguradas as placas de identificação da Alameda da Travessia, rua que corta a praça ao meio.

No aguardo Frequentadores da praça esperam com ansiedade a conclusão da reforma do coreto. Na tarde de ontem, em volta da construção, além da grande de isolamento, havia tábuas de madeira, carrinhos de mão e operários. Como costuma fazer em todas as tardes, Carlos Alberto Azevedo, de 71 anos, passeava por ali com Hannah, uma cadela da raça golden retriever. “O coreto faz falta, é lugar de alegria”, disse o administrador aposentado. Ele lembra com carinho a relação afetuosa que os belo-horizontinos têm com o abrigo octogonal. “Faziam muitas retretas, né? O pessoal subia pra tocar violão, bater papo. Muitos jovens”, recorda.

Estudantes de direito, as amigas Paola Juracy Cabral, de 25 anos, e Michelle Maia, de 27, moram no Prado, na Região Oeste, mas gostam de passear na praça. No início da tarde de ontem, estavam sentadas em um dos bancos que ficam de frente para o coreto. As duas aguardam pela reabertura do espaço. “Está demorando”, reclamou Paola. “O coreto é muito bonito e faz parte do lazer. Já vi apresentações de música nele”, acrescentou.

Em meio à reforma, visitantes até discutem o projeto do coreto. O arquiteto mexicano Ricardo Mendoza, de 26 anos, mora há três meses em BH, onde faz um curso de administração. Ontem, ele apresentava a praça à namorada, a também mexicana Fernanda Lorenzini, de 24, em seu primeiro dia na cidade. “O coreto devia ter sido feito de outra forma. A ferragem da parte de cima é muito bonita. Para mim, o problema é a parte de baixo, esses tijolinhos. Parecem uma coisa meio falsa, não original”, opinou. Apesar disso, o casal adorou um dos principais cartões-postais da capital. “A praça é um dos lugares mais representativos de BH. Tem prédios de diversas épocas e estilos, vegetação, ambiente tranquilo”, elogiou o rapaz. Em castelhano, a turista resumiu: “Hermosa, muy linda”.


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