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Estado de Minas

Mulher tem corpo incendiado e é mantida presa pelo namorado em Passos

Vítima conseguiu fugir da casa uma semana depois de ter sido queimada. Autor do crime confessou a agressão, mas negou o cárcere privado


postado em 23/05/2013 20:18 / atualizado em 23/05/2013 20:29

O pedido de socorro de uma mulher de 40 anos, com várias queimaduras de 3º grau pelo corpo, deixou médicos e policiais indignados nesta quinta-feira em Passos, no Sul de Minas. A vítima conseguiu fugir da casa do namorado depois de passar sete dias trancada no imóvel impedida de buscar atendimento médico. O agressor, um funcionário público de 52 anos, foi preso, sem reagir à ação policial. Ele alegou ter incendiado a companheira depois que ela afirmou querer se matar, mas negou que a manteve em cárcere.

A mulher deu entrada em uma Unidade de Pronto-Atendimento da cidade, levada por um desconhecido que a viu perambulando pela rua. Ela apresentava graves queimaduras, sobretudo no busto, seios, axilas e pescoço. A equipe médica que a atendeu acionou o 190 após ouvir o relato de que demorou a buscar socorro porque era mantida presa pelo homem que a incendiou.

“Debaixo da axila direita está na carne viva mesmo, mas algumas partes já começaram a cicatrizar. Os médicos ficaram indignados e garantiram que ela não suportaria esperar tanto tempo para buscar socorro se não estivesse em cárcere”, comenta o subtenente Milton Donizete da Silva que atendeu a ocorrência. Ele conversou com a vítima, que revelou ter começado a namorar o funcionário público há cerca de 20 dias, e que na última sexta-feira brigaram no barracão de dois cômodos onde ele vive. Os dois tinham consumido bebida alcoólica.

A vítima contou ao policial que durante a bebedeira começou a ser agredida sem motivo aparente. Ela se trancou no banheiro e o homem derrubou a porta, espalhou álcool pelo corpo dela e ateou fogo com um isqueiro. “Depois, a deixou ferida e trancava a porta da casa todos os dias quando saía para trabalhar”, destaca o subtenente.

Equipes policiais foram ao endereço do agressor, no Bairro Distrito Industrial, e o encontraram sentado na frente do imóvel. “Ele estava muito embriagado e não chegou a esboçar reação alguma”, comenta o subtenente Milton. A vítima havia relatado ao policial que só conseguiu sair da casa porque o homem ingeriu muita cachaça e ficou desacordado.

Aos militares, o homem admitiu a agressão, mas negou o cárcere. “Ele disse que enquanto bebiam naquela sexta-feira a mulher correu para o banheiro gritando que ia suicidar. Então ele derrubou a porta e disse que a ajudaria a morrer, já que era isso o que queria, e ateou o fogo”, relata o militar, que diz acreditar na versão da vítima. “Ela não aguentaria ficar toda queimada sem buscar ajuda”, avalia.

No quintal da casa o homem mostrou aos policiais onde queimou as roupas que a vítima usava quando teve o corpo incendiado. Ele foi levado para a delegacia da cidade, de onde foi encaminhado para a cadeia local. A mulher foi transferida para a Santa Casa de Passos. Seu estado de saúde é considerado grave, mas ela não corre risco de morrer.


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