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Destino de bebê de argentina assassinada em BH ainda é incerto Futuro de recém-nascido que se recupera em UTI após morte da mãe, estrangeira, pode depender de batalha na Justiça

Gabriela Pacheco

Pedro Ferreira

Publicação: 14/02/2013 06:00 Atualização: 14/02/2013 06:54

Maria Valeria Perotti teria revelado medo do companheiro, segundo ex-colega (Facebook/Reprodução da internet %u2013 13/2/13)
Maria Valeria Perotti teria revelado medo do companheiro, segundo ex-colega
Com a mãe morta e o pai na cadeia, o futuro mais provável do filho da argentina Maria Silvina Valeria Perotti, de 33 anos, assassinada com dois tiros na cabeça no último domingo, deve ser fora do Brasil. O pai do bebê, José Antônio Mendes de Jesus, de 32 anos, foi preso em flagrante pelo homicídio – o que na opinião do advogado e presidente do Instituto Brasileiro de Direito da Família Rodrigo da Cunha deve destituí-lo do poder familiar e diminuir as chances de sua família conseguir a guarda da criança.


“Se praticou o crime, ele provavelmente não terá a guarda, nem os familiares dele. Quem deve ficar com a guarda da criança são os familiares da mãe. Os parentes do pai já entram com desvantagem”, afirma. Para o especialista cabe ainda uma nova acusação: a de tentativa de homicídio do filho. “Se abandonou o bebê para morrer com a mãe, também pode responder por atentar contra a vida da criança.”

Segundo um ex-colega de trabalho da vítima, que pediu para não ser identificado, Valeria considerava o companheiro agressivo e estava preocupada com ele. “Ela tinha medo de que ele fizesse alguma coisa ruim por causa de uma briga judicial no antigo emprego dela. Fiquei muito assustado ao saber o que aconteceu com ela e, agora que estou pensando no que ela me falou, não duvido de que ele tenha feito isso mesmo”, comenta.

Antes de a guarda ser discutida, a criança ainda precisa passar por um lento processo de recuperação. O menino nasceu com 28 semanas de gestação e continua em estado grave, respirando por aparelhos, na unidade de terapia intensiva (UTI) da maternidade Júlia Kubitschek. Caso ele sobreviva, um processo deverá ser aberto na Vara da Família de Belo Horizonte para a disputa de guarda.

O corpo da vítima permanece no Instituto Médico Legal (IML), aguardando liberação pela família, que não tem data para chegar, segundo o cônsul-geral da Argentina em Belo Horizonte, José Cafiero. “Conversei com a mãe dela e por enquanto ela está em choque e fazendo o que precisa para vir para o Brasil. Também falamos sobre o bebê e ela está ansiosa, mas quer conhecer o menino. Quando ela chegar, vamos buscá-la no aeroporto e ficar à disposição para o que ela precisar”, afirma.

Versão

O pai do suspeito, o empresário do ramo de guindastes José Antônio de Jesus, de 60 anos, disse que se o filho errou, ele não tem defesa, mas se não errou, a verdade irá surgir. “No momento, o que me resta é acreditar na versão do meu filho. Ele e a minha nora viviam muito bem e nunca discutiram. Os dois eram extremamente trabalhadores e não havia nada que os desabonasse. Testemunham viram quando eles saíram de casa de mãos dadas para ir ao supermercado e ela foi morta 10 minutos depois”, disse José Antônio.

O técnico em informática e a vítima se conheceram ainda quando ela era casada com o primeiro marido. “Eu e o meu filho prestávamos serviço à empresa deles. O casal se separou e meu filho começou a se relacionar com ela depois. Viviam juntos há oito anos e meu filho praticamente criou o filho de 10 anos dela. Todos se relacionavam muito bem”, disse.

Ao pai, o técnico em informática contou que ele e a vítima estavam a caminho do supermercado e o carro foi fechado por dois homens numa moto. Valéria foi baleada e jogada para fora do carro e um dos ladrões partiu com o técnico no carro, que foi seguido por outro assaltante na moto. A delegada Elenice Batista informou que ratificou a prisão do suspeito com base no depoimento de duas testemunhas do crime.
 

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