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Idosa adotada por vizinhos recebe visita de Dom Walmor como presente Dom Walmor Oliveira, arcebispo metropolitano de BH, aceita convite e visita dona Maria de Lourdes, de 95 anos, que perdeu contato com a família e hoje é cuidada pelos vizinhos

Gustavo Werneck

Publicação: 21/12/2012 06:00 Atualização: 21/12/2012 09:23

Emocionada, Maria de Lourdes beija a mão de dom Walmor, que foi até a casa da idosa para conhecê-la (FOTOS ALEXANDRE GUZANSHE/EM/D. A PRESS)
Emocionada, Maria de Lourdes beija a mão de dom Walmor, que foi até a casa da idosa para conhecê-la
Um presente recheado de alegria, embrulhado com afeto e entregue pessoalmente, com o abraço sincero do respeito e consideração. Na noite de ontem, Maria de Lourdes Pereira de Jesus, de 95 anos, realizou um sonho que considerava inatingível e acalentou durante muito tempo: receber em sua modesta casa do Bairro São Marcos, na Região Nordeste da capital, a visita do arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, dom Walmor Oliveira de Azevedo. “É muita felicidade, uma lembrança de Natal que ficará para sempre”, comentou dona Maria, que vive sozinha, mas tem uma legião de amigos, os seus vizinhos, que se tornaram a sua família. O arcebispo aceitou o convite para conhecê-la depois de ler a reportagem publicada no Estado de Minas narrando a vida da mulher que não se casou nem teve filhos, perdeu o contato com parentes e jamais se considera sozinha por viver no território fértil das boas amizades.

Na mesa organizada pelos vizinhos, tinha broa de fubá, bolo, sanduíches e refrigerantes. A casa estava impecável, com luzes natalinas na fachada e um brilho especial nos quadros de santos e imagens dos protetores São José e Nossa Senhora Aparecida. Em lugar estratégico, dona Maria mantém a foto do chefe da Cúria e fez questão de falar da sua admiração pelo trabalho pastoral do bispo. “A visita foi uma bênção. Fiquei impressionado com a luz que os olhos dela irradiavam. Nossa comunidade está satisfeita, pois foi uma honra receber dom Walmor aqui no bairro”, disse José Maria Alves da Silva, considerado um anjo da guarda de dona Maria.

A noite estava chegando quando o bispo entrou na casa da Rua do Calvário. Poucos minutos antes de dom Walmor chegar, é que ela foi comunicada sobre a visita – até então, achava que tantas guloseimas eram para receber o titular da Paróquia de São Benedito, padre Jésus. “Mas ela ficou tranquila, recebeu os cumprimentos e participou do momento de oração com dom Walmor”, disse a vizinha Gláucia Grigório. O bispo fez questão de conhecer toda a moradia e o quintal, uma das paixões de dona Maria, e disse que vai celebrar a missa dos 100 anos dela. “Já celebrei outras de pessoas centenárias e deu muita sorte”, afirmou. Na sala, ele disse que vai mandar buscá-la para conhecer a iluminação da Praça da Liberdade e o presépio do Palácio Cristo-Rei.

Família unida

Mesmo solteira, dona Maria vive com a casa cheia, tem sempre alguém para fazer as compras, ajudar na limpeza doméstica, dar o remédio na hora certa, pagar as contas no banco ou conversar. Nascida em fazenda em 19 de março, “dia de São José”, ela contou ao bispo que chegou à capital aos “vinte e poucos anos”. De uma família de 13 irmãos, todos falecidos, não quis mais voltar à terra natal, pois sente muitas saudades dos pais, Ana e Joaquim. “Eles morreram quando eu era jovem, sofri tanto que ia ao cemitério, em Teófilo Otoni, todos os dias, para acender velas. O que vou fazer lá sem eles?”, contou dona Maria, que, vaidosa e muito católica, se arrumou para receber o visitante ilustre e líder religioso.

De memória prodigiosa, dona Maria lembrou outras passagens da sua vida. Com a perda dos pais, ainda menina, foi trabalhar em casa de família até que chegou a Belo Horizonte, no fim da década de 1930, acompanhando a conterrânea Alda Figueiredo, mulher de um dono de farmácia. Famosa, no passado, pelo clima favorável a quem tinha problemas pulmonares e respiratórios, a capital foi indicada ao casal na tentativa de ajudar a curar os sérios problemas de asma de Alda. Depois que dona Alda morreu, foi morar na casa das cunhadas dela no Bairro Padre Eustáquio, mas acabou perdendo os laços pela falta de notícias.

A cada palavra, muita atenção dos vizinhos gêmeos Luiz Carlos, técnico de enfermagem, e Carlos Alberto Alves da Silva, estudante, de 27; a professora Maria de Lourdes Dias Moreira Batista, a Lourdinha, com o marido, Wilton, e os filhos Danilo, de 21, e Danielly, de 20; Sílvia Maria da Silva, mãe de Cirineu Fabrício e Diego; Mariana Gomes Barros, Jaci Rosa Rodrigues, com os bisnetos Samuel, de 5, e Sara, de 3; o casal José Maria Alves da Silva e Gláucia Grigório, presentes com as filhas, Lavínia e Larissa, e Gleice Maria de Castro; a madrinha de crisma Maria de Lourdes Ferreira, de 82, e muitos outros.

Esta matéria tem: (5) comentários

Autor: marcelo santos batista
Vida longa para D. Maria , com muita paz e saúde , que Deus continue abençoando Dom Walmor. | Denuncie |

Autor: ADALTON VAZ
Muito bem Dom Valmor. Quase fui um sacerdote, fui cerceado por um padre que se pensava santo e dizia que eu não tinha vocação. O Pastor cuida de suas ovelhas. Parabéns! | Denuncie |

Autor: Marcos Santos
Que bom começar o dia com uma notícia desse porte; são de pessoas humildes como a D. Maria e Dom Walmor que a sociedade tanto precisa... estão de parabéns os vizinhos que "adotaram" a d. Maria: todos portadores de bondade, camaradagem, e fé em Deus! Parabéns à todos, feliz natal e um abençoado 2013! | Denuncie |

Autor: Luiza Freitas
Para aqueles que disseram que o Dom Wlamor não iria fica a prova de que nem todos são como pensamos. Merecida visita a D. Maria. Deixo meus votos de muitos anos de vida repleto de saúde!! | Denuncie |

Autor: Débora Sampaio
Que ótima noticia!! | Denuncie |

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