BH faz 115 anos e enfrenta desafio da mobilidade urbana

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postado em 12/12/2012 07:07 / atualizado em 12/12/2012 07:51

Patrícia Giudice

Rodrigo Clemente/EM/D.A Press

São 2,3 milhões de habitantes. A Avenida do Contorno é agora uma das muitas vias sufocadas pelo trânsito intenso. A estrutura urbana ultrapassou, e muito, o limite do projeto de Aarão Reis e a cidade se confunde com seus arredores. Como na inauguração há 115 anos, Belo Horizonte está em constante construção. As vias feitas para melhorar o acesso dos trabalhadores passam por obras que parecem intermináveis, para abraçar 1,3 milhão de veículos que por elas circulam.

A comemoração do aniversário chega com o desafio: como conter a multiplicação dos carros nas ruas. E o prefeito Marcio Lacerda, que se prepara para novo mandato, concorda: “A mobilidade é um problema não só das grandes cidades, mas das médias e pequenas. Dobramos o número de veículos em Belo Horizonte em 10 anos, aproximadamente de 700 mil para 1,5 milhão, com um pequeno acréscimo na estrutura viária de transporte de massa”.

A aposta por enquanto está no BRT (bus rapid transit). A Avenida Antônio Carlos, construída lá nos anos 1940 para levar a classe mais opulenta da cidade ao complexo de recreação criado na Pampulha por JK e desenhado por Oscar Niemeyer, é reformada para a passagem do novo transporte de massa. O BRT rodará também na Pedro I, Pedro II e Região Central, vias com projetos em andamento.

A prefeitura prevê a passagem do novo veículo também pela Avenida Amazonas e inicia, em 2013, o projeto de implantação. Mas o modelo recebe crítica antes mesmo de chegar. “Cidades do mundo que pensam no futuro investem em bicicletas e carros elétricos. O BRT já é ultrapassado”, diz a professora e historiadora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Regina Helena Alves da Silva. Ela avalia que a capital nasceu com uma promessa de futuro, apostando no desenvolvimento, e isso ficou perdido em sua história.

De acordo com Lacerda, cerca de 50% da população usa o transporte de massa e a meta é passar para 70% em 2030. O que, nos cálculos da prefeitura, significa 1,5 milhão de passageiros por dia viajando de ônibus, metrô e BRT. O 115º aniversário da cidade deve ser marcado também pela abertura de mais corredores de tráfego. Desta vez, como no passado, não para simplesmente permitir o acesso mais fácil de pessoas a outras regiões, mas para desafogar as principais avenidas. Assim, serão concebidas as vias 710 e 210. A primeira cortará as regiões Leste e Nordeste, passando pelas avenidas dos Andradas e Cristiano Machado. A segunda ligará as avenidas Tereza Cristina, na Região Oeste, e a Via do Minério, no Barreiro.

E mais...

Outras intervenções ainda estão por vir. Junto com o governo do estado, o plano é investir R$ 3 bilhões no metrô e no transporte público da região metropolitana, como construção de terminais em sete municípios e um corredor de ônibus no Complexo da Lagoinha. O novo ano chegará com a esperança de que velhas promessas sejam concretizadas. Uma delas é a construção da nova rodoviária na tentativa de desafogar o Centro. Outra é a melhoria do Anel Rodoviário. Para o Vetor Sul, estudos estão sendo feitos para a implantação de um sistema de transporte de massa, mas a prioridade, segundo Lacerda, é que o metrô chegue à Savassi e ainda ao Belvedere.

E para onde a metrópole vai crescer? No Vetor Sul, o Belvedere já se encontra com Nova Lima e os condomínios da cidade da Grande BH atraem cada vez mais moradores, que decidiram fugir do barulho e do trânsito caótico da capital. Do outro lado, no Vetor Norte, a Região do Isidoro ainda não saiu do papel. Um projeto de urbanização, que mantém 45% do terreno permeável, foi feito na tentativa de impedir que a área verde de 10 quilômetros quadrados, maior que o perímetro da Contorno (8,9 quilômetros quadrados), continue sendo ocupada por moradias irregulares. O Isidoro é uma das últimas áreas não parceladas da capital e faz divisa com o município de Santa Luzia.

A data do aniversário, bem no fim do ano, serve ainda para renovar expectativas. E talvez a principal seja a tão esperada projeção no cenário internacional a ser conquistada com as competições internacionais de futebol. Em 2013, chega a primeira, a Copa das Confederações, e o Mineirão, estádio inaugurado em 1965, está quase pronto para abrigá-la. No ano seguinte, a Copa do Mundo, evento que vem fazendo, há alguns anos, a cidade mudar a cara. E que venham os visitantes. Belo Horizonte têm 115 anos de história para contar.

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