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Morte de estudante da Ufop reacende discussão sobre exagero de álcool entre alunos

Guilherme Paranaiba -

Publicação: 29/10/2012 06:34 Atualização: 29/10/2012 07:09

As ruas do Bairro Nossa Senhora do Rosário, em Ouro Preto, amanheceram de luto. Brasões de várias moradias de estudantes foram cobertos por sacos plásticos pretos. Era uma referência à morte de Daniel Macário de Melo Júnior, de 27 anos, aluno do curso de artes cênicas da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop). O estudante foi encontrado sem vida na manhã de sábado na cama do quarto que ele ocupava na República Nóis é Nóis depois beber em excesso na noite anterior. Um exame do Instituto Médico Legal (IML) de Belo Horizonte vai apontar as causas da morte do aluno, mas informações preliminares da Polícia Civil indicam que ele pode ter se asfixiado com o próprio vômito.

Segundo relatos de PMs, os companheiros de casa de Daniel o encontraram sem respirar por volta das 11h e imediatamente chamaram a polícia. O Samu também foi acionado, mas o estudante já estava morto quando a equipe chegou. De acordo com a PM, colegas do rapaz contaram que ele bebeu cerveja, uísque e energético durante uma festa na república que teria sido organizada para comemorar o fato de Daniel ter deixado de ser “bicho”, maneira como os estudantes se referem a calouros. Nascido em Guaranésia, no Sul de Minas, ele conseguiu ser aprovado este ano na Ufop depois de quatro tentativas (leia perfil).

Ainda segundo a PM, Daniel passou mal e foi posto para dormir por colegas. Na manhã seguinte, os companheiros notaram que ela não respirava. “Eles (os colegas) informaram que colocaram Daniel para dormir e também foram para suas camas. No dia seguinte, quando acordaram, perceberam que ele não respondia e chamaram o resgate e a PM”, disse o sargento Alexandro Ferreira da Silva. Uma versão mais detalhada, porém, foi contada por colegas de república a amigos e familiares de Daniel durante o enterro do estudante, ontem, em Guaranésia.

“Um deles me disse que ele (Daniel) chegou por volta das 23h de sexta-feira, já passando mal. Ele abriu a porta do quarto e foi dormir. Outro amigo falou que, por volta das 2h30 de sábado, passou lá e ele estava roncando, dormindo de bruços, com sinal de que tinha vomitado”, afirmou João Batista Afonso, de 47 anos, tio de Daniel que esteve no enterro. Segundo Felipe Laudade, de 32 anos, amigo do estudante, ele ouviu de companheiros do estudante de artes cênicas que ele havia estado em outra festa, com os colegas de sala.

O corpo de Daniel foi levado para Itabirito, antes de seguir para Guaranésia. Segundo informações da Polícia Civil de Ouro Preto, o médico-legista constatou indícios de que o aluno da Ufop tenha se asfixiado com o próprio vômito. O laudo final, porém, ficará pronto em 30 dias. O delegado de Ouro Preto vai aguardar o resultado do exame de necropsia para avaliar se abre inquérito para apurar as circunstâncias da morte do estudante.

Álcool em excesso
A morte de Daniel chocou familiares do aluno e voltou a chamar a atenção para o consumo de álcool entre estudantes na cidade. No ano passado, pesquisa da Associação Nacional de Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) mostrou que os alunos da Ufop são os que mais admitem beber periodicamente ou sempre entre universitários do país (leia mais na página 20). Para parentes de Daniel, o rapaz passou a beber mais depois que foi morar em Ouro Preto. O tio do estudante considera que os colegas dele poderiam ter tido mais atenção. “Não quero culpar ninguém, mas você fica cheio de interrogações na cabeça. Quando ele chegou passando mal, não passou pela cabeça de ninguém levar para o hospital? Acho que teve um pouco de negligência”, desabafou.

Nas repúblicas de Ouro Preto, ninguém quis se manifestar. “Não vamos falar nada. Estamos de luto. Foi uma fatalidade”, defendeu uma moradora de república. A Rua Doutor Cláudio Lima, onde fica a república Nóis é Nóis, estava vazia. Um ônibus cedido pela Ufop levou os moradores até Guaranésia para o enterro. Na entrada do imóvel, ainda havia sinais da festa da última sexta-feira, com caixas de cerveja e marcas de sujeira.


Estudante da Daniel Melo morre em república em Ouro Preto depois de beber em excesso.  ((Reprodução/facebook ))
Estudante da Daniel Melo morre em república em Ouro Preto depois de beber em excesso.
PERFIL


Daniel Macário de Melo Júnior, conhecido pelos apelidos de Juninho ou Bode, tinha 27 anos. Em sua cidade natal, Guaranésia, no Sul de Minas, participava de um grupo de teatro amador e cantava em uma banda de forró. Também dava aulas gratuitas de teatro para crianças. Morava desde o início do ano em Ouro Preto, onde cursava o segundo período de artes cênicas. Era o terceiro de quatro irmãos. Seria o primeiro da família a obter um diploma universitário

 

ENTREVISTA
Daniel Macário de Melo, aposentado, pai do estudante

‘Espero que sirva de lição’’

Em entrevista ao Estado de Minas, a voz gagueja e treme ao telefone. O aposentado Daniel Macário de Melo, de 60 anos, tenta se conter, mas não esconde a saudade do filho, a quem chamava de Juninho. E revela que ele e a mulher, Enedina Afonso de Mello, de 54, sentem-se culpados pela morte do terceiro da prole de quatro irmãos.

Como era Daniel?
Ele era muito alegre, animado. Gostava de imitar os outros, de brincar, contar piada. Era muito querido. Já sepultei meu pai, minha mãe, um irmão mais velho... Mas filho parece que dói mais. Agora, um tem de dar força para o outro. Precisamos nos fortalecer e tocar o barco.

A notícia de que ele teria bebido demais antes de morrer surpreendeu a família?

Aqui, de vez em quando ele exagerava, mas a gente estava por perto pra cuidar dele. Deu pra ver que os amigos (de Ouro Preto) são atenciosos. Acho que eu e Enedina devíamos ter alertado para que ficassem de olho quando ele bebesse muito. Nós falhamos nisso. Se a mãe estivesse lá, teria dado um jeito de levá-lo ao banheiro, pra ele refrescar e melhorar um pouco. Espero que o que aconteceu sirva de lição para os jovens, para maneirarem um pouco.

Colaboraram Paula Takahashi e Tiago de Holanda

 

Tags: celular

Esta matéria tem: (25) comentários

Autor: CARLOS ALBERTO GONÇALVES
Concordo com Lenadro Augusto Andrade. O Daniel, além de ser um excelente amigo, companheiro, era também uma pessoa com consciencia social aprimorada... Agia e acreditava em trasformação através da arte... Prova disso foi as inúmeras crianças que tiveram a honra de o ter como professor de teatro... | Denuncie |

Autor: Leandro Augusto Andrade
Mário, a matéria diz onde Guaranésia fica, se é que você sabe ler, e ela é bem pequena, um pouco maior que seu cérebro. | Denuncie |

Autor: Luciana LM
Cont: Ao invés de todo mundo julgar e falar coisas preconceituosas sobre a UFOP e seus alunos, porque apenas não fazem uma oração por quem se foi e pelos seus familiares e amigos que estao sofrendo?? | Denuncie |

Autor: Luciana LM
Segundo o dicionário: "Preconceito (prefixo pré- e conceito) é um "juízo" preconcebido, manifestado geralmente na forma de uma atitude "discriminatória" perante pessoas, lugares ou tradições considerados diferentes ou "estranhos". Costuma indicar desconhecimento pejorativo de alguém, ou de um grupo s | Denuncie |

Autor: Mario Oliveira
Guaranésia inteira?????Onde fica isso???Deve estar contando com a região metropolitana de Guaranésia...... | Denuncie |

Autor: Leandro Augusto Andrade
Todo mundo aqui fala com tanta autoridade, nem conhecem esse rapaz. Daniel foi a pessoa mais fantástica que eu e acredito que Guaranésia inteira já conheceu. | Denuncie |

Autor: Leandro Augusto Andrade
(Cont.) Além disso, sempre ajudava todo mundo, em tudo, não sabia dizer não. Filho maravilhoso, homem trabalhador e honesto, o melhor amigo que uma pessoa podia ter. Gostaria que todos respeitassem os amigos e a família que ficaram sem essa maravilhosa pessoa que foi o Daniel. | Denuncie |

Autor: Leandro Augusto Andrade
Faltou dizer q em Guaranésia Daniel trabalhava em 3 lugares(como professor numa fazenda, num grupo de teatro em Guaxupé e nas escolas municipais)como professor de teatro além de ministrar aulas gratuitas a crianças de um projeto na associação a qual pertencia,além de tocar em várias bandas da cidade | Denuncie |

Autor: Leandro Augusto Andrade
Quanta baboseira. Meu amigo não fazia uso de drogas. Essa história está muito estranha, são muitas versões para um único fato. Se Deus quiser ainda vamos descobrir a verdade. Ele tinha um colega de quarto pq só 12h ligaram para mãe, e mais ele me dizia que era obrigado a beber pinga p pagar castigos. | Denuncie |

Autor: Damiao Barbosa
Funciona mais ou menos assim: Cocaina alcool = overdose = Jimi Hendrix, Janis Joplin, etc. Me polpem de comentários sórdidos. Infelizmente. Muita droga e muito alcool, poucos conseguem por muito tempo. | Denuncie |

Autor: anisio oliveira
Meus sentimentos aos Pais e familiares. | Denuncie |

Autor: anisio oliveira
Funciona assim: enchemos nossa cabeça com porcaria (telenovelas e outras baboseiras da TV) que ensinam a trair e desrespeitar aos outros. Enchemos a barriga de veneno (bebida alcoólica e outras drogas). Queremos um resultado melhor? Poderia ter sido na rua atropelado por outro bêbado. Lamentável. | Denuncie |

Autor: silas bicca
Triste fim para um jovem. Também é duro saber que toda a sociedade custeia, através dos impostos, os estudos de alunos de Universidades Federais que não estão no ensino superior para dar retorno à sociedade e sim para promover bebedeiras e consumir drogas. | Denuncie |

Autor: Alexander Freitas
Mais um republicano termina, comprometido ao morrer, meteu-se com a Cangibrina, morreu de tanto beber! Eu desteto George Bush desde a guerra do Kwait, e Minas, grande-BH têm se tornado ou entornado uma grande extensão do Texas. Não pensem que cachaça é água, porque cachaça não é água não! Tubaína! | Denuncie |

Autor: agda barros
VIDA DESREGRADA, FALTA DE CUIDADO COM O CORPO E PRINCIPALMENTE COM A MENTE, DÁ NISSO. AS PESSOAS CADA VEZ MAIS NÃO ESTÃO TENDO EQUILÍBRIO EMOCIONA´L, AÍ SE ENTERRAM NAS DROGAS, NO ALCÓOL, NA VIOLÊNCIA... | Denuncie |

Autor: Ivair Souza
Imbecilidade com muita bebida só dá nisso. Deixar um filho morar nestas repúblicas é entregá-lo para o capeta. | Denuncie |

Autor: Juliana Morais
Qto mais bêbados e drogados, melhores eles acham que estão. São referências nisto. Sei que muitos que não participam, são tb rotulados. Quem procura acha! | Denuncie |

Autor: Juliano Pessoa
Liuiz Breyner, vc e um alienado, ja tive aulas com vc e sei o quanto vc e louco. | Denuncie |

Autor: Bruno Barroca
como o luiz falou, estas rés-publicas, coisa do povo, são locais de perdição, sexo e uso de drogas, que acolhem playboys que saem de suas casas para ''uma nova vida'' de estudo, mas estudo mesmo que é bom nada, e dá nisso ai...Pela foto, não me parece que o daniel era novo não, deveria ter noçao... | Denuncie |

Autor: Mario Oliveira
(cont)...e verão que muitos terão problemas físicos, psíquicos e terão, inclusive, a carreira comprometida... | Denuncie |

Autor: Mario Oliveira
Os jovens de hoje acham bonito beber! Vejam as meninas...como bebem! Só que não sabem se controlar e acabam passando dos limites.As festas rave e outros eventos só 'rola' isso e drogas mais pesadas.....daqui uns 10 a 15 anos observem esses jovens que se alcoolizaram em demasia..... | Denuncie |

Autor: Jordan Araujo
Apesar das várias denuncias e ações da polícia, a REITORIA da UFOP continua a negligenciar o problema. Quantos ainda vão perecer? Como pai, e estudante fico triste com a morte, inconformado com a negligência e ansioso por justiça. | Denuncie |

Autor: Teo Fernandes
A cachaçada que rola em Ouro Preto é fora do comum. | Denuncie |

Autor: Lázaro Damaceno
ENTÃO PRA DEIXAR DE SER BICHO TEM QUE BEBER ATÉ MORRER. QUE MENTALIDADE!!!!!! | Denuncie |

Autor: luiz breyner
Estudei em Ouro Preto, trabalhei O e me aposentei lá. As repúblicas são cassinos, antros de drogas e formação da classe dominante desse triste Brasil. Lembro-me em 1957, eu com 7 anos vi os estudantes caídos nas sargetas no 12 de outubro. Essa morte não foi a primeira e nem será a última. | Denuncie |

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