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BH está entre as capitais do país com maior crescimento no número de automóveis Os dados são do Observatório das Metrópoles e usa dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) de 2001 a 2011. Manaus é a campeã se contar todas as cidades

Estado de Minas

Publicação: 02/10/2012 10:27 Atualização: 02/10/2012 16:56

A frota das 12 principais capitais do Brasil praticamente dobrou em dez anos. O crescimento médio no número de veículos foi de 77%, sem que a infraestrutura viária e os órgãos de controle do trânsito acompanhassem o ritmo. Entre as maiores metrópoles, Belo Horizonte foi a que registrou o maior crescimento relativo no número de automóveis nos dez anos considerados nesta análise, com um percentual de crescimento superior, inclusive, a média nacional. Em 2001, a frota da capital mineira era de 841.060 veículos e, com um aumento de 108,5%, atingiu a marca de 1,7 milhão em 2011. Em BH, foram acrescentados em média a cada ano 91.235 veículos.

A conta é do Observatório das Metrópoles e usa dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). Segundo o elaborador do estudo, o pesquisador Juciano Martins Rodrigues, foram analisadas informações de 253 municípios. “Usamos os critérios do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) para selecionar as capitais de Estado que formavam regiões metropolitanas”, afirma.

Em São Paulo, a metrópole que mais ganhou carros em números absolutos, as ruas receberam 3,4 milhões entre 2001 e 2011. As 12 principais metrópoles somam 20 milhões de veículos, o que corresponde a 44% da frota nacional. Com o critério porcentual, a região metropolitana de Manaus é a campeã. O aumento da frota foi de 141,9%. A cidade ganhou 209 mil veículos (saltou de 147 mil, em 2001, para 357 mil).

São Paulo e Rio, capitais que já tinham as maiores frotas de carros do País, ficam nas últimas posições do ranking elaborado pelo estudo - que classifica o crescimento de frota de acordo com o crescimento relativo, ou seja, pelo porcentual de aumento do número de carros. O Rio é o lanterna: crescimento de 67%, embora isso signifique acréscimo de 1 milhão de carros no período. Já São Paulo teve crescimento populacional de 7,9% na década, segundo dados da Fundação Seade - e o porcentual de aumento de carros foi de 68,2%.

Nas metrópoles temos hoje 3,3 habitantes para cada veículo de passeio, o que corresponde aproximadamente a um veículo para cada domicílio. Algumas delas, porém, apresentam o índice de habitantes/veículos ainda menor. Como são os casos de Curitiba, com 2,2 hab/veiculo, Campinas com 2,3 hab/veículo, Florianópolis e São Paulo, com 2,5 hab/veículo cada uma.

Outras metrópoles, sentindo o reflexo do crescimento expressivo no número de automóveis, apresentam o índice bem próximo a essas já mencionadas. Como são os casos de Belo Horizonte, Brasília e Goiânia. Na metrópole mineira o índice de habitantes por veículo caiu de 5,2 para 3,1 entre 2001 e 2010, resultante de um aumento de 88,5% do número de automóveis. Em Brasília, considerando sua região de desenvolvimento integrado, no mesmo período esse aumento foi de 86,6%, enquanto sua população aumento em 20,4%, com isso seu índice de hab/veículo passa de 4,7 para 3,2. Em Goiânia, onde o aumento no número de veículos foi de 81,5%, o índice passou de 4,4 para 3,0 hab/veículo.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD/IBGE) têm revelado também que um maior número de pessoas leva mais tempo em seus deslocamentos cotidianos. Tem-se tornado um martírio enfrentar longas distâncias, engarrafamentos e as constantes panes do sistema público de transporte. Uma verdadeira via-crúcis. Na região metropolitana de Belo Horizonte, por exemplo, o percentual de pessoas que levavam mais de uma hora no trajeto casa trabalho passou de 13,5%, em 2001, para 16,5%, em 2008. Em São Paulo, o recorde de congestionamento, que foi batido por duas vezes no mesmo dia em 2009, chegou a 294 km. Nesse mesmo período, Belém aumentou por 10 vezes o número de motocicletas e em São Paulo elas passaram de 400 mil para 1,4 milhão.

Capitais não estão preparadas

As capitais não estavam preparadas para receber tantos carros a mais. Em São Paulo, por exemplo, em 2001 havia 1,2 mil agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) orientando o trânsito nas ruas. De lá para cá, mesmo com dois concursos públicos para marronzinhos, esse número não chega a 2 mil. A principal obra viária no período foi a ampliação da Marginal do Tietê, que trouxe mais três pistas para a via expressa. Nesse período, a velocidade média dos carros no horário de pico, medida pela CET no Corredor Eusébio Matoso-Rebouças-Consolação, caiu de 17,9 km/h para 7,6 km/h.

O crescimento da frota de veículos é um fenômeno que vem sendo notado há alguns anos, mas ainda não havia sido analisado como o Observatório das Metrópoles fez. Para especialistas e autoridades, o avanço resulta de três fatores: aumento da renda da população (especialmente da classe C), reduções fiscais do governo federal e facilidades de crédito promovidas pelos bancos. O gerente aposentado Pedro Manzoni, de 73 anos, é um exemplo. Dono de um Corsa zero-quilômetro, diz trocar de carro a cada vez que o veículo atinge 20 mil km rodados. “Já cheguei a ter cinco em casa, quando os filhos moravam comigo. Hoje, tenho apenas o meu, mas os filhos continuam com os deles.”

O arquiteto e urbanista Benedito Lima de Toledo, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU-USP), afirma que, em São Paulo, o núcleo viário central da cidade não acompanhou o crescimento da frota. “E isso não é desejável”, afirma. Para ele a cidade não pode ser redesenhada para se adequar ao número de carros. “Isso tem um preço social altíssimo, e a conta é paga por todos, não só por quem tem carro.”

Para Toledo, os ajustes que precisam ser feitos para minimizar o trânsito caótico passam não só pelo aumento da malha do Metrô, mas por um replanejamento das áreas de paradas metroviárias. “As estações precisam ter comércio, prestação de serviço. Não ser uma 25 de Março, mas lojas que atendam às necessidades básicas das pessoas.”

(Com informações da Agência Estado e Observatório das Metrópoles)
Tags: celular

Esta matéria tem: (21) comentários

Autor: sidnei souza
tantos carros, para que mais taxis, nas ruas se nao temos como movimentar, que incompetencia | Denuncie |

Autor: Paulo Barbosa
A infraestrutra urbana brasileira, não está preparada para tantos veículos. Chegará a hora que não haverá espaço suficiente para tantos veículos com apenas um passageiro, como acontece atualmente. Se os governantes não investirem em transporte coletivo decente, o trânsito nas grandes cidades para. | Denuncie |

Autor: pablo
E digo mais: aquele buraco do metrô na Pça Sete é mais inverossímil que a estória da Chapeuzinho. Não tem bobo aqui não! | Denuncie |

Autor: Anderson Lima
Quero ver daqui a uns cinco anos onde a PBH vai enfiar esse tanto de carro. Faz rodizio, mas não faz METRÔ... Tem de rir mesmo desse terceiro mundo de merda... Hahahahahahah | Denuncie |

Autor: pablo
Kit de maquiagem para o PIB. Uma cidade é próspera quando os ricos usam transporte coletivo. A solução para 80% dos problemas de transito em BH é investir no transporte público, fora de época de eleição, claro! Essas obras pela cidade não me convencem. BH é um abacaxi que poucos saberão descascar. | Denuncie |

Autor: gilberto teixeira bueno bueno
NAO VEJO NADA DE ERRADO EM COMPRAR CARRO E VER ESSE CRESCIMENTO,ATE PORQUE ISSO EH SINAL DE PROGRESSO, MAS O PROBLEMA EH OS CORRUPTOS,E O BURROS QUE COMO DISSE AI O EDILSON GUIMARAES SO FAZEM CAMBIARRA E MUTILA A AVENIDAS.ENGENHARIA DE TRAFEGO AKI EM BH EH COISA MAIS BURRA QUE JA VI EM TODA VIDA . | Denuncie |

Autor: renzo Barreto
É masi dinheiro,mais impostos ,masi consumo, o fato é qeu esse dinheiro todo tem que ser repassado a obras de infra-estrutura para melhorar a cidade comom um todo.. | Denuncie |

Autor: leonardo pereira
prezado Luiz Chaves , tem uma cidadizinha na região de ponte nota chamada jequeri, que se nós pegarmos a estrada agora em dentro de 04 horas bem devagar estaremos lá para darmos milho para galinhas e engoradarmos um porco para o natal....lá não existe transito!!VAMôooooooooooooo PRA ROÇA MINHA GENTE! | Denuncie |

Autor: Lucio Nome
Solução: parar de ter filhos por 20 anos e não fabricar nenhum veículo zero por 10 anos. Quem sabe assim teremos uma cidade melhor. | Denuncie |

Autor: Lucio Nome
Ontem fiquei 45 minutos no ponto esperando o 9501. O subúrbio (a quem chamam de Metrô só para falar que temos) está superlotado. Até quando o poder das empresas de ônibus irá atuar na proposta de solução para mobilidade em BH? Se não fossem as pseudo obras da Copa estaríamos à míngua. Votar em quem? | Denuncie |

Autor: Mario Silva
Foi a campeã no aumento da frota porque o transporte público de massa em BH e na RMBH é um inferno, o pior do Brasil. O metrô simplesmente não existe, ônibus em péssimas condições e sem conforto. A única coisa que se faz aí é colocar sinal e radar para travar o direito de ir e vir das pessoas. | Denuncie |

Autor: Marcos Vitório Barbosa Zacarias
Vender carros não tem problema algum. Os impostos obtidos com essas vendas que deveriam criar infraestrutura para os automóveis circularem. 50% do valor na nota fiscal é imposto. | Denuncie |

Autor: Luiz Chaves
o negocio é ir para roça... to de saco cheio desta disgraça pelada de transito.. so vai piorar... | Denuncie |

Autor: Leonardo Monteiro
Gente... reflitam sobre o voto... Não deixem que os corruptos roubem mais. Precisamos de ações que melhorem as condições de infra-estrutura. Precisamos de mais hospitais e bons atendimentos. Precisamos de mais segurança. Ou seja, estamos ferrados pois nenhum dos condidatos são íntegros. | Denuncie |

Autor: Leonardo Monteiro
Estamos ficando nas mãos dos dosnos das montadoras pois quando eles ameaçam demitir, o governo corre e diminui o IPI para venderem mais carros e evitar as demissões. Ou seja, estamos nas mãos destes gananciosos. | Denuncie |

Autor: Leonardo Monteiro
A BHTrans todo ano diminui a quantidade de horários de ônibus. Os Metrôs não atendem a necessidade. Os serviços são péssimos. Motoristas acham que carregam porcos ou vacas. A presidenta diminui o IPI para aumentar o consumo. Em resumo: A população acaba comprando carros e mais carros. | Denuncie |

Autor: Prime Time 85
Se for contar o aumento de linhas de onibosta e de carros, devem ser mais de 10000 veículos por ano. | Denuncie |

Autor: Leonardo Monteiro
É muito triste a gente ver a degradação da cidade. Tínhamos até pouco tempo atrás, uma Belo Horizonte boa para se viver. Um trânsito bom e pessoas civilizadas. O que vemos hoje é o famoso "salve-se quem puder". O consumismo está acabando conosco. Está tudo errado... | Denuncie |

Autor: Eusimar Amorim
Pior é não fazer nada como nos últimos 20 anos. | Denuncie |

Autor: Rodrigo Andrade
A cultura aqui é a seguinte: "consegui dinheiro, comprarei carro". Com essa mentalidade acho difícil mudar esse quadro. Podem investir em BRT, METRÔ, TREM BALA, ÔNIBUS LUNAR, qualquer coisa. Pessoal compra carro por hobby. | Denuncie |

Autor: Edilson Guimaraes
E o que nossos gestores fazem para motivar os usuários a usar o transporte público? A porcaria do BRT. Essa gambiarra não vai tirar um carro sequer da rua. Cheia de adaptações, estrangulamentos, mutilação de venidas, é uma verdadeira "gambiarra, dentro da gambiarra". Estamos ferrados. | Denuncie |

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