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Edifício Mariana no Centro de BH é reduto de noivas Em 12 andares, são inúmeros vestidos brancos e todos os serviços para o dia do sim

Jefferson da Fonseca Coutinho - Estado de Minas

Publicação: 04/07/2012 06:00 Atualização: 04/07/2012 07:03

Melissa se casa em março e já escolheu o modelo que vai usar
 (Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
Melissa se casa em março e já escolheu o modelo que vai usar


No quarto andar, de sacola com roupa de festa no braço, a moça esbelta passeia os olhos claros, iluminados, pelos 35 vestidos brancos da vitrine. Marcela Soares, de 28 anos, técnica em contabilidade, sonha com o altar desde que foi pedida em casamento no final do ano passado. “É em dezembro do ano que vem… mas passa rapidinho, né!” Acanhada, não quer foto para a reportagem. Pede licença e segue de namoro com o traje de luxo para o tão esperado fim de 2013. Desde janeiro, nos dias de folga, a contadora passeia pelos 12 andares do arranha-céu das noivas de Belo Horizonte, o Edifício Mariana, construído em 1940 e patrimônio cultural da cidade. Marcela está entre as 2,5 mil pessoas que passam todos os dias pelo prédio que fica na Avenida Afonso Pena, 526, no Hipercentro, sonhando com o dia do sim. Até os anos 1970, foi conjunto de salas de dentistas, advogados, médicos e alfaiates. Depois, ponto de pronta-entrega nos anos 1980. Hoje, o que movimenta o endereço são as confecções e serviços especiais para o casamento.

Pâmela Protes, de 30, na companhia da madrinha Rândria Caroline, assim como Marcela, está empenhada em garantir o inesquecível no futuro mais próximo: 18 de agosto. Com tudo muito bem cuidado nos mínimos detalhes, busca agora pelos corredores do Mariana o melhor para a ornamentação e o buquê. De namoro e noivado, ela conta um ano e meio. Fala em união duradoura pela vontade de fazer o outro feliz. “A vida a dois é uma proposta de compartilhar. É uma troca. Quando os dois trabalham, um pela felicidade do outro, o relacionamento se torna mais feliz”, considera. A psicóloga diz estar vivendo uma mistura de sentimentos com a data que se aproxima. Ansiosa, feliz, Pâmela separa desejo de sonho com o altar. “Sonhar é algo muito forte. Eu desejava. Não conseguia ver o casamento…”, revela, sem esconder a alegria da expectativa.

O trançar de madrinhas, debutantes e damas também é intenso nos pisos do prédio. Mas são as noivas quem mais chamam a atenção. Paulo Sérgio, prestador de serviço de grande confecção no endereço, à espera do elevador comenta: “Venho aqui quase todos os dias. Minha diversão é descobrir pelo rosto quem é noiva e quem é madrinha. Nem olho para mão que é para não ver a aliança”, diverte-se. E tem diferença? “Tem, uai! A madrinha tem a cara mais feliz”, sorri. Para ele, “especialista”, as noivas são sempre as mais nervosas. “Olhe aquela moça ali… é noiva”, aponta para a porta perto da escada. De fato: Carolina, noiva, com casamento marcado para setembro. Apressada, a moça diz não ter tempo para conversar.

Vida a dois

Fora as impressões de frequentadores e passantes, Márcio Deslandes de Matos, de 57, conhece bem o Edifício Mariana – tombado desde 1994. O encarregado geral do condomínio há 38 anos ajuda a construir a história do lugar, ponto emblemático da Região Central. “Nos anos 1990 os serviços para noivas começaram a ganhar o prédio. Das 272 unidades, 70% estão por conta de casamento”, diz. Márcio conta, orgulhoso, que o filho Leandro e a nora Bruna se casaram com todas as providências tomadas no Mariana. Casado há 35 anos, Márcio considera que “apesar dos pesares” o matrimônio está em alta e o movimento só tem aumentado. “As pessoas se casam e com um ano estão se separando. Hoje, parece que não têm mais cabeça para a vida a dois. Esse casa e descasa é bom para o comércio e para os advogados. Não é bom para a família, para os filhos”, lamenta.

No que depender de Cíntia Fraga, de 26, a união dela com Maurício, de 32, “vai ser para toda a vida”. A comissária de bordo aproveitou o dia de folga fora da ponte aérea para escolher o vestido curto para a festa. Com quatro anos de namoro, um de noivado e casamento marcado para 15 de dezembro, Cíntia diz viver momento pleno de realizações. “Sonhava ser comissária e me casar. Estou no melhor momento da minha vida, com muitas realizações ao mesmo tempo. Sinto-me num pomar, feliz, colhendo os frutos das árvores que ajudei a plantar”, suspira. Cíntia, de carisma e beleza admiráveis, é só sorrisos e gentilezas com a plateia de atendentes do Mariana. Veste-se com o véu e faz pose de noiva na sacada do edifício. Na Avenida Afonso Pena, os passantes entortam o pescoço.

Pâmela levou a madrinha para ajudá-la a escolher o vestido (Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
Pâmela levou a madrinha para ajudá-la a escolher o vestido


Na Rubi Noivas, Leila Maria da Silva, de 31, está de casamento marcado para 2014. Já há 9 anos na companhia do cozinheiro Rafael, com quem tem o pequeno Gabriel, de 2, Leila diz estar motivada pela alegria das noivas, clientes da loja. “Engraçado… antes não pensava em me casar vestida de noiva. Agora, acho que fui contagiada pela felicidade das meninas. É tanta esperança, tanta alegria que eu me vejo assim todos os dias. Isso me fez querer casar com o meu marido”, revela. Pelo corredor, no 9 º andar, mãe e filha caminham lado a lado. Luciene, de 23, não quer escolher o vestido sem a aprovação da mãe, Neuza. “Ela ajudou a escolher o noivo, vai ter que ajudar com o vestido”, diz. Luciene faz graça com o fato de a mãe tê-la apresentado ao noivo durante uma festa junina, em Contagem, no ano passado.

Preço do sonho

Roseane Teles Trindade Frade, da Brilho de Noiva, diz que trabalhar no ramo é viver o sonho junto com as clientes. Mostra parte das 10 salas e exibe os 35 manequins com vestidos para todos gostos e bolsos – com preços para locação que variam entre R$ 600 e R$ 1,8 mil. Para confecção exclusiva, com devolução depois do uso, o custo é partir de R$ 2 mil, podendo chegar a R$ 6 mil. Melissa Vivian, de 20, com casamento marcado para 18 de março, se veste para o EM. Mas o modelo escolhido para o dia é outro. O noivo, Júnior, do Bairro São José, não vai conhecer o vestido escolhido pela companheira nas páginas do jornal. Não vale quebrar o encanto. Fica uma amostra, Júnior, de quão bela Melissa vai ficar vestida de branco.

O edifício em números


2,5 mil
pessoas circulam por dia pelo prédio

R$ 600
é o valor mais baixo para alugar um vestido de noiva no Mariana

R$ 6.000
é o preço a que pode chegar um vestido exclusivo

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