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Perícia indica erro na amarração que prendia bobina de aço à carreta

Paula Sarapu

Publicação: 12/06/2012 06:00 Atualização: 12/06/2012 06:40

Peça de aço se soltou da carroceria, desceu a avenida e só parou dentro de posto (leandro couri/em/d.a press)
Peça de aço se soltou da carroceria, desceu a avenida e só parou dentro de posto


As bobinas de aço transportadas pelo motorista Jadson Santos Alves, de 26 anos, que provocou o acidente com três mortes na Avenida Nossa Senhora do Carmo, não estavam bem presas à carreta, segundo análise preliminar de peritos da Polícia Civil. De acordo com a delegada do Detran responsável pela prisão do caminhoneiro, Rosângela Pereira, a carga não foi acomodada corretamente.

“Preliminarmente, o perito me informou que a carga não estava presa como deveria, que não tinha estrutura para segurá-la no piso da carreta. Existe uma norma que deve ser obedecida para que as bobinas não se desloquem, e o laudo, que deve ficar pronto em até 10 dias, vai detalhar os problemas. A carga estava irregular no eixo e, por isso, já poderia estar instável”, afirmou a delegada ao
Estado de Minas.

Ela explica que a responsabilização criminal é do condutor do veículo, mas que na esfera cível as empresas contratantes do serviço podem ser condenadas. As bobinas pertenciam à Usiminas, que contratou a Seqtra Engenharia Logística e Negócios Sustentáveis para transportá-la. A transportadora, por sua vez, terceirizou a viagem para o dono da carreta, Dario Alves da Cunha, que mora em Ipirá (BA), mesma cidade de Jadson, que tinha carteira para dirigir veículos articulados havia apenas seis meses. Era a primeira vez que o caminhoneiro fazia um trabalho do tipo.

Para o consultor Silvestre de Andrade Puty Filho, engenheiro civil e mestre na área de transportes, a segurança nas estradas ainda é tratada no país de maneira amadora. “Esse acidente é um dos sinais claros, desde a formação do condutor, seu grau de experiência e maturidade, até a questão do transporte autônomo e a concorrência no setor, que faz com que nem todos os itens de segurança sejam observados”, considera.

Silvestre diz que a empresa contratante deveria ter tido a preocupação de conferir a forma como o produto estava sendo despachado. Já a transportadora, na opinião dele, também precisaria controlar os autônomos, cobrando garantias de segurança e informando a rota. “As bobinas não foram amarradas para aguentar um cavalo de pau. É uma sucessão de problemas que começam ou terminam no motorista, sem que ele seja coitadinho”, define o especialista. “Se falhou o freio, foi falta de manutenção, porque freio foi feito para funcionar.”

O advogado Carlos Cateb, especialista de transportes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e integrante da comissão que elaborou o Código de Trânsito Brasileiro, diz que a responsabilidade civil é de quem carregou as bobinas, mas afirma que a transportadora contratada pela siderúrgica responde solidariamente. “Eles têm que saber quem estão contratando quando terceirizam o serviço”, afirma. Cateb acredita que, se o carregamento das bobinas foi feito no pátio da empresa, outras questões deveriam ter sido observadas além da segurança, como a quantidade e o peso.

Em nota, a Usiminas informou que determina que as empresas contratadas por ela adotem procedimentos rigorosos no transporte de cargas. O texto afirma que a siderúrgica, “mesmo já exigindo controles de segurança superiores aos estabelecidos pela lei, continuará estudando formas de apoiar as transportadoras contratadas na melhoria contínua dos procedimentos”.

A Seqtra também respondeu por meio de nota aos questionamentos. De acordo com o texto, o transporte das bobinas foi feito com amarração em três cintas, procedimento que supera a norma exigida pela resolução do Contran, que estabelece a necessidade de duas cintas para bobinas de até 20 toneladas. A empresa esclareceu que o motorista tinha carteira de habilitação na categoria E há seis meses, mas que para guiar aquela carreta seria necessária apenas a categoria D, que Jadson tinha havia seis anos.
Ontem, uma testemunha do acidente prestou depoimento e fez representação criminal contra o motorista. O homem, cujo nome não foi divulgado pela Polícia Civil, estava com a irmã em um veículo. As informações prestadas também não foram divulgadas.

Advogada de Jadson, Mhychelle Maria Lima França, vai tentar novo pedido de habeas corpus para o cliente até o fim da semana. Ela afirma que o motorista atende os requisitos para responder ao inquérito em liberdade, e que vai recorrer ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais.

O que diz a lei

Resolução 293 do Contran, artigo 6º

I – Composição dos dispositivos de amarração da bobina: cintas ou cabos de aço, ganchos e catracas com resistência total e comprovada à ruptura por tração de, no mínimo, o dobro do peso da bobina.

II – Quantidades de dispositivos de amarração


a) Para bobinas com peso menor que 20 toneladas, deverão ser utilizados, no mínimo, dois dispositivos de amarração


b) Para bobinas com peso igual ou maior que 20 toneladas, deverão ser utilizados, no mínimo, três dispositivos de amarração

Esta matéria tem: (19) comentários

Autor: Bruno ..
Nunes, outra coisa, freada brusca muitas vezes são provocadas por vocês, que ao tentar ultrapassagem, não tem noção de quem está vindo pela faixa da esquerda e simplismente jogam suas carretas em cima.... | Denuncie |

Autor: Bruno ..
É Sr. Nunes, se tem alguem passando pela direita, é porque a faixa que o caminhão/carro lento deveria estar, está livre.... que comentário... como vc conhece de leis de trânsito... Quanto a freiar bruscamente, já ouviu dizer em distância de segurança? Aliás, vc que estava dirigindo este caminhão? | Denuncie |

Autor: FAUSTÃO FAUSTÃO
Foi a primeira coisa que foi dita por mim ao saber do acidente e ficar sabendo da soltura e desenrolar da bobina praticamente com minha experiência de estrada vi uma bobina desenrolar isto não passou de incompetência, tudo bem que ela cair enrolada provoca grandes estragos mais ao abrir ai sim o caos | Denuncie |

Autor: Marcus Sales
Gostaria de dizer ao senhor Nunes Nunes que sim cortam pela direita e etc. Mas se os caminhoneiros andassem na faixa da direita e tivessem consiência que não estão dirigindo um ford KA isso não aconteceria e os acidentes seriam menores, tem de punir pra esta gente aprender e tem de ser no bolso. | Denuncie |

Autor: Marcus Sales
Gostaria que os "motoristas" de veículos pesados percebessem que não estão em veículos de passeio no anel todo dia eles agem como se estivessem num ford ka em velocidade e ultrapassagens, mas como estão "protegidos" em suas cabines quem se lasca somos nós. | Denuncie |

Autor: jc coelho
Basta transitar no anel rodoviario ,são desenas de irresponsaveis dirigindo caminhões,e não respeitam ninguém,se vacilar passam por cima mata e dizem que perderam o controle,isso porque tá com a cabeça cheia de droga,é comum ver eles fumando ckak nos postos..CADE A POLICIA..... | Denuncie |

Autor: amaury santos
Deveriam ter veículos especiais para este tipo de transporte, assim com é feito para o transporte de carga inflamável. Ter também exigências maiores para conduzir cargas tão perigosas. | Denuncie |

Autor: Mario Oliveira
Porque quando foi parado para verificação de peso não foram feitas as vistorias quanto à amarração da carga,etc.??O poder público é omisso e deve ser responsabilizado também, inclusive interpelando(e punindo se for o caso) a quem 'fiscalizou' o veículo(funcionário da PRF,PRE, etc) | Denuncie |

Autor: Mario Oliveira
Porque quando os motoristas se submetem à exame para obter CNH em categorias acima da B, não têm curso(pesado) de segurança no transporte de passageiros e de carga? É só conhecer mecânica e dar uma voltinha no quarteirão??ridículo..só neste Pais mesmo.... | Denuncie |

Autor: Francisco FERREIRA
Com bobinas bem ou mal amarradas o crime começou na origem, ñ houve fiscalização desde quando iniciou o transporte.Assim é a todo momento,só andar no anel rodoviario,vê se de tudo menos fiscais.Vaõ ficar torcendo p/ acontecer outro,assim esquecem este. | Denuncie |

Autor: Francisco FERREIRA
Vai estourar nas mãos do motorista.E a fiscalização desde a contratação do serviço tercerizado até os de transito em BH?Ja sabemos quem vai pagar o pato,motorista e quem morreu.Os grandes ñ assumem: usiminas, PRF,transportadora,BHTRANS.PRVMG,etc.Todos são omissos nesta hora.Êta brasilzinho... | Denuncie |

Autor: Adalton Célio de Oliveira
Sociedade cega, geram erros coletivo. | Denuncie |

Autor: Nunes Nunes
Colocar nas aulas de legislação de trânsito, a importância dos motoristas da categoria "B", que são mais de 55% dos condutores no Brasil, em conhecer a dificuldade de mobilidade de um veículo de grande porte. Carreta não tem ABS! Automóvel tem. Carreta pesa 42 toneladas! automóvel nem 2 toneladas. | Denuncie |

Autor: jose costa
Tudo errado ! Caminhoneiro irresponsável, imprudente, criminoso. Carga pesada sem segurança correta. Os caminhões são BOMBAS transitando por nossas ruas. NÃO SE PODE MISTURAR TRANSITO URBANO COM ESSES ASSASSINOS! Que mofe na cadeia! | Denuncie |

Autor: Nunes Nunes
O grande problema dos acidentes que envolvem veículos de maior porte é a grande imprudência dos veículos menores. Cortam pela direita, fream bruscamente diante das carretas, fazem conversões laterais sem dar seta, dentre outros erros graves. Dá no que deu! Pessoas inocentes vítimas da imprudência. | Denuncie |

Autor: Ewerton André Souza
De onde que esta empresa tirou que pode-se dirigir veículo articulado com carteira categoria D? | Denuncie |

Autor: alvaro fer
corretissimo, cobra da usiminas ,da empresa contratada e do dono do caminhão. empresas que produzem produtos devem, ser responsabilizadas tambem. tambem tem de cobrar do policial que deixou ela rodar com peso extra(mesmo sendo 20kg). quem vai pagar os carros os serviços e o patrimonio publico. | Denuncie |

Autor: Carlos Silva
Infelizmente estes acidentes com bobinas são comuns. A USIMINAS deve ser rigorosa com seus prestadores de serviço e não permitir o carregamento de seus produtos em veículos inadequados. Acredito que por não haver qtde suficiente de veículos adequados, ela feche os olhos para os inadequados. | Denuncie |

Autor: janio miranda
É uma pena, conseguimos apontar as falhas só depois que acontece o acidente. Temos que apontar os erros é na prevenção, efetuando vistorias rígidas, só assim consiguiremos prevenir acidentes. | Denuncie |

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