Falta de educação do belo-horizontino motiva placas com dizeres óbvios

Mensagens óbvias ou bizarras remetem a uma educação básica e que deveria vir de berço. Placas instaladas no comércio, em residências e espaços públicos demonstram a falta de educação

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postado em 21/04/2012 06:00 / atualizado em 21/04/2012 07:45

Junia Oliveira / , Jefferson da Fonseca Coutinho /Estado de Minas

Maria Tereza Correia/EM/DA Press
Na porta da garagem, a placa pede para ninguém estacionar. Mesmo assim, muitos desrespeitam e param o carro displicentemente. No restaurante, o aviso sobre a bancada do self-service implora aos clientes para não comerem antes de pesar a comida nem tocarem os alimentos com as mãos, para o bem da higiene e saúde de todos. Em supermercado de uma grande rede, as sessões de bebidas lácteas e alcóolicas e de biscoitos informam sobre a vigilância com câmeras e sugerem ao consumidor não degustar para evitar constrangimentos . Placas com dizeres óbvios ou bizarros remetem a uma educação básica e que deveria vir de berço. Mas a frequência delas no comércio, em espaços públicos e na porta das casas revela um belo-horizontino que insiste em ignorar a boa convivência social, não importa em qual região nem a classe social.

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Nos banheiros da Feira dos Produtores, no Bairro Cidade Nova, na Região Nordeste de Belo Horizonte, as placas mostram o que até Deus duvida. No bebedouro, a sinalização pede para usar o equipamento com educação e higiene e lembra que é proibido lavar quaisquer objetos. No banheiro masculino, o aviso é para não lavar flanelas, fazer a barbar ou urinar no chão. No feminino, a sinalização alerta para as mulheres não jogarem papel no chão, absorventes no vaso e não subir no sanitário. Na lateral de loja, a informação perto de uma das saídas é clara: “Prezado cliente: favor não prender seu animal na grade”.

O gerente-geral da feira, Ricardo Mageste Vieira, tem casos e mais casos na ponta da língua. “Se não tiver as placas, é pior. Muitas pessoas entram nos banheiros para lavar pano e fazer a barba, e quando chamamos a atenção, o que por si só já deveria ser uma vergonha, têm ainda coragem de responder que estão pagando (a entrada no banheiro custa R$ 0,50)”, conta. Na Avenida Vilarinho, em Venda Nova, a placa da Prefeitura de BH que indica a proibição de jogar entulho foi solenemente ignorada e, ao redor, o lixo fala mais alto.

Na frente de vários prédios residenciais, a grama ganhou a companhia de placas indicando que ali há produtos tóxicos ou químicos para inibir a ação de donos de cães mal-educados que não recolhem as fezes dos animais. Do mesmo artifício usou o dono de um restaurante na Rua Piauí, no Bairro Funcionários, na Região Centro-Sul, na tentativa de conservar o jardim. “É tão absurdo que quando falamos alguma coisa a pessoa xinga, mesmo sabendo que está errada”, afirma Marco Antônio Campos Vasconcelos.

Bronca com a presença de cães também na mesa do bar. Na calçada tomada por mesas e cadeiras irregulares da Rua Adamina, no Bairro Santa Tereza, na Região Leste da capital, ao menos uma outra regra imposta pelo comerciante, dono do tradicional bar, espera ser cumprida: a que proíbe a permanência de animais no local. Já na Rua Mármore, no mesmo bairro, o proprietário do bar só tem interesse na freguesia mais bem comportada. Pelas paredes os avisos são taxativos e dizem não às batucadas e aos sujeitos descamisados. E as pessoas respeitam? “Ah, se o sujeito desobedecer… a gente não serve e ele vai ficar com sede e com fome”, diz o garçom.

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