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Ladrões de bicicleta aterrorizam ciclista na capital Onda de roubos de bicicletas, algumas com preços que equivalem ao de carros, revolta adeptos do esporte e até donos de lojas em BH. Belvedere é um dos focos da audácia de ladrões

Pedro Ferreira -

Publicação: 11/02/2012 06:00 Atualização: 11/02/2012 07:14

Pedalar em grupos, durante o dia e em regiões de grande movimento, como a Praça da Estação, é uma das estratégias adotadas por praticantes da modalidade para se proteger da violência  (Maria Tereza Correia/EM/D.A Press %u2013 15/1/12)
Pedalar em grupos, durante o dia e em regiões de grande movimento, como a Praça da Estação, é uma das estratégias adotadas por praticantes da modalidade para se proteger da violência


Quem decide comprar uma bicicleta nova não deixa de considerar as possibilidades de se exercitar mais, ter maior contato com a natureza e – por que não? – viver novas aventuras. Mas, para muita gente que resolveu aderir ao esporte em Belo Horizonte, essa opção se transformou em aventura de risco. Com equipamentos que chegam a custar o equivalente a um carro, furtos e roubos de bikes estão se transformando em pesadelo para ciclistas, especialmente de bairros como o Belvedere, na Região Centro-Sul, onde apenas nas últimas duas semanas de janeiro houve cinco vítimas, segundo a Associação Mountain Bike BH. O medo de assaltos, alguns praticados até com armas de fogo, é tamanho que já alimenta o mercado de seguros e incentiva providências radicais, caso de bikers que põem a “magrela” no porta-malas do carro para pedalar em outra freguesia ou mesmo tentam negociar com criminosos a devolução do objeto.

Faltam dados oficiais – já que muita gente não registra ocorrência por achar que não surtirá efeito –, mas a onda de assaltos, a maioria praticada por duplas em motos, já não se restringe aos ciclistas: chegou às lojas que comercializam o equipamento. Foi o que comprovou,  da pior maneira possível, Hugo Prado Neto, de 33 anos, cujo comércio, no limite dos bairros Belvedere e Sion, foi assaltado por seis homens armados, que chegaram em três motos. Desde então, as bikes mais caras que vende, importadas, que chegam a custar R$ 27 mil, não ficam mais expostas.

O roubo ocorreu em janeiro. Um dos ladrões tentou fugir em uma bicicleta de R$ 3 mil, descendo a Avenida Nossa Senhora do Carmo, mas, como ela estava sem pedais e com pneus vazios, a abandonou e escapou a pé. “Três assaltantes entraram na loja e três ficaram esperando do lado de fora, com as motos ligadas. Eram umas 15h e havia um monte de funcionários”, conta o empresário, que também é ciclista profissional, representa o Brasil em provas internacionais e vai participar da seletiva para as olimpíadas.

O advogado Luiz Felipe Menezes Lima mudou a rotina depois de ficar sem a bike de R$ 8,5 mil (Marcos Vieira/EM/D.A Press)
O advogado Luiz Felipe Menezes Lima mudou a rotina depois de ficar sem a bike de R$ 8,5 mil
O roubo com uso de arma não é exceção. O advogado Luiz Felipe Menezes Lima, de 34 anos, foi uma das vítimas. Por volta das 20h30 de uma terça-feira, ele usava a bicicleta que havia comprado um mês antes, por R$ 8,5 mil, quando foi atacado perto do BH Shopping. “Chegaram dois homens em uma moto. O garupeiro pulou na minha frente, com uma pistola cromada, gritando: ‘Perdeu, perdeu’. Encostou a arma na minha barriga e eu levantei os braços. O ladrão pegou a bicicleta que eu tinha acabado de comprar, colocou no ombro, montou na moto de novo e fugiu em direção ao Morro do Papagaio”, descreve a vítima. Luiz Felipe pretende agora comprar uma bicicleta mais barata, mas já resolveu que vai usá-la somente em companhia de outros ciclistas, durante o dia, em locais de grande movimentação de pessoas. “Eles pareciam violentos, loucos”, resume.

 A mudança de comportamento também foi a solução encontrada pelo biólogo Luiz André Pontes, de 43, depois de ser assaltado e ter um prejuízo de R$ 4,5 mil. Abordado por quatro homens armados, em duas motos, próximo à igreja do Belvedere, ele decidiu não andar mais pelo bairro. "Agora, coloco a bicicleta no carro, pego o Anel Rodoviário e vou pedalar dentro do câmpus da UFMG, na Pampulha. Não tenho mais coragem de sair de bicicleta perto de casa", disse. O assalto, segundo ele, ocorreu em dezembro. "Eram 19h30. Jogaram a moto para cima de mim e um deles colocou a bicicleta nas costas ", conta o biólogo, lembrando que o assalto não demorou mais do que 10 segundos, mas dizendo que o susto ainda não passou.


À luz do dia

O empresário Carlos Henrique Nery dos Santos, de 44, é dono de uma loja de bicicletas no Belvedere e conta que diversos clientes já foram roubados.A mulher dele, inclusive, conseguiu escapar de uma dupla de ladrões. “Antigamente, a gente era assaltado nas trilhas, no meio do mato. Agora, estamos sendo atacados no Belvedere, em plena luz do dia. Os bandidos levam a bicicleta e tudo o que a pessoa tem”, disse, relatando que muitos ciclistas decidiram fazer seguro para se prevenir. “Estamos pedalando em grupo, para ter mais segurança. Sempre que houver crime, a vítima deve registrar boletim de ocorrência para que a polícia tome providências. Lojas que comercializam bicicletas usadas também devem exigir nota fiscal da pessoa que está vendendo”, orienta o empresário.

Para ele, o preço das bicicletas – que são transportadas com facilidade, por pesar entre 10 e 12 quilos – não importa para os ladrões. “Eles não querem usar ou vender no comércio, pois os lojistas estão unidos e temos divulgado os roubos na internet. Na verdade, acreditamos que o objetivo principal é trocar as bikes por drogas”, disse o empresário.

Policiamento

O comandante da 124ª Companhia da Polícia Militar, major Marco Antônio Ferreira Espósito, responsável pelo policiamento no Belvedere, informou que o roubo de bicicletas não é um caso típico da região, mas que medidas preventivas estão sendo adotadas para o bairro. Ele disse que no mês passado foi preso um ladrão de bikes e um receptador, ambos do vizinho Aglomerado Morro do Papagaio, no Bairro Santa Lúcia, Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Uma bicicleta foi recuperada com eles, segundo o major. “É importante que o cidadão nos procure, bem como as associações comunitárias, para repassar informações que digam respeito à segurança pública e para discutirmos melhorias no policiamento”, disse o militar. A orientação dele é para que a vítima acione a PM diante de qualquer situação suspeita,  ação  que ajuda no policiamento preventivo.

 

Esta matéria tem: (12) comentários

Autor: Fábio Duarte
Roubo é roubo, se estiver em um velotrou ou uma bicicleta feia pela NASA, não da o direito a ninguém em nos perturbar.. Pena que no Brasil o interceptor não é punido.... | Denuncie |

Autor: Antonio Carlos V Cabral
Pais que nao da seguranca nunca sera de primeiro mundo. O roubo nao importa o valor ou o objeto, nem mesmo se a pessoa roubada tem grana ou nao. Roubo mostra o real nivel de desenvolvimento do pais.Impunidade e coluio. | Denuncie |

Autor: Fernanda Souza
Independente do preço da bike ou se o dono é um "bacana", ninguém têm o direito de roubar nada de ninguém. Adoro pedalar e a galera do pedal é do bem! Polícia para os ladrões de bikes! | Denuncie |

Autor: Elaine Carvalho
O pior é saber que deve ter ciclista deixando de comer pra comprar essas bicicletas.Nos próprios grupos de pedal,devem ter pessoas passando informação á respeito do valor das mesmas.Qualquer um pode chegar,fazer inscrição,comprar a camisa e pronto!Eis um ladrão infiltrado no tão seguro e seleto grupo | Denuncie |

Autor: Gaguigu Maciel
Para que haja assalto, é necessário que os ladrões lucrem com a venda. E isso só acontece porque tem gente que compra bike de ladrão. Então, não seja conivente com esse ciclo. Compre bike de boa procedência. Caso contrário, você pode ser o próximo a ser roubado por fazer esses roubos valerem a pena! | Denuncie |

Autor: Luiz Carlos Rodrigues
Também estou nessa. Dias atrás policiais conhecidos me pediram para sair da região onde andava por motivos de roubo de bicicleta. Aqui em Sete Lagoas. | Denuncie |

Autor: Frederico Alexandre
Minha bicicleta custa 600 reais , é feia e nunca fui assaltado. Agora tem muito " bacana" que reclama do roubo da bicicleta e é o primeiro a comprar peça roubada baratinha,,, | Denuncie |

Autor: RIcardo Machado
Pedalo no RUTs e pedalo no Le Velo, vejo realmente o quanto pedalar em equipe é mais seguro....geralmente eles preferem roubar quando vc está pedalando em subida, de preferencia se estiver subindo vá pela contra-mão, pois ai vc verá mais fácil os suspeitos....tranque a bike quando transportar! | Denuncie |

Autor: Marcílio miranda
Se estão roubando as bikes é porque tem gente comprando. Infelizmente a legislação penal branda no Brasil incetiva o crime | Denuncie |

Autor: sebastião costa
Não comprar bicicleta, deixá-la na loja. Não comprando não é roubado. Se hovesse lei para eliminar quem não presta para a sociedade, poderiamos comprar. | Denuncie |

Autor: Carlos Freitas
Muito simples!! Se virem algum garupeiro, com cara de ladrão fuleiro, montado numa moto fuleira, pilotada por outro ladrão fuleiro e transportando uma bike dessas, nem tem conversa. MÃO PRA CIMA E ENCOSTA NO MURO!!! | Denuncie |

Autor: Paulo Rocha
Bicicleta de 27 mil reais?? Se o camarada tem dinheiro pra comprar um exemplar deste preço... deveria andar só dentro do condomínio de luxo em que ele mora... Vila Alpina, Vila Del Dey, Vila Castela... Morro do Chapéu... | Denuncie |

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