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Veículos de carga estavam envolvidos em quase metade dos acidentes registrados em 2011 Uso de droga e cansaço de caminhoneiros ajudam a explicar desastres nas estradas mineiras

Mateus Parreiras

Publicação: 05/02/2012 07:08 Atualização: 05/02/2012 07:14

Com a maior malha rodoviária do país e servindo de corredor entre o norte e o sul, Minas sofre com intenso tráfego de caminhões e carretas (Paulo Filgueiras/EM/D.A.Press)
Com a maior malha rodoviária do país e servindo de corredor entre o norte e o sul, Minas sofre com intenso tráfego de caminhões e carretas
 

Praticamente um a cada dois acidentes em estradas mineiras tem o envolvimento de caminhões e carretas. A proporção alarmante é o que mostra – na última reportagem da série “Homens-bomba ao volante” – levantamento sobre dados de 2011 das polícias Militar e Rodoviária Federal. Das 40.166 batidas e atropelamentos registrados no ano passado, pelo menos 18.462 (45,96%) estavam relacionados ao transporte pesado. Os dados revelados pelo Estado de Minas foram reunidos pela primeira vez em sua totalidade, uma vez que a PM não divulgava de forma consolidada informações das 18 regiões militares nem as polícias detalham em seus números a participação de veículos de carga. A disparada nos desastres envolvendo essa categoria ocorre em uma circunstância na qual os acidentes de forma geral tiveram ligeiro aumento entre 2010 e 2011.

A violência envolvendo transporte de cargas não recuou nas primeiras semanas de 2012, como demonstrou acidente ocorrido ontem no Norte de Minas, quando uma cegonheira tombou sobre um carro e provocou três mortes. Retrato de uma situação que vem piorando ano a ano. Em 2010, o número de acidentes com veículos de carga foi 28% menor, chegando a 14.442 em todo o estado. “O uso de estimulantes como os rebites está entre os fatores que mais preocupam a polícia com relação aos acidentes. Temos conseguido reduzir a gravidade dos desastres, mas são números ainda muito altos”, afirma a porta-voz da PRF em Minas, inspetora Fabrizia Nicolai.

Relatório da PRF sobre os mortos em acidentes com veículos de carga em 2011 denuncia indícios da influência do consumo dessas substâncias e do extremo cansaço de condutores, que chegam a rodar mais de 24 horas. Do total, foram 60 mortes em saídas de pista, 52 em colisões frontais, que ocorrem geralmente quando se invade a contramão, e 37 em tombamentos. Em suas ocorrências, os policiais rodoviários federais indicaram como prováveis causas para esses acidentes a falta de atenção, em primeiro lugar, a velocidade incompatível com a via ou trecho, em segundo, e a não observância de uma distância segura de outros veículos.

Especialistas acreditam faltar investimentos e mudança de políticas públicas para frear essa carnificina. “O uso do sistema rodoviário para cargas é exagerado no país. Isso precisa mudar. Temos de destinar mais verbas, principalmente para as ferrovias”, aponta o especialista em transporte e trânsito da consultoria Imtraff, Frederico Rodrigues. “Tantos caminhões reduzem a vida útil das estradas, encarecem os produtos e diminuem a capacidade das vias”, diz.

Tramitam no Senado dois projetos que podem reduzir acidentes por meio da melhoria das condições dos trabalhadores do setor: o PLS 271/08, que trata do Estatuto do Motorista Profissional, e o PLC 319/09, que regulamenta a profissão. Para o diretor-executivo da Confederação Nacional do Transporte, Bruno Batista, ações que beneficiem os condutores são decisivas para reduzir acidentes. “Melhorar o fator humano é um caminho para termos menos mortos e feridos, bem como mais investimento nas vias e crédito para máquinas mais novas”, afirma.

O presidente da Associação Mineira de Medicina do Tráfego, Fábio Nascimento, critica a facilidade com que se conseguem carteiras D e E para dirigir carretas que carregam produtos perigosos. “Rapazes com apenas dois anos de carteira já podem ser caminhoneiros, ou seja, basta terem 20 anos. Isso se reflete na imprudência que vemos nas estradas e no uso de drogas e medicamentos.”

Dia a dia na boleia

Domingo


De carona na cabine de carretas conduzidas por motoristas exaustos, que admitem o consumo de estimulantes para rodar horas a fio, a série “Homens-bomba ao volante” teve início no último domingo mostrando cochilos ao volante e manobras perigosas.

Segunda-feira

Carretas enormes, que carregam mais de 50 toneladas, cheias de gambiarras e caminhoneiros em péssimo estado de saúde são como bombas-relógio. Blitz feita com a presença de médicos e mecânicos na BR-381 revelou um cenário alarmante.

Terça-feira

Prostituição de mulheres, travestis e menores de idade ao longo das estradas contribui com o tráfico de estimulantes para caminhoneiros. A terceira reportagem da série mostrou ainda que os programas tomam horas preciosas de descanso dos condutores.

Quarta-feira

Pais de família que hoje vegetam em camas sem qualquer esperança, motoristas vítimas de falta de manutenção e os órfãos das estradas são o lado mais cruel das estatísticas de acidentes com veículos de cargas, tema da quarta reportagem da série.

Quinta-feira

Como num diário de bordo das rodovias, os perfis no Twitter da Polícias Rodoviária Federal comprovam que acidentes com veículos de carga são o principal problema das vias mineiras e causaram, pelo menos, 34 dias de bloqueios nessas estradas
no ano passado.

Sexta-feira

Autoridades tentam, mas mal conseguem identificar motoristas que circulam sob efeito de álcool e drogas. A promessa de rigor veio depois de estatísticas mostrarem identificação de apenas 1,3% de caminhoneiros dopados em 2011.

Sábado


Cercada por mineradoras, vias como a BR-040 se transformaram em pistas de corrida para caminhoneiros que ganham por produção. Com um radar, O EM flagrou 62% deles acima da velocidade permitida.

20 mortes em 28 dias de apuração

Sob as ferragens retorcidas de automóveis ou debaixo de boleias esmagadas, pelo menos 20 pessoas perderam a vida e outras 49 se feriram em acidentes envolvendo carretas e caminhões desde que a série “Homens-bomba ao volante” começou a ser apurada, em 9 de janeiro. Dos 60 acidentes computados pelo Twitter da Polícia Rodoviária Federal (PRF), 34 tinham o envolvimento de veículos de carga. Um dos mais graves ocorreu ontem, na BR-122, em Espinosa, no Norte de Minas, onde uma cegonheira se envolveu em acidente com dois carros de passeio, matendo na hora três pessoas, depois de tentar uma ultrapassagem em faixa contínua.

O desastre que mais mortes provocou, no entanto, foi em Montes Claros, na BR-135, em 21 de janeiro. Morreram um bombeiro e quatro curiosos que observavam um acidente ocorrido pouco antes. Acabaram atropelados por um caminhão carregado de bois, que não conseguiu frear. No período ocorreram também apreensões impressionantes, como a do motorista detido embriagado na BR-050, em Uberlândia (Triângulo), em 24 de janeiro. Ele levava garrafas de cerveja e cachaça na boleia da carreta bitrem.

Esta matéria tem: (22) comentários

Autor: Jose Giordano Neto
Caminhões deveriam sair de fábrica com limitador de velocidade que corta o motor. Ainda devemos lembrar que o caminhão nem sempre se envolve diretamente na batida, apenas dá causa e prossegue viagem. Se contabilizarmos isso os números seriam maiores. | Denuncie |

Autor: luiz souza
Continuando: Estradas públicas tem que ter a manutenção que o dinheiro de impostos sugere que deveriam e poderiam ter. A convivência de tráfego veículos leves e pesados numa mesma via é intragável. Podemos usar nosso poder de crítica razoável e encaminhar à Câmara projeto que contemple tal sugestão. | Denuncie |

Autor: Bitencourt Bitencourt
Por que não iniciamos uma campanha para lei proibindo bi-trens? Coisa mais absurda. | Denuncie |

Autor: luiz souza
Acho que deveria abrir concessão para que empresas de transporte abram suas próprias estradas, separando tráfego de veículos leves e pesados, com pedágio para veículos leves que optarem por aquela. Estradas públicas são destruídas por veículos pesados além das consequências dos lamentáveis acidentes. | Denuncie |

Autor: Paulo Barbosa
O transporte ferroviário necessita ser modernizado, pois o excesso de cargas e o grande volume de caminhões de grande porte, associado ao péssimo estado precário das rodovias vem trazendo riscos cada vez maiores de acontecer acidentes de grande proporções. Falta de duplicação das BR-040 e BR-381. | Denuncie |

Autor: jose souza
Porque culpar o caminhoneiro,a culpa é dos patroes gananciosos e das autoridades. Para quem não sabe ,todos os veiculos de carga dispoem de um instrumento chamado tacógrafo, que monitora o veículo 24 horas é só nossas atuantes autoridades verificarem se os motoristas estão descansando o suficiente. | Denuncie |

Autor: Lázaro Damaceno
O PIOR E QUANDO COMEÇAR ACONTECER ACIDENTES ENTRE ELES. OUTRA PESSOAS INOCENTES SOFRERAM AS CONSEQUENCIAS. | Denuncie |

Autor: Edilson Guimaraes
Falta educação e vergonha. Haja visto o inusitado protesto dos motociclistas por melhor segurança. Só quem não tem vergonha pode reinvindicar uma coisa dessas. E fazer tudo ao contrário. | Denuncie |

Autor: paulo lage
esta assassinos que abastecem o brasil,si nao vcs morrer de fome,agora falta balança sim e todos se drogam mesmo pra conseguir dar mais viagens para pagar a prestaçao,por que o frete e uma porcaria,tem que subir o frete e tudo que se transporta,uma sacola de arroz que vem do sul tinha que custa 15 rs | Denuncie |

Autor: Mucio Figueiredo
... de locomotivas e vagões em território brasileiro, com fábrica instalada em Contagem. Por essas e por outras é que o governo não tem "vontade" de investir em ferrovias. Só o Brasil, entre todos os países de grande extensão territorial, não investe em ferrovias para transp. de passageiros e cargas. | Denuncie |

Autor: Mucio Figueiredo
... querem continuar com seus exorbitantes lucros da venda caminhões. Pra termos uma idéia, hoje o Brasil é o maior mercado mundial de ônibus e caminhões. As montadoras não querem mexer num filé desses e não querem nem saber de estradas de ferro. Por outro lado, a gigante GE é a única montadora... | Denuncie |

Autor: Mucio Figueiredo
A raiz do problema não está nos motoristas de caminhão, mas no Estado (executivo federal e estadual), que não tem um plano para aumento da malha ferroviária, não regulamentam a profissão, não fiscalizam as estradas; e das montadoras de caminhões que impedem ações do Estado nessa área, pois... | Denuncie |

Autor: Paulo Verner Andrade
É uma ilusão acreditar que o Estado está preocupado com acidentes de trânsito. Se estivesse, construiria ferrovias com o dinheiro dos prejuízos humanos e materiais dos acidentes. Mas ainda encontrarão uma forma de lucrar com os acidentes nas estradas, como já o fazem nas cidades. | Denuncie |

Autor: Felipe Lara
PRF no anel rodoviário??? Nem pra falar M... o cara não serve! | Denuncie |

Autor: francisco fornero
ai para tirar o veiculo so com fiaça do valor novo do veiculo ai quero ver esse povo dirigir um carro 2000 valor 15 mil pegue este mesmo veiculo ano 2012 e estipule a fianca dele no valor de um novo atual ai acaba a bebida no volante | Denuncie |

Autor: francisco fornero
a coisa e mais simples do que pareçe basta probir trafego de caminhoes nos finais de semana que evitaremos os 50% e mais alguma coisa i deixem estes doidos do volante se danar na estrada a lei e clara o cara ta bebado nao pode prender o cara papreende o veiculo e pronto so tire o veiculo segur | Denuncie |

Autor: sebastião costa
Pois é, ontem acertei ao comentar "MALDITAS CARRETAS". Só não acertei na mega sena. | Denuncie |

Autor: Kaisser Jose de Campos Mattar
Há de se computar ainda, que nos 46% dos acidentes, a tragedia é muito maior resultado da proporção maior do acidente. Não existe batidinha não. quando bate é para arregaçar. Ontem mesmo 5, acreditem, 5 carretas bateram. Pegue estes caras, e botem numa sala de reciclagem. | Denuncie |

Autor: jose costa
Vide Anel Rodoviário: CAMINHONEIROS=ASSASSINOS! E o DNIT e PRF e PM Rodoviaria CÚMPLICES! | Denuncie |

Autor: Deisy Eustaquia de Resende
Os caminhoreiros emperram o trânsito nas subidas sem dar passagem aos veículos que vem atrás,mesmo estando abaixo da velocidade minima que é a metade da máxima permitida para o local;a colocação de radares nas subidas para fiscalizar as velocidades minimas e paralelo possível sobrecarga é boa solução | Denuncie |

Autor: Edson Baeta
Se eles fossem mais fiscalizados, não estariam envolvidos em tantos acidentes, motorista de caminhão, acha que pode tudo, dirigir de chinelo, bebados, drogados, são os assassinos das estradas, é só a empresa pagar uma propina e ficam livres da fiscalização, vergonha! | Denuncie |

Autor: Teo Fernandes
Só um termo para caminhoneiros: assassinos. | Denuncie |

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