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Voluntários oferecem esperança a atingidos pela chuva em Minas Grupos solidários se organizam, arrecadam donativos e atendem famílias que perderam quase tudo nas enchentes. Jipeiros vencem trechos intransitáveis para levar comida a vítimas ilhadas

Valquiria Lopes -

Publicação: 06/01/2012 06:00 Atualização: 06/01/2012 08:49

 

Luciano Franco e Ângelo Simão recolheram colchões, alimentos, roupas, agasalhos e produtos de limpeza para vítimas das inundações em Belo Vale (Beto Magalhães/EM/DA. Press)
Luciano Franco e Ângelo Simão recolheram colchões, alimentos, roupas, agasalhos e produtos de limpeza para vítimas das inundações em Belo Vale

 

Chegar a locais onde a água e a lama deixaram pessoas ilhadas, com fome e desesperadas, tem movido grupos de voluntários em municípios atingidas pelas chuvas. Esse é o trabalho cotidiano de muita gente que parou suas atividades para recolher e levar donativos, materiais de limpeza e de higiene, além de uma dose de solidariedade, que arranca sorrisos em meio ao sofrimento e à dor. Muitos voluntários têm enfrentado situações adversas de chuva e estradas interrompidas, na esperança da diminuir as dificuldades de famílias que sentem na pele os estragos dos temporais em Minas.

E para quem está com fome, sede, sem roupa e esperança, o que mais importa é quando a ajuda chega. Em Brumadinho, na Grande BH, onde 12 povoados estão ilhados devido à cheia do Rio Paraopeba, um grupo de 10 jipeiros tem vencido  trechos aonde os veículos da Defesa Civil não chegam para levar comida, roupas e apoio a quem precisa. “São famílias inteiras em situação precária. Estão ilhadas, sem alimentos e água potável. Pelo menos metade perdeu tudo em casa”, conta o voluntário Raniare Júnior Morais, de 34 anos, que desde segunda-feira percorre povoados de Brumadinho com voluntários da organização não governamental Abrace a Serra da Moeda e do Jeep Clube Minas Gerais. “A gente sai cedo e só volta de madrugada, porque as estradas estão muito ruins. O trabalho é muito gratificante. É bom sair e ver que pudemos ajudar alguém”, conta.

Outra movimentação de jipeiros é feita na capital para amenizar o fim de semana de quem sofre com alagamentos. À frente do planejamento, o aposentado Oduvaldo Reis, de 60, busca roupas, cestas básicas e colegas com carros off road para levar socorro a vítimas. “O trabalho consiste em fazer sem esperar nada em troca”, diz Reis.

Tragédia

Belo Vale, na Região Central, também está na rota do voluntariado da chuva. Da capital, o empresário Ângelo Simão se mobiliza para levar colchões, alimentos, material de limpeza, roupas e agasalhos para as vítimas que perderam tudo com as enchentes. “Já fiz esse trabalho em outros anos e me sinto gratificado. Para mim, chega a ser uma forma de agradecimento por estar bem e confortável mesmo diante de tantas tragédias. Me sinto na responsabilidade de fazer isso por alguém que está em dificuldade”, afirma o empresário. O recolhimento dos donativos teve início nessa quinta-feira e vai durar até a manhã de sábado, quando ele vai para Belo Vale. Quem quiser fazer doações pode ligar para os telefones 3344-7955 ou 8767-2711.

Para quem convive diariamente com situações de risco e de tragédias, o apoio dos voluntários é considerado fundamental. De acordo com o coordenador municipal de Defesa Civil da capital, coronel Alexandre Lucas Alves, o trabalho dos voluntários é importante e pode ser feito durante todas as épocas do ano. Na capital, ele destaca a atuação dos núcleos de Defesa Civil (Nudecs) e de Alerta de Chuvas (NACs). O primeiro trabalha prevenção e risco geológico, enquanto os voluntários do NAC avisam comunidades inteiras e mobilizam a retiradas de pessoas de áreas de risco diante de uma alerta de chuva forte e inundação.

O chefe da assessoria de comunicação do Corpo de Bombeiros, coronel Edgard Estevão da Silva, destaca a importância do trabalho de associações, escoteiros, jipeiros, profissionais de saúde e de todos que se dispõem a ajudar vítimas, mas faz um alerta: “Não recomendamos que as pessoas se envolvem em atividades que coloquem suas vidas em risco. Diante de qualquer situação de perigo, os bombeiros devem ser acionados”.

Esta matéria tem: (3) comentários

Autor: Henrique Sanna
Caro Felie Ribeiro: Creio que você está equivocado. Não é desta vez. Em outras vezes também a atuação do jipeiros foi fundamental. Eles vem fazendo isso já há algum tempo. Quem parece não estar fazendo muito por Minas Gerais é um determinado ministro aí. Ou será que Minas não enviou nenhum projeto? | Denuncie |

Autor: Voltaire Lemos
O que me impressiona é isso... quem não pode ou tem pouco, ajuda; quem tem muito e poderia ajudar, não está nem aí. Este é o Brasil. Enquanto isso, em Brasília e Pernambuco... huuuummmm | Denuncie |

Autor: felipe ribeiro
Os jipeiros surpreenderam. Ao invés de somente de realizar uma prática que detona a natureza, fizeram algo de grande valor desta vez. | Denuncie |

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