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PM estoura QG do jogo do bicho na capital Polícia e MP interditam dois escritórios responsáveis pelo controle de um terço das casas de apostas em BH. Três pessoas são detidas e 16 lojas fechadas

Mateus Parreiras

Publicação: 23/09/2011 06:00 Atualização: 23/09/2011 06:10

 

Disfarçados na Avenida Olegário Maciel, a menos de 300 metros da 6ª Companhia da Polícia Militar, no Hipercentro de Belo Horizonte, e no 9º andar de um edifício em plena Praça Sete, duas centrais responsáveis pela contabilidade, fornecimento de resultados e administração de um terço das lojas de jogo do bicho na capital –são mais de 100 bancas sob seu controle – foram devassados e fechados nessa quinta-feira pela Polícia Militar. A operação, que contou com o Ministério Público Estadual (MPE), fechou 16 casas de apostas e levou três pessoas para o Juizado Especial Criminal, onde responderão por envolvimento com jogo ilegal.


Militares invadiram na Rua Carijós conjunto de salas onde era feita a contabilidade e a administração de cerca de 100 lojas.  ( Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
Militares invadiram na Rua Carijós conjunto de salas onde era feita a contabilidade e a administração de cerca de 100 lojas.
Os dois escritórios invadidos na operação pertenciam a uma das três grandes organizações que comandam o jogo do bicho em Belo Horizonte. Para disfarçar a atividade ilegal e criar meios para escapar da polícia, os bicheiros adaptaram os espaços. Na Avenida Olegário Maciel, por exemplo, havia uma loja de bolsas funcionando como fachada para o escritório. Atrás do balcão de atendimento das vendedoras, pelo menos cinco pessoas faziam a contabilidade de casas de apostas, conferiam débitos, transações e recolhimentos. O espaço era usado para fazer a contabilidade e pagar aos donos de bancas o valor dos prêmios recebidos pelos jogadores. Cada bilhete recebe um carimbo com a inscrição :“Pago. Nova BH Loterias. Válido por 03 dias”, indicando que o crédito foi descontado pelo dono da banca.

Quando os militares entraram no escritório, os bicheiros começaram a correr. Além da sala que fica logo atrás da loja de fachada, o complexo do jogo ilegal se desdobra numa estrutura profunda e secreta, com cozinha, depósito e um longo corredor que termina num armário. Ao abrir as portas desse móvel a PM encontrou uma porta falsa usada pelos bicheiros para escapar com documentos e com todo dinheiro que puderam levar.


Em vídeo, repórter Mateus Parreira revela o interior do QG do jogo do bicho. Confira!


Pelo do acesso, chega-se a um banheiro com uma escada postada na parede. Os degraus ligam a casa de apostas a um motel vizinho. “Acreditamos que os suspeitos tenham fugido por dentro do motel, enquanto verificávamos a segurança desse complexo”, conta o tenente Cristiano Ribeiro, responsável pelo comando daquela parte da operação. Apenas R$ 259,40 foram apreendidos, além de cadernos com a relação de 15 lojas e sua contabilidade diária.

Parede falsa

Todo o material foi recolhido  ( Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
Todo o material foi recolhido
A estrutura mais importante desmantelada pela PM, no entanto, foi a central de resultados e controle de lojas que funciona em duas salas no 9º andar de um edifício na Praça Sete. Os dois espaços eram ligados por uma parede falsa. Dez pessoas que trabalhavam no local tentaram usar o acesso para fugir, mas foram cercadas pelos PMs. Elas foram arroladas como testemunhas. Trabalhavam passando por uma central telefônica com sete máquinas de fax o resultado do jogo.

Nos arquivos desse escritório, a PM encontrou a relação de mais de uma centena de casas de apostas, com seus contatos e movimentações diárias que chegavam a R$ 300 mil em alguns casos. A ramificação das casas de apostas abrange quase toda a cidade.

“Aqui não entra nada de dinheiro. A gente só passa para as casas de apostas o resultado. Somos uma casa de confiança”, afirma um aposentado de 73 anos que foi detido. “Aqui, me pagam R$ 1,2 mil a R$ 1,5 mil, dependendo do desempenho da empresa”, disse. Segundo o tenente Wilson Castelar Júnior, que comandou  parte da operação, a maioria dos funcionários são aposentados. A PM e o MPE ainda não divulgaram o resultado da operação.

 Na contramão da lei

 

Na última grande ação contra o jogo do bicho e caça-níqueis, em 3 de dezembro de 2009, 15 pessoas, entre elas nove policiais civis e um militar, foram presas pela Polícia Federal em BH e Santa Luzia. A Operação Safari 3 apreendeu 13 veículos com os acusados, a maioria de luxo, incluindo um esportivo italiano Lamborghini, zero quilômetro e ainda sem placas (foto), pertencente a um dos quatro chefes da quadrilha. O carro custava na época R$ 1,4 milhão. Um caminhão baú lotado de máquinas de caça-níqueis também foi apreendido. Cada máquina movimentava, em média, R$ 10 mil por mês. Em duas operações no ano anterior, foram presas 21 pessoas e 142 máquinas recolhidas, o que representou uma queda de R$ 1,4 milhão na arrecadação mensal dos criminosos. A operação Safari 3 contou com 220 policiais federais, no cumprimento de 54 mandados expedidos pela Justiça.

 

Tags: bicho jogo azar

Esta matéria tem: (5) comentários

Autor: estevam rodrigues
Grande coisa.. Prender anotador de jogo e umas maquinas. Não jogo, não sei jogar e nem quero aprender. Joga quem quer!!!! Ademais, com tanto ladrao, traficante, assassino,estuprador,pedófilo,agenciador de menores na rua, vão fazer operação de guerra, p/ prender anotador de bicho???? Me poupem...... | Denuncie |

Autor: Jose Lopes da Silva
E O RESTO COMO FICA,MEGASENA,LOTOMANIA,DUPLASENA,SURPRESINHA,A CABRAL VOCE FOI O CULPADO. | Denuncie |

Autor: Marcio Correa Filho
bom trabalho.... Gostei da atuação da polícia! | Denuncie |

Autor: Luciana Grimaldi
E' sempre um estardalhaco danado, a PM se gaba de ter apreendido isso e aquilo, mas o que interessa mesmo, que sao os chefoes, ninguem pega / ninguem sabem quem sao (ou fingem q nao sabem!?!?!?). | Denuncie |

Autor: William Batista de Almeida
Grandes operações para autuar o pessoal do jogo do bicho e o bicho pegando em muitos outros lugares. Joga no bicho quem quer, ninguém é obrigado. E as loterias da caixa..... | Denuncie |

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