Se por um lado a prefeitura de Contagem conseguiu arrecadação recorde no primeiro semestre deste ano - mais de R$ 533 milhões - e comemora a recuperação do posto de terceira economia do estado, com PIB de R$ 14,8 mi, por outro, uma face mais preocupante revela uma cidade que tem a educação e a saúde como os principais gargalos que emperram seu desenvolvimento.
Basta verificar o último resultado da educação municipal no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), realizado em 2009, para perceber contrastes com os quais a cidade precisará conviver no próximo século: na mesma rede de ensino, a Escola Municipal Randolfo José da Rocha, no Bairro Novo Eldorado, conseguiu Ideb 8,0, dois pontos acima da meta estipulada para o país em 2022, enquanto a Escola Municipal Giovanini Chiodi, no Bairro Ipê Amarelo, Região de Nova Contagem, apresentou nota 3,8, 10% abaixo da meta que deveria ter sido atingida na última avaliação.
Em entrevista ao Estado de Minas, a prefeita Marília Campos lembrou que a região onde cada escola se localiza pode contribuir para os diferentes resultados apresentados na cidade e dividiu com pais e professores a responsabilidade pelos números. "Temos que observar as condições da região e Nova Contagem ainda é uma região muito vulnerável. Tem uma questão também que é de gestão da própria escola, então quem está na ponta também é responsável", declarou.
Já Sueli Cristina da Rocha, diretora de formação do Sind-UTE em Contagem, aponta a desvalorização dos profissionais da educação e os problemas de conservação em algumas escolas como os principais fatores que prejudicam o aprendizado e contribuem para a evasão escolar.
Segundo Rocha, atualmente as situações mais preocupantes em termos de infraestrutura são nas escolas municipais Virgílio de Melo Franco, na Vila São Paulo, e Cel Joaquim Antonio da Rocha, no Bairro São Joaquim. Enquanto a primeira está sem muro desde junho, quando uma chuva forte derrubou a parede, a segunda sofre com buracos no telhado durante os temporais.
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| Hospital JK, um dos principais motivos de reclamação dos moradores |
Hospital e Pronto-Socorro JKEntre as reclamações feitas pelos moradores de Contagem, a saúde foi o problema apontado como o mais grave pela maior parte das pessoas com quem conversou o Estado de Minas. Além de casos mais regionais (como o da falta de estrutura do Posto de Saúde do Bairro Flamengo, reclamada pela aposentada Terezinha Fernandes da Silva Ribeiro, de 75 anos), a queixa principal ficou por conta do Hospital e Pronto-Socorro JK (UPA JK).
Para se fazer um retrato da unidade, basta relembrar o caso de Antônio Furtado, de 82 anos, que em junho ficou três dias sentado numa cadeira com o pé quebrado, esperando por uma cirurgia no JK. Desesperado com a situação e com medo de que o pai piorasse, um dos filhos de Antônio vendeu seu único carro e pagou pela operação em um hospital particular.
Relembre na TV Alterosa!Embora o problema com as cirurgias ortopédicas, como foi o caso de Antônio, já tenha sido amenizado - a cidade comprou cirurgias em um hospital particular de Belo Horizonte para agilizar as operações - a prefeita admite que o pronto-socorro ainda é seu maior problema. "Nós temos que nos dedicar à solução do atendimento de urgência e emergência, então até o final do meu mandato quero ter isso solucionado, entregando com chave de ouro o pronto-socorro, que é um gargalo muito grande, mas que nos vamos conseguir estruturar", pontuou Marília Campos.
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