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SERTÃO GRANDE » Descoberta de minério de ferro faz investimentos correrem rumo ao cerrado "Mas os caminhos não acabam. Tal por essas demarcas de Grão Mogol, Brejo das Almas e Brasília."

Paulo Henrique Lobato

Luiz Ribeiro

Publicação: 24/03/2012 17:50 Atualização: 25/03/2012 19:30

Funcionários da Miba perfuram o solo em Grão Mogol, na nova fronteira do minério em MG (Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
Funcionários da Miba perfuram o solo em Grão Mogol, na nova fronteira do minério em MG

Grão Mogol, Porteirinha e Brasília de Minas – Quando disse a frase do alto desta página, Riobaldo Tatarana, o personagem narrador de Grande sertão: veredas, quis ressaltar a imensidão do sertão mineiro. Sem saber, profetizou o que o governo de Minas, hoje, chama de a nova fronteira do minério no estado. Pesquisas descobriram que o subsolo de Grão Mogol e o de 19 cidades vizinhas encobrem jazidas estimadas em 20 bilhões de toneladas. A descoberta deflagrou uma corrida de investimentos na área. Apenas quatro empreendimentos vão aportar R$ 7 bilhões, impulsionando a geração de emprego – a projeção é de 10 mil vagas diretas – e estimulando empresários do comércio e de serviços a ampliar seus negócios para atender a futura demanda.

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“Deve ocorrer uma pujança econômica”, acredita Paulo Sérgio Machado Ribeiro, subsecretário de Política Mineral e Energética do governo de Minas. Um dos principais investidores é a Mineração Minas Bahia (Miba), que iniciou a sondagem numa área de 8 mil hectares em Grão Mogol, cidade histórica escolhida por Guimarães Rosa para ser a terra natal do personagem Joca Ramiro, o jagunço cuja morte desencadeou a guerra entre bandos. A empresa acredita que poderá retirar, em média, 20 milhões de toneladas de ferro por mês no local. Para isso, deve aplicar R$ 3,6 bilhões.

De olho na gorda cifra, que corresponde à metade do orçamento anual da Prefeitura de Belo Horizonte, empresários de Grão Mogol e região se apressam para garantir alguma fatia. Diná da Costa e sócios, por exemplo, levantaram R$ 2 milhões para erguer o Hotel Paraíso das Águas, com 80 leitos. O empreendimento foi inaugurado há poucas semanas: “Já fechamos convênio com algumas mineradoras. Começa uma nova era na cidade”. A alegria é semelhante à de dona Rosa Jaconett, proprietária de um restaurante no povoado de Bucaina, vizinho ao canteiro de obras montado pela Miba. Diariamente, ela serve 60 refeições apenas para os empregados da mineradora.

A Sul Americana Metais, em parceria com a chinesa Honbridge Holdings Limited, também faz estudo em Grão Mogol e vizinhança. O aporte deve somar R$ 3,2 bilhões e será aplicado na extração e no beneficiamento do insumo, além de mineroduto e porto (Bahia). Já a Vale pode despejar R$ 560 milhões na extração do minério na região. Um dos municípios que despertaram o interesse da ex-estatal é Rio Pardo de Minas, lugarejo em que o bando de Joca Ramiro duelou com adversários: “Foi um arraso de tirotêi, p’ra cima do lugar Serra Nova, distrito de Rio-Pardo, no ribeirão Traçadal (...). Bala vinha. O cerrado estrondava”.

Hoje, o minério, como dizem os moradores, aflora no cerrado de Rio Pardo de Minas. Porteirinha, com cerca de 35 mil habitantes, é outro município que deve surfar na onda da mineração. Na década de 1980, a cidade experimentou riqueza com a produção de algodão. A cultura entrou em declínio poucos anos depois e, atualmente, a possibilidade de o minério impulsionar a economia do local cria boas expectativas nos moradores. Adail Pinheiro é um deles. Dono de uma papelaria, ele decidiu investir R$ 1,4 milhão na construção de um hotel com 38 apartamentos.

“Acredito que apenas os funcionários da mineradora vão lotar o hotel”, sonha Pinheiro. A mulher dele, Maria Lúcia Ruas Pinheiro, também quer aproveitar a pujança desejada pelo marido e começou a construir um restaurante em Porteirinha. O casal é amigo de Antônio Carlos de Matos, dono de uma revenda de material de construção. Ele conta que o volume de vendas cresceu muito nos últimos meses. Eufórico, começou a erguer casas: “Vendi cinco em três meses”. O preço médio de cada imóvel, com 56 metros quadrados de área construída, é R$ 85 mil.

GÁS Mas o minério não é o único insumo a aflorar no cerrado. O sertão também esconde grandes reservas de gás. Riobaldo Tatarana, o jagunço-narrador do romance, sabia disso: “Em um lugar, na encosta, brota do chão um vapor de enxofre, com estúrdio barulhão, o gado foge de lá, por pavor ”. O município de Brasília, descrito no trecho que abre esta reportagem, é um dos locais em que a empresa Global estuda a existência de grande reserva de gás. É bom frisar que tal cidade não é a capital da República. A Brasília citada pelo personagem é a hoje Brasília de Minas, a 530 quilômetros de BH.

Vale lembrar que tanto a viagem de Guimarães Rosa (1952) quanto o lançamento de Grande sertão: veredas (1956) ocorreram antes da fundação da capital federal (1961). Por cordialidade, os moradores do município mineiro “cederam” o nome à nova capital. “Foi assim que minha cidade virou Brasília de Minas”, explica Romilton Cruz, gerente do Restaurante Boi na Brasa. Ele está entusiasmado com a possibilidade de o lugar se transformar num eldorado do gás. “Minhas vendas já subiram 50%.”

Rosianas
O arraial cresceu

 (Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)

Distrito de Várzea da Palma, Guaicuí foi onde Riobaldo descobriu que amava Diadorim. O local, no encontro do Rio das Velhas com o São Francisco, abriga um dos cartões-postais de Minas, a igreja de pedras inacabada de Bom Jesus de Matosinhos. O templo, onde nasceu uma imensa gameleira, ficou pela metade em razão de uma febre ter matado, segundo a lenda, vários trabalhadores.

Riobaldo explorou a história em Grande sertão: veredas. “Guararavacã do Guaicuí: o senhor tome nota deste nome. (…) de derradeiro, ali se chama é Caixeirópolis; e dizem que lá agora dá febres. Naquele tempo, não dava. (…) Aquele lugar, o ar. Primeiro, fiquei sabendo que gostava de Diadorim – de amor mesmo amor, mal encoberto em amizade.”
O distrito, impulsionado pelo turismo, hoje conta com mais de 2 mil moradores. Alguns comerciantes vieram de longe para ganhar dinheiro no local. De Rondônia, chegou Gilberto Luiz Menão, dono da Caravelas Materiais de Construção, aberta há um ano. “As vendas estão boas, pois há muitos ranchos às margens do Rio das Velhas.”

Leia na segunda:

Comércio explode no Norte de Minas

Esta matéria tem: (12) comentários

Autor: Delvo Jose Vargas de Araujo
Ter minério e não ter siderúrgica para beneficiá-lo, nada feito. Quem ganha é, somente, o explorador. Para os municípios só ficam os buracos. | Denuncie |

Autor: demerson santos
Correção, onde esta escrito desenformado leia-se desinformado. | Denuncie |

Autor: demerson santos
Em 2009 viajei por todo o norte de minas com minha esposa fazendo uma pesquisa sobre empreendimentos solidários para o governo f., a carência é grande, sei que os empreendimentos causam euforia mas o passivo ambiental também será, gostei muito dos comentários (exceto o do desenformado Luiz Soares) | Denuncie |

Autor: Paulo Barbosa
A extração do minério de ferro traz um grande passivo devido à agressão ao meio ambiente. A situação do minério de ferro, pouco acrescenta em termos de melhores salários e arrecadação para os municípios mineradores. Normalmente, são cidades com um aspecto nada agradável. O espaço é para comentar . | Denuncie |

Autor: Paulo Barbosa
Que bom Luiz Soares, dizer que os leitores do EM são especialistas. Proponho o mesmo verificar a arrecadãção de Ipatinga que abriga uma usina siderúrgica e Itabira que vive da extração mineral. QUal destas cidades é a melhor? Ou a arrecadação de Vota Redonda, que produz aço e Congonhas, minério? | Denuncie |

Autor: Mario Moreira
Coitado de quem precisa trafegar por aquelas estradas desta regiao tendo que disputar espaço com aqueles monstros lotados de minerio. Ou será que construirão estradas por la? | Denuncie |

Autor: Libério Francisco
A lei dos royalties do minério precisa ser revista com urgência, quem leva vantagem são só empresários bem sucedidos como Sr. Eike Batista, melhora o nível de emprego, circula um pouco mais de dinheiro na cidade, mas o impacto ambiental é devastador! As cidades mineradoras são pobres em sua maioria. | Denuncie |

Autor: Luiz Soares
Eu fico impressionado como os leitores do EM são especialistas em economia e antropologia. Sabem tudo e sempre fazem previsões funestas sobre o futuro de Minas Gerais e do Brasil. Riobaldo Tatarana diria: são verdadeiros urubulinos. | Denuncie |

Autor: Frederico Alexandre
Se aqui do lado de Belo horizonte, o Gandarela em risco e a Serra da Piedade querendo ser destombada, imagina o que será no meio do nada, longe de todos e de tudo,,, lamentável essa mediocridade humana e essa " cultura mineira" | Denuncie |

Autor: Admilson Mo
Está na hora desses municípios editar ou reeditar 1 plano diretor sério e seguí-lo.Caso contrário o Município vira terra sem lei, arrecada milhões e o dinheiro vai p/ o ralo(ou bolsos de poucos).Depende da gestão pública.Temos municípios q arrecam milhões e a prestação de serviço públ é de centavo. | Denuncie |

Autor: Ricardo Teixeira
Se nada for feito, terminarão feias, sujas e pobres, como Congonhas, Lafaiete e Ouro Branco. Só quem ganha com isso são as mineradoras. As regiões só perdem. | Denuncie |

Autor: Paulo Barbosa
Um enorme potencial, mas mal aproveitado. O criador da palavra BRICs( Brasil, Rússia, Índia e China), em uma palestra para investidores disse que o Brasil só será amplamente desenvolvido, quando exportar mais aço e menos minério de ferro entre outros produtos industrializados. Portanto, é uma ilusão | Denuncie |

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