A Zona da Mata mineira começa a tomar fôlego para arrancar sua economia da estagnação dos últimos anos. A reativação da fábrica da Merdedes-Benz em Juiz de Fora é o símbolo dessa tão esperada retomada. Originalmente construída para montar veículos como o Classe C e o Classe A, a fábrica parou pela dificuldade de aceitação do produto no mercado. Adaptada para a montagem de caminhões, com investimentos de R$ 450 milhões em 2011, a linha deve começar a funcionar novamente em janeiro de 2012. Os efeitos da reativação já são contabilizados. “Esse é o grande projeto, porque agrega muito à economia da região. Três parceiros da fábrica alemã já se instalaram aqui depois do anúncio da retomada. Haverá uma mudança radical no PIB (Produto Interno Bruto) da Zona da Mata daqui para a frente”, acredita André Zuchi, secretário de Planejamento e Desenvolvimento Econômico de Juiz de Fora.
Juiz de Fora continua sendo a cidade que mais atrai indústrias e investimentos. Nos últimos dois anos, R$ 1,5 bilhão foram colocados na economia local e, além da Mercedes, outro projeto de grande porte está em andamento – a Votorantim Metais Zinco está gastando R$ 521 milhões na construção de sua primeira unidade de polimetálicos no Brasil, destinada à produção de zinco e derivados. Os empregos, com isso, vão aumentando. Desde 2009, quase 9 mil postos foram criados.
Estudo do Centro Regional de Inovação e Transferência de Tecnologia da Universidade Federal de Juiz de Fora lembra que a Zona da Mata estava na rota do ouro e das pedras preciosas da Província das Minas Gerais em direção ao porto do Rio de Janeiro. O desenvolvimento acelerado da região induziu a construção da primeira via de rodagem. Mas a situação se deteriorou, em parte devido ao deslocamento das decisões políticas para Belo Horizonte. Depois da década de 30 do século 20, tudo mudou. Em busca de recuperar a importância econômica, a região conta a seu favor com a localização privilegiada e a infraestrutura existente. “Somos servidos pela BR 040 e pela ferrovia da MRS Logística. Temos dois gasodutos, um porto seco e um aeroporto regional que começou operando cargas, mas que já está fazendo vôos comerciais”, lembra Zuchi.
Embora a indústria esteja concentrada em Juiz de Fora, outros polos importantes vêm se desenvolvendo. É o que mostram a produção de móveis em Ubá, a confecção de roupas em São João Nepomuceno e Muriaé, o circuito do queijo em Rio Pomba, a avicultura, a, suinocultura e a indústria de suco de frutas em Visconde do Rio Branco.
Ubá e sete municípios vizinhos -- Tocantins, Guiricema, Visconde do Rio Branco, Rio Pomba, Piraúba, Rodeiro e Guidoval -- formam um dos principais pólos moveleiros do país. "São 450 empresas que empregam 45 mil pessoas", aponta Michel Henrique Pires, presidente do Sindicato das Indústrias Moveleiras da região e dono da Modecor, localizada em Tocantins.
Com a elevação do poder de consumo das classes C e D, as vendas vêm crescendo na casa dos 10% ao ano. As encomendas são feitas de todo o Brasil e os principais clientes são grandes redes como Casas Bahia, Ricardo Eletro, Lojas Zem, Insinuante. A expansão da Modecor é um exemplo da força do segmento. A empresa foi fundada há 20 anos e funcionava num espaço de 450 metros quadrados. Hoje ocupa 22 mil metros quadrados e tem clientes em todo o país. Das vendas totais, 55% abastecem lojas do Sudeste. “Temos 260 funcionários e faturamos R$ 2 milhões por mês”, orgulha-se Michel Pires.
A uma hora dali fica o município de São João Nepomuceno. É de lá e das vizinhas Descoberto, Machado, Bicas e Maripá de Minas que sai boa parte das roupas de marca vendidas nos shoppings mais baladados no Brasil, como Cavalera, Animale, Doc Dog, Maria Filó, Cantão, Alphabeto, Osklen, Side Walk, Zara e Renner. Segundo o Sindicato das Indústrias do Vestuário de São João Nepomuceno (Sindivest), o polo reúne 500 empresas e 15 mil funcionários. Somente em São João, que tem 25 mil habitantes, a atividade conta com 280 empresas e emprega 7 mil pessoas. Apesar de a cidade ser pequena, por causa dessa atividade intensa sete bancos estão lá presentes.
Um dos dez maiores frigoríficos de aves e suínos que atuam no Brasil também está localizado na Zona da Mata: a Pif Paf, que saiu de um faturamento de R$ 280 milhões em 2002 e fecha 2011 com R$ 1 bilhão. Com 6.500 empregados diretos e 20 mil indiretos, trata-se da maior empregadora de Visconde do Rio Branco. O modelo de produção é verticalizado. “Os parceiros recebem pintinhos, ração, medicamentos, assistência técnica e entregam a ave adulta. Em sua maioria esses parceiros são minifundiários. O sistema é interessante porque evita o êxodo rural”, diz o diretor comercial da Pif Paf, Edvaldo Campos.
Para reverter o período de declínio econômico, um dos desafios da região, na opinião de André Zuchi, é fortalecer o setor logístico, facilitando a entrada, a saída e a armazenagem de produtos fabricados na Zona da Mata em Juiz de Fora. Outro desafio é apontado por Paulo Nepomuceno, secretário de desenvolvimento tecnológico da Federal de Juiz de Fora: atrair empresas para o parque tecnológico que está sendo construído na Universidade. O projeto entra em operação em 2012 e receberá recursos da ordem de R$ 50 milhões. “Vamos trazer três âncoras e também empresas de portes pequeno e micro. Queremos empresas de alta tecnologia que operem no setor metal-mecânico.”
Esta matéria tem: (15) comentários
Autor: anisio souza
O governo de minas poderia assumir todas as rodovias federais, duplicá-las e privatizá-las. O estado de Minas não é mais rico poque as rodovias são uma vergonha!!! | Denuncie |
Autor: Paulo Barbosa
Enquanto rodovias no interior de S.Paulo, são modernas e duplicadas em Minas a ligação da BR-040 entre BH à Juiz de Fora é de pista simples em sua maior parte e um verdadeiro perigo para seus motoristas e usuários. Infraestrutura no setor rodoviário mineiro é desolador, muito perigoso e inseguro. | Denuncie |
Autor: Gabriel Fonseca
Como não citar Ponte Nova com o 4º maior atacadista do país e a maior fábrica de soro em pó do Brasil e ainda com um dos maiores frigoríficos exportador de carne suína. Ainda não citar Viçosa, com o primeiro parque tecnológico do estado em parceria com a UFV. Zona da Mata não é só Juiz de Fora e Ubá. | Denuncie |
Autor: José Maria Amâncio
EXCELENTE REPORTAGEM! APENAS GOSTARIA DE RETIFICAR MEU NOME: JOSÉ MARIA RICARDO AMÂNCIO! OBRIGADO! | Denuncie |
Autor: Rodrigo Ferreira
Putz! Calma ai, não confundir xafariz com machado de assis. Investimento em automoveis é uma coisa em petroleo é outra. Petroleo é o que move o mundo, copo, carro, roupas, etc... tem como materia prima um % de petroleo então não compare assim nao, por que nunca será a mesma coisa! | Denuncie |
Autor: Antonio Bueno
Luciano, e vc acha que 1,5 bilhão é muito para um Estado como MG? Deixa de ser pobre, o pré-sal vai investir em SP 200 bilhões sem contar com as fabricas da Toyota, Cherry, Hiunday, BMW. A nissan vai para o RJ, a Jac para BA . E pra MG nada. Aliás só sobra a dupla AécioAnastasia . Pobreza....... | Denuncie |
Autor: Antonio Bueno
Vamos ver se agora vai o último grande investimento em MG na época de Itamar. Estão chegando ao Brasil 6 novas fabricas de de Autos, nenhuma para MG. É claro, com Aécio, morando no Rio, bebendo todas e fumando tudo que tem direito, e Anastasia , o Estado não vai à frente. MG não nem rede de esgoto | Denuncie |
Autor: Gilberto Nogueira
Boa tarde! Voces estão esquecendo que em Visconde do Rio Branco está a unica FABRICA DE CIGARROS DE MINAS GERAIS | Denuncie |
Autor: Luciano Souza
Faltou complementar com o onvestimento de 1 bilhão e meio de reais que o grupo Holcim S/A vai investir na ampliação da fábrica de cimento de Barroso/MG transformando-a em uma das maiores fábricas de cimento do mundo. | Denuncie |
Autor: Carlos Alberto
Sr.Márcio Correa, o Classe A, da Mercedes não vingou, porque existem brasileiros iguais a voce que só gostam de Bosta, vide Fiat e Cia Ltda. | Denuncie |
Autor: Raimundo Trindade Júnior
Favor corrigir, é MERCEDES e não "MERDEDES". | Denuncie |
Autor: Rodrigo Ferreira
Nossa que isso Marcio Correa Filho, comparar o Classe A com um Fiat. Putz! Realmente, um carro que foi lançado em 1999 tinha tecnologia que hj em 2011 a Fiat nao tem ainda nos seus carros de luxo. Francamente, pra mim isso é dor de cotovelo... Sonha com uma estrela solitaria ...sonha... | Denuncie |
Autor: alexandre Sousa
Minas que não tem governo PETRALHA cresce mais q o pais, e vem se desenvolvendo em todas as regioes, como mostra essa série de reportagens do EM. Ainda tem MUITOS caras qroubam, mas não é para o partido, e qdo sao descorbertos... RUA. Não são "aconselhados" a RESISTIR!!! | Denuncie |
Autor: Lidia Marcia de Almeida Amaral
Zona da Mata estava precisando mesmo de de um empreendimento desta dimensão. Como a própria reportagem disse, sobre móveis, roupas, agronegócio, com este investimento, será uma das regiões procuradas para bons negócios. Parabéns ao EM pela excelente reportagem! | Denuncie |
Autor: Marcio Correa Filho
Não é dificuldade de aceitação. O problema é que o brasileiro nãoa ceita gastar 100mil num carro que parece um veículo da FIAT... Pra comprar um Classe A tem que ser muito burro e no sedã já tem bastante concorrente e a mercedes tem o que??? Um Simbolo no capo... Grande coisa! | Denuncie |