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Norte de Minas será nova fronteira da mineração A extração de minério de ferro deverá levar para a região o desenvolvimento que já trouxe ao quadrilátero ferrífero e à região central. Fruticultura é outra fonte de riquezas

Zulmira Furbino -

Publicação: 12/10/2011 16:28 Atualização: 13/10/2011 15:18

 (Mário Castello)


Os recursos e potencialidades que o Norte de Minas conhece hoje contrastam com a imagem da pobreza castigada pelo clima semiárido que sempre se associou à região. As Minas da região Norte são muitas, e vão da pecuária à produção da biotecnologia avançada, da produção de energia elétrica e biodiesel à fabricação de produtos têxteis, da fruticultura à produção de florestas, da cachaça de qualidade à paçoca de carne de sol. Para ampliar essa lista, nos últimos dois anos, também a mineração surgiu como uma das atividades capazes de transformar a realidade nas áreas menos desenvolvidas. È o que deve acontecer no Alto Rio Pardo e na Serra Geral, onde a exploração de jazidas de minério de ferro deve receber investimentos de R$ 7 bilhões nos próximos cinco anos.

A transformação do Norte de Minas na nova nova fronteira mineral do estado é aposta de grandes empresas nacionais e multinacionais detentoras de direitos minerais na região. Entre elas, Vale, CSN, Grupo Votorantim, MTransminas, Mineração Minas Bahia (Miba) e Gema Verde. A ideia é viabilizar a exploração de minério de baixo teor. A reserva estimada é de 20 bilhões de toneladas de minério abrangendo 20 municípios, entre eles, Salinas, Rio Pardo de Minas, Grão Mogol, Porteirinha e Nova Aurora. Para alavancar a exploração mineral nesta nova fronteira, no entanto, será preciso infraestrutura e planejamento logístico. “Num futuro próximo, o minério de ferro vai levar para o Norte de Minas o mesmo desenvolvimento que levou para a região Central e para o quadrilátero ferrífero. Isso significa a criação de infraestrutura e construção de rodovias. Será preciso desenvolver a produção de energias renováveis como eólica e fotovoltaica e construir novas barragens, que também servirão para a irrigação. O gás natural da Bacia do São Francisco poderá ser usado na produção siderúrgica”, observa Paulo Sérgio Machado Ribeiro, subsecretário de desenvolvimento mínero-metalúrgico e política energética do estado de Minas Gerais.

Levantamento feito pela Agência de Desenvolvimento da Região Norte de Minas Gerais (Adenor), aponta, ainda, que o agronegócio, representado principalmente pela fruticultura, é uma das principais alternativas econômicas de produção para os agricultores e para o desenvolvimento da região. É o que se nota nas unidades produtoras concentradas nos projetos de irrigação do Jaíba, Gorutuba e Pirapora. São, ao todo, 26,8 mil hectares já irrigados com predominância das culturas de banana, limão, manga, uva e cana-de-açúcar para a produção de álcool. “Esse é um segmento prioritário dos conselhos regionais de Janaúba, Januária, Montes Claros, Pirapora e Salinas”, diz o presidente da Adenor, Geraldo Eustáquio Andrade Drumond.

Somente uma das cooperativas instaladas na região, a Cooperativa dos Produtores de Banana Prata de Minas, a Cia da Fruta, produz 1,5 tonelada de bananas por mês. São 1.000 hectares plantados no Jaíba, em São Francisco, em Maria da Cruz e em Capitão Enéias. Toda a fruta que sai dali vai direto para as gôndolas de grandes redes supermercadistas como Carrefour, Pão de açúcar, WalMart e Sendas em São Paulo e no Rio de Janeiro. Ao todo, a Cia da Fruta emprega 600 trabalhadores diretos e 1,8 mil indiretos. A agricultura familiar é outra fonte de renda importante para a região. Edcarlos Santos Cruz é produtor de tomates, pepinos e pimentões em Nova Matrona, no Alto Rio Pardo. Trabalha com a esposa e vende o que produz em Vitória da Conquista, Jabaquara e Itabuna e também para atravessadores. “Tudo aqui é irrigado pelo seco ou pelo gotejo. Hoje tenho uma vida básica, com carro e casa. Tudo o que consegui foi com a lavoura”.

A cachaça artesanal de qualidade é ponto forte da região. Só na região de Salinas são 70 alambiques, 53 marcas e 27 produtores, entre eles a família Santiago, dona da Havana, a cachaça mais famosa do Brasil, e da Canarinha. Junto com irmãos, Eilton Santiago é proprietário da marca Canarinha. Ele conta que produz 25 mil litros ao ano e que tem a demanda por seu produto, que pode sair a R$ 80 nas casas do ramo em Belo Horizonte e bem mais cara em praças como Rio de Janeiro e São Paulo, é bem maior do que a oferta. “Saindo se Salinas, tem quem peça R$ 120”, garante o produtor, que procura vender o mínimo que pode por cliente, como estratégia para atender a todos.

O extrativismo, a agricultura e a vocação agropecuária, porém, convivem com indústrias de ponta, instaladas em Montes Claros. “Uma das principais características do Norte de Minas é o contraste entre vários segmentos da economia. Aqui o desenvolvimento começou há 60 anos, com o estímulo da Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste). Esse estímulo trouxe para Montes Claros empresas de ponta, como a industria de biotecnologia”, diz o presidente da regional da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Ariovaldo de Melo Filho. É ali que estão instaladas empresas como a Vallée (vacinas contra aftosa, raiva e brucelose, antiparasitários, suplementos e terapêuticos para bovinos), a Novo Nordisk (insulina e produtos para tratamento da diabetes) e a Hipolabor (medicamentos).

Na Vallée, o crescimento médio é 15% ao ano e o faturamento em 2010 foi de R$ 200 milhões. Atualmente a empresa exporta para países da América Latina, mas nos próximos cinco anos venderá também para África e Ásia. “O Mercado Veterinário Brasileiro vem a cada ano consolidando sua posição como celeiro do mundo. Com a queda dos subsídios dos países desenvolvidos e o crescente aumento do consumo de carne, leite e derivados, o país se fortalece como potencia mundial”, diz o gerente de operações de mercado da empresa, Luis Almeida.

Esta matéria tem: (9) comentários

Autor: alexandre Sousa
Minas que não tem governo PETRALHA cresce mais q o pais, e vem se desenvolvendo em todas as regioes, como mostra essa série de reportagens do EM. Ainda tem MUITOS caras qroubam, mas não é para o partido, e qdo sao descorbertos... RUA. Não são "aconselhados" a RESISTIR!!! | Denuncie |

Autor: alexandre Sousa
Alguem tem q avisar a moçada d contra duas coisas. primeiro MG é o principal polo siderurgico do pais. Mineração paga impostos e royalties para o estado e o municipio. Eucalipto e carvão devastam muito mais que mineração e rendem muito menos. Conservação e progresso não são antagônicos. | Denuncie |

Autor: Antonio Bueno
Vai tirar todo o minério do norte de MG e vai sem valor agregado para se transformar em pelotizado e aço no RJ ou ES, estados que realmente irão faturar às custas de MG. Em Minas só ficarão os buracos, como fizeram com Itabira, enquato isto Aécio toma umas nas práis do RJ, onde de fato mora. | Denuncie |

Autor: DaSilva idalmobarbosa
Um dos fatores principais, que sempre me fez orgulhar de ser Mineiro, era(m) as nossa Belas Montanhas, que hoje são exterminadas pela ganância, sobrando apenas buracos, exterminando toda a flora, a fauna e os manciais de água que nascem no sopé dessas montanhas. | Denuncie |

Autor: Paulo Boas
Quando chega alguma coisa no norte de minas e vale jequitinhonha, fiquem atentos pois não deve ser boa coisa.Abusam do solo e da mão de obra barata, o dinheiro não é investido aqui, nem na educação nem na infraestrutura,e com certeza esse dinheiro irão para outros centros. | Denuncie |

Autor: Edilson Guimaraes
Chega de empregos braçais. Educação para o povo!!! Esses caras chegam aqui, esburacam os estado, dão trabalhos braçaos, mal remunerados e mantém suas sedes com os altos salários no Rio de Janeiro. Esse filme já está desgastado. Depois vão embora e ficamos com os buracos. E ainda acham isso bonito? | Denuncie |

Autor: Mário Sampaio
A Maria Sam, está completamente certa, por ninharia de três % largam só buracos por toda Minas Gerais, é certo que precisamos da extração do minério, mas podia ser melhor aproveitado, extrai e manda pro exterior, era melhor exportar já o aço ... | Denuncie |

Autor: maria sam
Primeiro que nao é norte de MG,éo Vale do Jequitinhonha de qual a imprensa fala tao mal.Segundo: progresso para quem? Queremos investimento em empreendiemtnos sustentaveis e nao os buracos e a silicose dos trabalhadores da mineracao.Queremos Nossos polos da UFVJM doados A Unai e Janauba.Jequi? Nada. | Denuncie |

Autor: Mário Alves
Essa é a região onde a turma do Manoel Costa, pessoal da Secretária de Legitimação Fundiária, estavam "regularizando" terras de forma fraudulenta. | Denuncie |

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